Oh Jikamba Jiami!
Oh! Sem distinção
E, sem orgulho,
Não há extinção,
Não há embrulho
É sem razão,
Sem discórdia,
de antessazão
É uma misericórdia
Digam-me lá então,
meus caros manos:
Importam-se, ser ou não
meus irmãos germanos ?
Pode a vós convir
Sermos consaguíneos ?
Não quero-vos desavir.
Vós sois meus retilíneos
Apenas irmãos. Irmãos -
De pais diferentes
Que estendem-se as mãos.
Como seres deferentes
O amor é aferente
Porquanto, nos conduz
E deixa-nos à frente
desta irmandade de truz
Fado deu-me o mundo
coração a vós escolheu
Vós destes-me "TUDO"
Que jamais o mundo deu
Vida
ah "Vita"
com a sua fita
esquisita
Só a poesia bem dita
para fazê-la bonita
E, a poesia tão egoista
ausenta o artista
por meio de sua escrita.
Poema de CATONE
Não serei um aspone;
bem sei labutar
Mesmo que agora estone
– O bem vai resultar
O mundo que me aprisione,
vou pelo "bem" lutar
Pôr a boca no trombone
para liberdade desfrutar
Dou-te a ti o microfone
deixa-me, o som escutar
da rima que faz-me matutar
O "Jazz" no meu saxofone,
Com a poesia de Catone
Faz-me bem, – é salutar.
Escrito
É hoje que sotarei brados
Pois, dir-te-ei sem enganos
Quero-nos fieis namorados
Quero-te nos meus planos
Eu tão bem quero-te hoje
Ainda amanhã querer-te-ei
Nem que o coração poje
Para sempre te amarei
NUM VALE DE BREU
No vale da morte
Nada vale a sorte
Nem salvas-te com oração
Podes sim ser forte
E, ídem ter suporte
Podes ter um firme coração
Esticarás o pernil, darás a casca
Irás para o Acre ou seja, morrerás
Ouve o que diz o poeta
Podes bater a caçuleta
Tão cedo, por indolência
Nas incertezas, a morte é certa
Essa é a prova concreta
Esgotar-se-á a tua vivência
Esticarás o pernil, darás a casca
Irás para o Acre ou seja, morrerás
BASSULA
A chuva não cai
e, quem gosta de cair ?
mas, não pelo "ai"
é por dor de sentir
não cai por vergonha
vergonha da cadência
água também sonha
sonha com eminência
Porquanto, não cai
- odeia tombar
Se, cair o mundo vai
o mundo vai zombar
Então, prefere não cair
execra o chão
no chão é p'ra se erigir
mas, a chuva é um lerchão
a chuva não chove
pejoa-se da queda
a queda que o move
e, deixa-lhe seda
Então, pode o sol sorrir
pode ele brilhar
nada lhe pode aborrir
a chuva não vai trilhar
Com tanta ousadia
assim dizia um pescador
para roubar a galhardia
e a vontade de um lavrador
O Sacrílego
Aquele visto como exemplo
e que a muitos agrada
Vi-lhe a sair do templo
com uma "Bíblia Sagrada"
era um homem de bata
com uma vela acesa
tinha uma mão que mata
e outra mão que resa
Vergava-se diante a cruz
mas, a demo ía o seu zelo
Pois, não adorava a luz
Quis pôr-nos no seu elo
faltava só o som de truz
despertei-me do pesadelo
NUMA ROCHA PINTADA
Aqui, ali, acolá
Lá, põe-se em brados
aos amados, um olá
Oxalá, que finda os fardos
despida no pé
Fé não lhe falta
alta; é luz de axé
crê, colhe o que planta
Às vezes esquisita
bonita, seu jeito natural
fenomenal e infinita
bendita, sem igual
E de repente
o pente passa
massa inconsistente
presente nessa abadalassa
Pouco dura
ou perdura a alegria
que de dia é escura
e impura a sua energia
Senhora; mãe e tia
com simpatia e pureza
firmeza; sua garantia
da empatia na sua acoiteza
Tantas tentativas tentadas
coetada; findou na luta
astuta, nunca derrotada
amada pela sua labuta
Rápido evapora
estoira a alegria alegre
que é jegre e caipora
a toda hora, quase um segre
agora está lá estendida
Já perdida. E o que aconteceu?
Meu! de morte morrida
a sofrida morreu
Uma estranha morte
sem sorte matou-lhe feio
no meio de luta forte
suporte falhou por receio
- E quem foi?
Foi ele, o abutre
Futre; nada sente
decrescente; nada nutre
deslustre; é indiferente
é um flagelo
nada belo; abutre é quiconha
Não sonha; é o 'pesadelo'
faz o elo com a vida tristonha
dono de ochas
Pochas! tanta tinta
que finta entre rochas
E na ROCHA pinta
Pintou na Rocha
meteu á brocha, a dona alheia
arreia, apagou-lhe a tocha
com a trocha na areia
o abutre não tem alma?
calma, ele não falha
baralha com drama
e trauma a gente que batalha
o abutre é um vírus
vampiros - criado pelo sistema
sem emblema, não há Cirus
Pois, a tiros faz o problema
É gente azulada
com nada, se não arma
seu carma, sua morada
é granada que tudo alarma
Quantas JULIANAs
anganas há de tirar
o seu ar, aissana?
danas, sim todo lar
E pelo 'KAFRIQUE'
um arrepique se fez
Talvez, fique
em sua psique a lucidez
E o que vejo?
mil pejo despejado
o bocado de desejo
ao beijo deitado
E do seu homem?
Somem as vontades
vaidades não comem
dormem todas idades
E o que vejo?
Nada cor de rosa
sem esposa, só viúvo
Vivo, na estrada espinhosa
desastrosa, sem mais adjectivo
Está em rochedos
Três segredos deixados
descuidados, medos
de bruxedos, acompanhados
segredos são três filhos
sem brilhos, de olhos secos
dos becos de seus trilhos
e sarilhos sem ecos
O que vejo?
Um novo czar no paço
com bagaço da ralé
Pois é, é um lerdaço
e palhaço quem nada vê
Mais um com escolta
que solta juras
Impuras por nota
Agiota de ideias duras
Hoje o 'João' Baptista
avista um baptizado
Hipnotizado, que conquista
a pista após lesado
Viúvo com emprego
é cego, mas o que escolher?
o que colher? Um patego
sem ego e sem mulher
Sim, a promessa
é essa; de empregar
é pegar a tua princessa
espessa e a apagar
- 12 - 03 - 019
~ Em memória à Juliana Kafrique.
N'VULA
De repente...
bradava a avó
Óh dibanda, óh dibanda
Só...
numa tarde de Luanda
com quase um segre
acreditar custa
o seu gesto alegre
que quase assusta
Óh que gritaria!
Mama, amor wassaluka?
Tanta alegria
que vejo, que vi nunca
Não é engano
Parece-me loucura
Com o seu pano
amarrado à cintura
óh... minha mamã
mama ya Nzambi
sei que és sã
e solta como diambe
Não sei o que falta
se não está sozinha
salta, salta e salta
é minha avozinha
seu ente
algo esquisito
De repente...
Grito!...
— Nvula !...
— Nvula weza kia..
Ãh!.. sabia!
sem mais curva
sobre a tua alegria
sabe a CHUVA!...