EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

57

PESSOAS

As pessoas que me desculpem pela minha sinceridade:
Estou cansado de pessoas.
Estou exaurido por gente.
Não é que eu não as ame.
Não é que eu não precise delas.
Prefiro o ser humano.

Mas sinto o seu peso sobre os ombros.
Por que hostilizam tanto um ombro amigo?
Pessoas desestruturadas são escombros da infeliz cidade;
Cada pessoa pesa mais de uma tonelada sobre o meu peito.
Sinto-me esmagado pelas suas exigências, soterrado sob as suas cobranças, esmigalhado pelas suas censuras.

Pessoas são fardos pesados demais para eu, um homem imperfeito, carregar:
Pessoas tem expectativas elevadas para eu alcançar.
Pessoas tem necessidades enormes para eu atender.
Pessoas ofendem-se tanto comigo e não me podem perdoar.
Pessoas causam-me tanta mágoa e obrigam-me a lhes dar perdão prontamente.

Ao lidar com pessoas é que se desgastam o corpo e a mente:
Ao cuidar de pessoas é que me descuido de mim mesmo.
Pessoas não se darão por satisfeitas até me transformarem no que são: ruínas tétricas do que foram.

Pessoas são mais imprevisíveis que a ocorrência de terremotos e tsunamis:
Nunca se pode saber porque, quando e como haverá o seu próximo tremor;
Ai de quem estiver perto delas!
Uma onda turva de emoções negativas e lágrimas de crocodilo arrastará quem estiver pela frente;
Quando desabam sob o carga das suas consciências pesadas, soterram os que lhes prestam socorro;
Quando expressam coisas sem nexo,
Quando nunca ouvem a voz da razão e o que dizem não faz sentido,
Quando expõem queixas sem fundamento,
Quando fogem da lógica,
Quando disparam acusações como uma metralhadora automática,
Tornam-se montes de entulho a serem removidos com uma colher de chá.

Pessoas esperam que eu me anule como pessoa,
Que eu não me expresse,
Que eu não pense.
Pessoas fazem-me pisar em ovos enquanto me pisoteiam com olhares de desaprovação.

Pessoas reivindicam os seus direitos:
Devem ser compreendidas a contento quando deixam a desejar;
Quando falham, devem de imediato ser absolvidas;
Quando estão indispostas, devem poder isentar-se da responsabilidade;
Quando cometem erros, devem receber total clemência e encorajamento;
Quando estão carrancudas, devem ganhar sorrisos largos;
Quando tem enxaqueca, todo o mundo deve fazer silêncio e andar nas pontas dos pés;
Quando se comportam de maneira infantil, devem receber colo e mimos abundantes;

No entanto, pessoas não me querem dar qualquer elogio mas exigem que não desperceba nenhuma virtude sua.
Pessoas transformaram-me em um pequeno dente na engrenagem das relações humanas.

Pessoas julgam-me, condenam-me e sentenciam-me à execução sumária do desprezo - mas tudo isso pelas costas.
Se ao menos me acusassem na própria face e me interrogassem sobre as minhas pretensas transgressões.
Mas não me dão direito à vã defesa;
Não me dão direito de resposta;
Não me concedem o benefício da dúvida
E ainda afirmam que recai sobre mim o ônus da prova.

Ó se tão somente as pessoas me tratassem como pessoa!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 24/12/2018)
311

Ó SOLIDÃO!

Ó Solidão, tu és leal, fiel
E dentre as companheiras, a melhor.
Ó Solidão, retira o mal, o fel
Do peito meu e dança ao meu redor.

Ó Solidão, jamais, jamais te amei
Mas já te quero: Não me trairás.
Ó Solidão, não amas, sim, eu sei.
Porém, espero a tua triste paz.

Ó Solidão, não ficas no meu peito
Porque não és aquela que amo tanto!
Mas não me deixas quando aqui me deito
Nem me abandonas quando me levanto.

Ó Solidão, embora não te queira,
Desejo-te: prefiro isolamento
A ser por outra amada traiçoeira
Mais uma vez traído: não aguento!

Ó Solidão, tu estarás comigo
Enquanto te sentir e te quiser.
Ó Solidão, serás o meu abrigo.
Então, por que não podes ser mulher?

Ó Solidão, tu gostas só de mim.
Não queres homens ricos, belos, não.
Pois não procuras homens bons assim.
Ó Solidão. Não! Nunca te terão.

Ó Solidão! Mas como beijas mal!
Os beijos teus são uma chuva fria.
O abraço teu é mais um vendaval.
Ó Solidão! Também te abraçaria.

Ó Solidão! Vem, desce com a neve
Enquanto o coração ainda hiberna.
Ó Solidão, na minha vida breve,
Vem ser a minha companheira eterna!

Ó Solidão, tu és fiel, leal:
As tuas mil carícias são só minhas.
Ó Solidão, retira o fel, o mal
Das almas que se sentem tão sozinhas!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA.)
158

LES VINS

Avec ferveur, l'envie avance vers les vins
Nouveaux ou vieux qui vont à vos cerveaux et veines.
Servez rivaux pervers pourvu qu'ils vous conviennent.
Trouvez saveurs, buveurs baveux, bavards, bovins.

Un verre avant l'aveu: ravis buvez-en vingt!
La veille avait prouvé que votre vie est vaine.
La vague vainc pouvoirs. Chevaux sauvages viennent.
Vivez, cheveux au vent, bravant l'avis divin.

