davidveiga

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Homem sem tempo de ser criança, De mãos marcadas pela vida Amante de uma utopia, Pai pleno e incompleto.

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Ambição

Ambiciono ser alguma coisa

Quanto mais não seja

Ser infeliz com ambição.

Não sejamos amadores

Ser infeliz dá trabalho,

Encontrar um amigo,

Lembrar coisas passadas,

Rir um pouco, não tem perdão;

O infeliz marca no corpo,

Efemeramente por dentro,

Permanentemente por fora,

A sua pretensão,

Ter o que não pode,

Perder o que não tem.

O infeliz não tem passado

Tem um futuro de exclusão,

O infeliz sente sozinho

Nada partilha, nada quer.

O infeliz canta um fado,

Fado de uma nota só,

Com letra de sentido errado

E ritmo desirmanado.

A infelicidade come-se,

Mas aos bocados, sem saborear,

Comer o que não se gosta e,

Temperar com lágrimas e pesar,

É engordar a infelicidade,

Sabendo que nos vai matar.

O momento efémero de ficar

Feliz com o ter, é um instante

Perante a realidade eterna

De sermos o que não queremos ser.
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Poemas

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Ambição

Ambiciono ser alguma coisa

Quanto mais não seja

Ser infeliz com ambição.

Não sejamos amadores

Ser infeliz dá trabalho,

Encontrar um amigo,

Lembrar coisas passadas,

Rir um pouco, não tem perdão;

O infeliz marca no corpo,

Efemeramente por dentro,

Permanentemente por fora,

A sua pretensão,

Ter o que não pode,

Perder o que não tem.

O infeliz não tem passado

Tem um futuro de exclusão,

O infeliz sente sozinho

Nada partilha, nada quer.

O infeliz canta um fado,

Fado de uma nota só,

Com letra de sentido errado

E ritmo desirmanado.

A infelicidade come-se,

Mas aos bocados, sem saborear,

Comer o que não se gosta e,

Temperar com lágrimas e pesar,

É engordar a infelicidade,

Sabendo que nos vai matar.

O momento efémero de ficar

Feliz com o ter, é um instante

Perante a realidade eterna

De sermos o que não queremos ser.
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Uma Rosa

UMA ROSA

O amor é uma rosa escarlate e brilho mate,

É um nascer do sol em dia de nevoeiro indeciso,

Que nos atira do precipício de um coração que bate,

Vivendo obcecado, como um número preciso.

Amar é um animal selvagem incapaz de se alimentar,

É um feitiço na noite e escuridão total, mesmo ao luar,

É o presente incerto, o sonho de ser imortal

Oferecer sempre o nada e nunca ser banal.

Nestes dias abro a dor e sou pouco,

Sou como o orvalho triste e normal

Sou um paradoxo impossível, mas real,

Sou raiva, sintoma de devaneio

Sou o indigno homem que sonha,

Ser o que não sou,

Amar-te e ser completamente,

Simples, inteiro e normal.

David Veiga
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Escuridão

Sou metade do que vejo e sinto-me demasiado negro,

Não existe dimensão para a apatia e não querer.

A vida é infiel aos sentimentos, encurta-os, esconde-os e mascara-os,

A morte é o impossível, resiste à monotonia e eterniza monólogos.

 

 

Felizes os caídos, que precocemente esqueceram a angustia,

Viver cansa, trama e enrola os sentidos, rouba-nos a sensibilidade.

Morrer não é razão, é a conclusão,

É uma supernova invertida, é castidade adquirida.

 

 

Amar é um buraco negro, monocromático, obsessivo e crescente.

Amar é o pulsar de um quasar, persistente, diferente e permanente.

Amar é um dom,

Amar é morrer e nascer num instante só.

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POETA

Ser poeta é ter dor, é ter medo de sorrir,

Ter inveja dos que amam, sentir a alma a fugir.

Pedir o coração emprestado, a voz dos outros para rir,

oferecer palavras com mãos frias, mentir para seguir.

 

 

Ter medo de roubar as palavras, sentir com receio

E ser um corpo vazio, de olhos opacos e fado negro.

Quem me dera ser poeta, poder algo acariciar, vender carinhos

em coração alheio, apesar de a mágoa persistir.

 

 

Ser poeta, é ser pequeno e ver longe,

sofrer com a dor dos outros,

pensar em ser feliz, colocar em verso

os sonhos imaginados e viver.
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A arma da desilusão

Morri no ano de setenta e um

Homem recente de sonhos imprudentes

Em nome da Pátria e da Nação,

Deram-me a ordem, lutar contra a razão!

 

Moçambique, terra de outros homens

Terra do sol que nasce no mar,

Nova pátria regada no sangue e ilusão,

Em que marcham armas, no pó negro e humilhado.

 

Vinte e cinco meses a viver e a morrer.

Pelo dever, Homens e Heróis contrariados

Vivem calados na sede da água perdida,

Com medalhas e remorsos no peito partido.

 

No ano de setenta e três, com cheiro de morte,

Abraçamos os irmãos nascidos nas balas sem nome,

Regressamos no mar do fim escondido,

Á terra que é Pátria, mas também desilusão.
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