EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

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309 - OMELETE

Qui tá fazenaí? Vem já pra cá!
Num seio mais vivê sem tu, muié!
Nóis véve junto e véve bem até. 
Cum menas dô e menas dó nóis tá! 

Qui tô fazenaqui? Nóis tem que amá.
Pra mó de sê filiz nóis inda qué
O amô mais grande da cabeça aos pé,
Ingual vovô e ingual vovó gagá. 

E vô te amá té cê ficá bem véia:
Bunita cê num sai mais das idéia
E cum meus zóio vô te vê de novo. 

É crara as coisa, num tem probrêma:
Mêmo que nóis trupique, chore e gema
Cum meus zuvido só é tu queu ovo. 

(Autor: EDEN OLIVEIRA. Escrito para a minha 
esposa Ingrid da Rosa Oliveira em 14/11/2021)
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308 - HÁ COISAS EM MIM

Há coisas em mim que a vida aprovou:
Pavor do revés que não diminui, 
Os calos nos pés, a roupa que pui,
O chão de que vim e a vala a que vou.  

Há coisas em mim que o tempo mostrou
Dizendo: "Quem és?" àquele que fui:
Seis rugas ou dez no rosto que rui
E os restos enfim naquele que sou. 

Há coisas em mim que, vindas de lá,
Parecem após a noite tão má
E o dia ruim que nunca se vão. 

Tais coisas em mim meu Deus Jeová, 
De modo veloz, não mais deixará
Que subam assim ao meu coração! 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito
em 13/11/2021, inspirado em Isaías 65:17)
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OS OPRESSORES

É como se não fôsseis meros fósseis 
E ainda sois ferozes animais.
E, embora sempre pareceis tão dóceis,
Nos pensamentos já nos devorais. 

Os outros vão aonde quer que vades:
Jamais duvidarão do que dizeis,
Farão pra sempre vossas vãs vontades,
Porque vos comportastes como reis. 

Ó, retirai as máscaras e exponde
As vossas faces quando vos sentis
Mais nobres que qualquer marquês e conde.
Não escondeis sorrisos vãos e vis! 

Por fim, fazei-vos cócegas e ride
Do mísero que como vós não é!
Pois um de vós ainda nos agride
Enquanto apenas o aplaudis de pé.  

Dai-nos ouvidos! Por favor, dizei-nos
Quais são os tronos em que vos sentais,
Onde estabelecestes vossos reinos, 
Quem são os vossos súditos leais. 

Enquanto não sabíamos quem éreis,
Sem dúvida, gostávamos de vós.
Nas vossas línguas, terras tão estéreis,
Por nós plantastes um desprezo atroz. 

Sim, se possível, evitamos ver-vos
Porque também com um decreto só 
Podeis esmigalhar-nos mais os nervos
E transformar espíritos em pó! 

Não tendes mais de parecer afáveis 
Porque nós já sabemos bem quem sois.
E como gente nunca nos tratáveis
Enquanto nos sentimos como bois. 

Porém, se apenas uma vez vos vísseis
Como o Juiz supremo já vos vê,
Culpa atingir-vos-ia como mísseis 
E entenderíeis muito bem porque! 

Arrependei-vos, opressores! Vede
Que o mal que nos fizestes vos reduz
A cada grossa e sólida parede
Que impede cada som, perfume e luz! 

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 09/08/2021. Inspirado em Salmo 119:121)
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