244 - ERGAMOS A CABEÇA
Irmão, jamais temamos dor e morte!
Com Jeová ergamos a cabeça
Porque, por mais difícil que pareça,
Somos do lado vencedor, mais forte!
Que só a integridade nos importe!
Caso o pior por fim nos aconteça,
Temos até na escuridão espessa
Olhos da fé para encontrar o norte.
Irmão, se tanto mal nos desanima
Façamos súplicas ao Deus acima
Em nome do seu filho já no trono.
Ele nos diz: "Diante do perigo
Eu não te desamparo: estou contigo!
Sê corajoso e nunca te abandono!"
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 06/05/2019)
243 - QUE HORAS SÃO?
Amor é meu cochilo e sou quem te ama
Se logo me levanto e se me deito,
Pois travesseiro fofo foi o peito
E o coração foi confortável cama.
Amor é meu amanhecer e clama
Por sol do dia célebre, perfeito:
Por pálpebras pesadas já te espreito
Como quem contemplou da vela a chama.
Que, por favor, alguém aí me informe
Que horas são porque não sei ainda
Se sou quem despertou, se sou quem dorme.
Mas sempre soube desde a tua vinda
Que tu és, moça linda, sonho enorme
Do sono leve e bom que nunca finda.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 22/04/2019)
242 - MEU ALBERGUE
Que o teu encanto enfim me seja albergue
Quando o projetas num espelho e juro
Que, se o meu olho está vermelho e duro
Por não piscar é para que te enxergue:
Se a pálpebra de novo se reergue,
Quando no mar de trevas te procuro
E, então, te encontro, amor, atrás do muro,
É para que a saudade não me envergue.
Pra ler o teu sorriso que não finda
E ter do paraíso um antegosto
Eu dou-te tudo o que tiver ainda,
Exceto os meros olhos neste rosto
Porque sem eles não te vejo linda
Quando à tua figura eu for exposto.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 22/03/2019)
APENAS PEDRA
Apenas pedra sou: pesado e duro
E para mim não para o tempo cedo:
Pequena parte dum espesso muro.
Esponho sombra para quem aturo
Pois passo a paz de impávido penedo.
Apenas pedra sou: pesado e duro.
Pensava ser o apoio mais seguro
Aos que por perto penam desse medo.
Pequena parte dum espesso muro.
Porém, jamais me vão fazer um furo
Depois de me apontarem todo o dedo.
Apenas pedra sou: pesado e duro.
Apegam-se ao meu peso quando as curo
As trepadeiras de sabor azedo:
Pequena parte dum espesso muro.
Serei punhado deste pó impuro
Pela parede a lhes guardar segredo.
Apenas pedra sou: pesado e duro.
Pequena parte dum espesso muro.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Vilanela escrita em 13/03/2019)
241 - OS QUE SÃO COLUNAS
Ei tu aí de pé, que já te enfunas,
Estufas sempre o peito e falas grosso,
Vê: tu és sim também só carne e osso
Como os demais aí que são colunas!
Ei tu aí! Até que tu me punas
Com teus olhares por eu ser um poço
De todo o sentimento mais insosso,
Terei sim emoções "inoportunas"!
Ei tu aí com dores mais extremas:
Não tens gemidos, não derramas pranto
Para que não pareças fraco e tremas.
Mas eu aqui somente me levanto
Depois de ter escrito os meus poemas,
Enquanto sofro, gemo e choro tanto!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito: 10/03/2019)
COMO JÓ
Desta forca apertam mais o nó:
Sou o escravo de faraó.
E colocam já sem dó
Sobre mim a mó!
Deus, aqui, Ó!
Como Jó
Sou só
Pó.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 15/02/2019)
240 - INCOMENSURÁVEL
Que com tamanho amor eu nunca queira
Que nas devidas proporções se abrande.
Mas que das suas dimensões demande
Medida mais precisa: a vida inteira.
Que eu nunca o meça mais de tal maneira:
Com alto e baixo, com pequeno e grande,
Porque não se reduz e não se expande,
E nem se exibe tanto, nem se esgueira.
Se a manifestação do amor que sinto
Todo incomensurável, indistinto,
Até agora não te persuade,
Espera então, amada esposa minha:
Pergunta-me de que tamanho o tinha
Apenas no final da eternidade.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 12/02/2019)
239 - EXISTÊNCIA ATUAL
Nasci do pó, cresci tão só: da fera
Fugi a pé, venci na fé, eu, moço.
Peguei na pá, cavei por lá o fosso.
Sumir daqui, surgir ali, quem dera!
Segui a luz e quem conduz não era.
Fazer jejum: prazer nenhum, nem osso.
Ao sol pior, verti suor insosso.
Sonhei manhã, velei no afã da espera.
Eu fui refém, prendi a quem me agrida.
Por dois sangrei, depois fechei o corte.
Penei amor, amei expor ferida.
Também eu sou: só quem ficou mais forte.
Olhei pra trás, achei fugaz a vida:
Viver assim, morrer enfim, é morte.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/02/2019)
238 - TEU CAMINHO BOM
Ó Deus, de sol a sol de longe vim
Descalço pelo teu caminho bom.
Cheguei sem companhia e sempre com
A sombra do passado sobre mim.
Que a caminhada nunca tenha fim,
No solo caminhar me seja o dom.
Ali calejo cada pé marrom
Coberto pelo pó que o suja assim.
A vida vai à vala tão comum
Das terras que me tragam amanhã
Pois já me desejavam em jejum.
Depois da chuva e vento achei no afã
Destinação, porém, em chão nenhum
Jamais deixei qualquer pegada vã.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 03/02/2019)
237 - FELIZ
Feliz serei enfim, refém plebeu?
Expus amor leal até aqui?
Desfiz prazer fatal? Por que vivi?
Paixão achou pudor? Suor correu?
Reluz manhã, produz azul, ardeu?
Razão virá melhor? Alguém sorri?
Eu sou fiel? Mulher, cheguei aí?
Aí cheguei: Mulher fiel, sou eu!
Sorri. Alguém melhor virá. Razão
Ardeu. Azul produz manhã, reluz.
Correu suor: pudor achou paixão.
Vivi porque fatal prazer desfiz.
Aqui, até leal amor expus.
Plebeu refém, enfim serei feliz!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Soneto e palíndromo escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 01/02/2019)