Dikamba wa Ufolo

Dikamba wa Ufolo

n. 1994 AO AO

n. 1994-04-19, Luanda

Perfil
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HERO-INA

Ah, que linda menina
que tudo predestina;
Seu tempo e sua sina
tal como ela vaticina

Brilhante e adamantina
Como o sol de Argentina
E as estrelas de China
É a paz para Palestina

Aí, minha linda bonina
De uma cor alizarina
Longe de lana-caprina

Não é bomba que vermina
É semente que germina
Para sempre é; HEROÍNA 
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Biografia
Pan-africano, afrocrata, afrocentrista, ativista cívico, rapper, poeta e escritor eclético angolano, nascido em Luanda, no município da Samba aos 19 de Abril de 1994.

Poemas

19

HERO-INA

Ah, que linda menina
que tudo predestina;
Seu tempo e sua sina
tal como ela vaticina

Brilhante e adamantina
Como o sol de Argentina
E as estrelas de China
É a paz para Palestina

Aí, minha linda bonina
De uma cor alizarina
Longe de lana-caprina

Não é bomba que vermina
É semente que germina
Para sempre é; HEROÍNA 
314

E Se Não Fosses MINHA?

Pois, se não fosses minha
roubaria-te numa bola de cristal
Jamais, deixar-te-ei sozinha
Estarei aqui, sempre, Sra. Amaral

Bem sei que, achar-te-ei
numa cartomancia
Nunca esquecer-te-ei
nem com amnesia

Se, por acaso, eu perder-te
Descubrirei a bússola
Para navegar seu coração

Ainda voltarei a ver-te
Pode parecer exdrúxula
Mas, terei a tua direção
286

meu EU em belona

É, foram saudades
Ah! Saudade minha
desta persona fuinha
coberta de intriguidades

Este é meu regresso
sem antes regressar
minha busca sem sessar
É o meu vir adverso

Meu adeus, meu beijo
Meu findar, meu despejo
Meu Pseudo-ego em belona

E, em fim
É sempre asssim
O bom filho à casa torna
282

Nós-t-Algia

Eu sentava,
pensava e escrevia
Imaginava,
traçava e descrevia.
Hoje tudo acabou
Foi bom enquanto durou
294

Amor e Ódio


 Achando-se sabedor
De muito bom humor
Um ser admoestador
Assim clamava o amor:

Eis a condescendência
A tão grande simpleza
Eis a mãe da prudência
O senhorio da afouteza

Vendo o lindo episódio
Tornou-se furibundo
Exasperado e iracundo
Logo, proferiu o Ódio:

Enxerga-te! Ridiculez!
Não viva nesta agnosia
Liberta-te da teimosia
Repara a tua vaziez

E, com seu primor
Respondeu o Amor:

Então, diz-me quem es
Bem sei que não sabes
Eis o conhecimento à rés
Para que não te aldrabes

Es a extrema penúria
Opróbio para a natureza
A disnorme absurdeza
Desde a primeira sentúria

O Ódio ouvindo, gracejou
Pois, conjeturava deboche
Projetava extinguir, forcejou
Designando-o por fantoche

Nada es sem mim
Não passas de pilhérias
Meu pobre culumim
Anda, deixa-se de lérias

Sou eu a força melânia
Do mal afrouxando a luz
Olhe a vecalharia de truz
Sensatez que traz insânia

Eis o fidalgo da brejeirice
De um mundo amoral
Ascendência da chocarrice
Eis a degeneração moral

Amor ouvindo aquilo
Sentiu-se destroçado
Restitui-se tranquilo
Ordenando o seu recado:

Sem receio te digo
Para ti meu amigo

Já desde tenra idade
Está o Amor ao pódio
Como amigo da verdade
Digo eu, não existe ódio

— Não existe ódio, existem pessoas que amam fazer o mal.
316

Caos

Era malícia em demasia
Que o povo imputava consigo
Tão normal era a hipocrisia
Que levava fides em perigo

E, foi tanta indisciplina
Com a beatitude em modorra
Passou-se de Meca e Medina
Para Sodomo e Gomorra

E hoje ? planhe o povo
Porque perdeu-se o seu poder
E pedem a ''Vida'' de novo

Hoje, lipemaniacos, a perder
De grandes para ser um ovo
Num fogo infernal a arder
320

O Mórbido Veemente


Dor que dói sem úlcera
Dor que corroi o adentro
Dor veemente no centro
Dor dessa gente adúltera

Dor possante e subitânea
Dor incessante, duradoura
Dor de algoz que traz oura
Dor de atroz e espontânea

Dor que abate e devasta
Dor do embate e assola
Dor que subtrai e isola
Dor esta que vai e afasta

Dor que doi sem bostela
Dor de mói que domina
Dor homicida, assassina
Dor da vida com querela.
329

APENAS “nada”

De mim... Levem tudo

Levem a minha existência
que desistiu num dia
a minha persistência
a tamanha galhardia

