EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

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MUITO DE NÓS

Em tudo ao redor,
A coisa qualquer,
Pequena e menor,
Que for, que vier,
No sal do suor,
Qual homem, mulher,
Há muito de nós.

Talvez eu ouvi
No não e no sim,
No verso e na voz,
Um pouco de ti,
Um pouco de mim,
E muito de nós.

De gosto fugaz
O afeto não é.
Nos peitos há paz:
Bem firmes na fé
Que fortes nos faz
E expomos de pé
Em muito de nós.

Não vou por ali.
De lá eu já vim
Às cegas, a sós,
Com pouco de ti,
Com pouco de mim,
Mas muito de nós.

Enquanto não cai
O resto que rui,
Luz pode ser pai
E filho lhe fui.
Ao sol que já sai
O céu nos possui
Sem muito de nós.

Às vezes eu vi
No início, no fim,
Bem antes, após,
Um pouco de ti,
Um pouco de mim,
No muito de nós.

Saudade com dó
Na areia, porém,
Punhados de pó
Aos ventos que vem.
Nas cinzas e só
Os levam além
Do muito de nós.

O bem percebi
No rastro ruim,
Na vida veloz,
Do pouco de ti,
Do pouco de mim,
Com muito de nós.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 28/02/2020 para a minha esposa Ingrid Oliveira)









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246 - AMOR NO SERTÃO

Fazemos jus à gente deste chão:
Labutas más abatem homem bom.
O pó produz depois o duro pão,
Dos rostos faz mais um torrão marrom.

E os peitos nus espinhos exporão:
Na dor voraz perdão é nosso dom.
De couros crus os nossos corpos são:
Suor que traz do sangue o triste som.

Dos carcarás queremos ar, porém,
Mandacarus seremos no verão
Em toda a paz que a terra seca tem.

Eu só me expus ao sol do teu sertão.
E nós, lilás, nas noites vãs que vem,
Contemos luz das tardes que se vão.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 17/02/2020, para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
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