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Panorama

A visão sobre o mundo
Não tem nenhum preço
Mesmo que a conte por inteiro 
Não se entenderá um terço

Ainda assim, deixe eu partilhar meu segredo
Sobre as coisas que vejo
Em troca, diga-me se vejo direito
Que o mundo não é assim, tão preto

Em troca, dê-me um sorriso
Mesmo que não seja verdadeiro . . . 
E limpe minhas mágoas, por favor
Minhas mão se ocupam agarrando-se ao seu calor
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Poemas

9

Panorama

A visão sobre o mundo
Não tem nenhum preço
Mesmo que a conte por inteiro 
Não se entenderá um terço

Ainda assim, deixe eu partilhar meu segredo
Sobre as coisas que vejo
Em troca, diga-me se vejo direito
Que o mundo não é assim, tão preto

Em troca, dê-me um sorriso
Mesmo que não seja verdadeiro . . . 
E limpe minhas mágoas, por favor
Minhas mão se ocupam agarrando-se ao seu calor
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Sáfico

Por palavras que eu só deixei em falta 
Engasgo dessas falas dentro da alma  
Pelos mares e por todo o ar que salva 
Os seres, deuses, oh, livrai-me agora  
 
Do injustiçado, desse mau agouro  
Voai como fosse o vento poente de ouro  
De uma manhã, para que o poema tenha  
De um tecelã o seu afã na lírica  
 
Caso pudessem escutar falar 
As puras nuvens iam cantar o amar  
Para chorar, para pintar, sonhar  
 
Desse amontoado de morros eu peço  
Para ouvir a emoção do peito 
No mimo cálido que diz te amo  
98

Uma vela apagada

Anéis, anéis, coroam como aúreos véus
De aspecto de mel no sol qu'mira os céus

Findando, sondando, fomentei o anseio 
De embrenhar-me nas aureúlas o seio

Clemente coroa em teu sorriso um beijo
Crê que a vida não fora por direito?
Céu q'sibila nele eu engastei-o, seu lume
Pregaram-no estrela, mas seu o perfume?
Raiando pelo recinto, circundando

Gotas de ouro marejam pelo olhar
Pela audácia d'terem ido vagar
111

Céu Emotivo

O choro do céu é firme  
E de certo que dele se acompanhe  
Um pensamento sublime  
Como o marejo de sangue  
Que toma conta do horizonte  

Na visão na frente   
Do homem intransigente  
Seu sonho qual se mantém obstante  
E, como é. Ah, como é distante 
A realidade do seu alcance 
103

Vá ao meu redor, mundo

Vejo, com grande exulto, o passar dum'vulto 
Em um meu, grande, tão sozinho mundo
Meu horizonte . . . na orla que cobre
No sozinho mundo, o fim não descobre 

Vejo, com penúria, a fúria do escuro
Que se esconde nas plantas e em diturno
Em meu, tão, afinco mundo, no fundo 
É feito da queda d'mais outro assunto

Eu quero viver no zero e se espero
É porque em meus desejos eu desprezo
Por toques sujos o olhar do defunto

Auscutar as batidas do meu fundo
Em sincrônia com este lugar sujo
O meu mundo infundo, não só meu feito 
    
118

Vida de Merda

Sorri o caminho 
Só indo e vindo 
Transita o peregrino 

Sorrindo o homem veio
Para surpresa era austero
O jeito do medo

Riu com um semblante vazio
Vi-o como vil. Viu meu o rosto sério
E clamou: — Que por um dia
Possa ter a sua própria vida.

Saiu, aí caminhando
E um rogo por mim e logo 
Para nós, foi rezando 

Sorri o caminho 
Só indo e vindo 
Transita o peregrino
126

A Manhã de Meio Mundo

Pela noite, as luzes iluminam a cidade  
Pontos brilhantes de uma pura castidade  
Quanto se deve dar para poder brilhar?  
Como uma que fica sob um pequeno lugar 
Onde um diminuto mundo pode estar  
 
Borrões, flashes, a luz começa a pesar 
Traz tudo de bonito, tudo que nem chego a enxergar  
Na estampa desses reflexos vejo-me falhar 
Como em amostra, exsurge da escuridão 
Nos filetes de sua cor, em amarelo como a constelação,
O fim do mundo, e em rubro, como o meu coração 
161

Calor da Juventude

Olhe sobre quem sou
Através de minh'alma
Fite com seus olhos sem vida
E o semblante que de um modo tenro corou

Além das pérolas no sorriso
Que se mostram rindo enquanto nada foi dito 
Nada mais – . . . – Ela respira, e eu, suspiro 
159

Grãos do Horizonte

Dava-te mil sois e uma estrela 
Pois pouco importa se são da mesma natureza
Se algumas tem vários planetas 
Ou das suas várias grandezas
Quando contra o brilho, a beleza e a altiveza
Tu acabas em primeira
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