Du vol revêt le vœu que vaut la veule voix.
Suivez divers sauveurs aveugles, vils, grivois.
Pavez la vaste voie à vos mauvais convois.

Dans votre ventre un vers: levain du vice avide,
Se vautre, vous avale et vite vous dévide.
Au vain réveil gavé d'hiver, d'envers, de vides.

(Auteur: Eden Santos Oliveira. Écrit: 15/06/2017)
190

CHAUD ET FROID

Quand le chaleur solaire élève l'âme et l'air
Je sens tous ceux qui s'aiment sur le sol et sèment
L'immense amour lui-même et mille amis qui m'aiment,
Cherchant un chant si cher qui chauffe chaque chair.

Parfois il faut me faire un feu qui fond le fer
Forgeant un jour qui j'aime: jeune joie et gemmes.
Je tiens au tendre thème tout autour: "Je t'aime."
J'avance vite vers la vie avec mes vers.

Le mal de me soumettre mieux à mes soûls maîtres
Et notre ennui de n'être nul port nous pénètrent.
La neige à nos fenêtres nue et nous fait naître.

Une funèbre nuit de neuf ténèbres nuit
Au lourd soleil qui luit sur l'homme loin de lui.
La sage soir me suit, si sombre et seul je suis.

(Auteur: Eden Santos Oliveira . Écrit: 11/06/2017)
195

SONNET 005

Smell and taste garbage, feces, urine, sweat,
Pus, mucus, vomit, carrion, nails and gall.
When you retch, chew the cud, so soft and wet
With your thick spittle, swallowing it all.
See and hear beetles, cockroaches, lice, fleas,
Ticks, leeches, maggots, gnats, grubs, snails and slugs
That leave the sewers, spreading their desease,
And make you fall sick. Feel all worms and bugs.
They scrawl up, sting your legs and suck your blood.
Let vultures tear your lustful flesh apart
And scavenge for your eyes replete with mud.
Let rats gnaw off your tongue and bite your heart.
But if you are disgusted at those things
Do be sick at the filth that your sin brings.

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA.)
231

SONNET 001

While we walk home along this lonely beach
Ships passing in the night do run aground.
The lukewarm sand your feet can hardly reach.
To watch your sorry figure I look 'round.
Though we have taken thousands of steps each,
Only few of my footprints I have found
When looking backwards o'er my shoulders. Screech!
Screech out in pain and let out your first sound!
Your lips do move. My echoes do abound.
To me you keep on sticking like a leech.
Would you drift with my body if I drowned?
The dusk has come near. I must feel alone.
O that you might appear, I wish you shone!

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA)
234

HÁ QUANTO TEMPO, HOMEM?

Há quanto tempo tu não choras, homem?
Porque tu dizes: "Lágrimas que somem"?
Porque não deixas que emoções te domem?

Porque jamais admites: "Eu sou fraco"?
Porque não vês que vives num buraco?
Porque não ouves: "Sou eu que me ataco"?

Porque tu sempre finges ser tão forte?
Porque não temes se te causam morte?
Porque repetes: "Que eu jamais me importe"?

Há quantos pesadelos tu não sonhas?
De quantos sonhos teus tu te envergonhas?
Porque não secas lágrimas nas fronhas?

Há quantas dores tu não gemes, homem?
Há quantos calos tu não sentes, homem?
Há quantos cortes tu não sangras, homem?

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 08/07/2017)
197

224 - O AMOR QUE EU HOJE SINTO

O amor que eu hoje sinto é diferente:
Não é sentir sabor sutil, distinto;
Nem é mais perceber o quanto o sinto;
Nem é mais dar-me conta que ela o sente;

Nem é senti-lo necessariamente;
Nem é ficar sedento nem faminto;
Nem é perder-me só num labirinto;
Nem é mais encontrar-me de repente;

O amor que eu hoje sinto é plenitude:
É como nunca posso e nunca pude
E nunca poderei viver sem ela.

É simplesmente amar na vida rude
Sem eu ter de esperar que tudo mude
Para poder amar a esposa bela!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 04/05/2017)
170

223 - QUATRO BELOS ANOS DE CASAMENTO

Com Jeová enquanto creio e crês
Em tudo que a Palavra dele diz,
O compromisso que fizeste e fiz
Celebraremos pela quarta vez:

Há quatro belos anos Deus nos fez
Cumprir um voto tão sagrado e quis
Que, desde então, um sólido e feliz
Cordão tríplice fôssemos, os três.

No dia dezessete deste mês,
Mesmo depois de tantas coisas más,
Veremos juntos o que vejo e vês:

Já nos amamos mais do que nós dois
Nos amávamos já um ano atrás
E menos do que os anos bem depois.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 08/05/2017)
173

222 - O FAVOR DE JEOVÁ DIANTE DA PERSEGUIÇÃO

Ó, dá-me, Deus, coragem, paz e o bem
Pois todos eles agem contra mim
Dum modo tão selvagem, tão ruim,
E para que me ultragem com desdém.

Ó, faz-me livre quando me detêm
Porque com fé pregando fui e vim
Dum modo dócil, brando. Mesmo assim,
Sem medo, não debando: vou além.

Ó, Jeová, que nada mais me importe,
Enquanto o servo teu te louva e lida
Com mais perseguição, tortura, morte.

De pé, que eu morra de cabeça erguida:
Porque só teu favor me faz tão forte:
É sim até melhor que a própria vida!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 02/05/2017)
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