Levem os passos largos
o peso no dorso
os doces, os amargos
levem o remorso

Levem as minhas vestes
meus pobres pertences
a calmaria e a peste
os meus interesses

Levem os beijos
os amaços
os meus desejos
e os laços

Levem os abraços
a força do trabalho
o incansável cansaço
a seca e o orvalho

Tudo! Sem nada sobrar
Nada! sem ar de resto
Logo... Sem tempo cobrar
sem gás, nem pretexto

Óh! Porquê sois teimosos
Não deem-me mais tempo
não sejais vagarosos
aproveiteis este retempo

O meu opróbio
a minha fortitude
o meu lado sóbrio
a minha atitude

Levem-me o riso
a lágrima do rosto
o meu paraíso
e o meu desgosto

Levem-me a loucura
a minha sanidade
a minha postura
a minha diversidade

a vontade
toda minha fé
a idoneidade
o meu olho que vê

Levem!... Sem nada esquecer
a minha amnesia
Levem o saber
e a minha agnosia

Todo meu amor
Levem sem esquema
o riso e a dor
Todo esse problema

A minha luz
a minha noite de breu
a minha cruz
a terra, o céu

A inópia constante
a degradação social
o meu mais importante
o meu sobrenatural

O meu nome
a minha idade
o pão, a fome
a longevidade

Levem a minha origem:
minha pátria, minha terra
a minha coragem
minha paz, minha guerra

Levem o meu destino
o meu lindo findar
levem o meu tino
a alegria ao brindar

A família
Os amigos
a minha trilha
os meus perigos

Levem o meu olfato
o tacto também
todo meu aparato
levem o meu além

A minha apologia
o meu tédio
a nostalgia
o meu remédio

Levem... Sim!
Eu permito
anunciem o meu fim
Levem... Repito.

Ah! Odeio vocês
Levem-me Já
arrestem os meus pés
Suplico! Em nome de Jah

Jah? Quem é este?
Não. Também não sei
Então, porquê o disseste
Opa! decerto, errei

Viram? Sou louco
disso estou certo
Penso tão pouco
para tanto excremento

A minha pachorra
Sim. A minha calma
a insónia, a modorra
a minha alma

Mas, porquê a minha alma?
Porquê ela?
Ah! Que trauma!
Ah! Que sequela!

Mas, se não sabia
Saiba agora, cachopo
Não há fobia
Não há nada no meu corpo

E sobre o corpo
Levem o meu também
o levem no sopro
que a natureza tem

E sobre a natureza,
Levem também a minha
a minha tristeza
a solidão e companhia

Levem-me tudo
O meu orgulho
a espada e o escudo
o silêncio, o meu barulho

Levem os becos
as ruelas antigas
os gritos, os ecos
Lealdades e intrigas

Levem a minha rua
o meu berço de lata
a minha realidade crua
a vida má, que me mata

Levem a minha grandeza
grandeza de ser pequeno
Levem a Minha afoiteza
matem o meu lado eterno

Levem mesmo
meu azar, minha sorte
meu andar a esmo
minha vida, minha morte

Digo agora
De mim, tudo levaram
o olho não chora
mas, sente os que calaram

a minha serenidade
a minha força
a minha seriedade
toda minha troça

do supremo ao ínfimo
levem-me a deidade
levem-me o íntimo
levem a opacidade

o caminho mais longíquo
levem-me o olhar
o lugar propínquo
a chuva, o molhar

Sem solução
Bem, dei para torto
Levaram-me o coração
Mataram-me bem morto

De mim... Levaram tudo!

Mas...,
Ainda há algo profundo
ainda algo incita
Todavia, não foi-se tudo
ficou a arte da escrita

Como esqueceram
mesmo de apagar
a lâmpada que deram
antes de me afagar

Vós sois falhados
Sois indignos
sois atordoados
sois malignos

Quero que estes jazem
Pois, não gostam trabalhar
Nada fazem...
até falham falhar

Levaram-me tudo
Tudo sem a 'poesia'?
Estou vivo, sobretudo
Quão grande é a cortesia.

- Porquanto, não perdoou-vos!
311

VELHA

Minha geradora, generadora
Minha mãe, minha senhora

Ainda da minha utopia
arrancaste-me a quimera
Meu clarão na luz do "Dia"
minha deusa, minha Hemera

Minha protetora, projenitora
Minha mãe, Minha senhora

barafusta-me de fúria
não planha de depressão
A nossa casa fica incúria
quando não há nela sua mão

Minha geradora, generadora
Minha mãe, minha senhora
320

Wala Kiebi?

Em minhas noites velhas
Em refúgios e nos trilhos
Nas ruas e nas calelhas
E mesmo nos empecilhos

Procurar-te-ei nas ruinas
Nas nossas relutâncias
Nos antros e nas ravinas
Até nas insignificância s

Nas quedas e debilidades
Em labirintos e maranhas
Irei nas escabrosidades

Em abismos e montanhas
Irei de campos à cidades
Para vê-la farei campanhas
296

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