Divaldo Ferreira Souto Filho

Divaldo Ferreira Souto Filho

n. 1989 BR BR

Alguém que foi liberto após o gravidez, mas que tendeu a ficar preso na gravidade e que, pelo amor de duas almas na fecundação e na criação, consegue se libertar do marasmo e da rotina mediante a poesia, arte do dever ser e da libertação...

n. 1989-05-11, Mirassol D'Oeste - MT

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Octógono

Um golpe duro e direto na face
No outro extremo os pés tremem
Os joelhos não suportam o peso,
A mente, o quilo, o ouvido, a tonelada
Vou à lona de um octógono
Sem saída: um labirinto, um xadrez
Um galo preso ao rosto nasce
Como carimbo tatuado. Todos veem
A plateia, os apostadores veem dinheiro
A eles, um homem é suor, sangue e mais nada
Sangrando, se a nobre arte decai, logo,
Pra salvar-nos, só a arte suave tem vez
Assim, neste seleto e real enlace
Cinco rounds ininterruptos nos consomem
Quem bate e quem apanha: ninguém ileso
Filho, marido, pai de família amada
Quero a moral finalizando a maldade logo
Pras feridas virarem história de uma vez
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Poemas

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Passarinho moderno assovia
Apresso em ver que se trata
Querem minha companhia
ou apenas voar ao nada?
Passarinho lá, canto despausado
Muitas ondas perturbam seu voo
Passarinho cá, liberto aprisionado
Nas gaiolas de mundo neutro
Pego-o na mão, dedilho
Acaricio a ave que me serve
Leva meu pensamento ao trilho
Canta, pra que outro te observe
Pombo correio do canto afinado
Voa mais rápido que meu português
Não sei se você é domesticado
Ou eu que sou teu freguês
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Soneto da Gratidão

Eles me deram a vida
no escuro, foram-me guarita
agora, adulto julgo escolher
já posso criar outro ser

Eles, embora o silêncio
corrompa o socorro ao vento
precisam, entre braços, de mim
pra ser-lhes afago até o fim

Senhor diretor, neste asilo as paredes
se enchem de tempo e os pisos
de lágrimas. Choram meus velhos

Não compramos todos os quereres
mas peço-lhe deferimento a risos
deixe-os comigo, em nosso castelo
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