EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

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242 - MEU ALBERGUE

Que o teu encanto enfim me seja albergue
Quando o projetas num espelho e juro
Que, se o meu olho está vermelho e duro
Por não piscar é para que te enxergue:

Se a pálpebra de novo se reergue,
Quando no mar de trevas te procuro
E, então, te encontro, amor, atrás do muro,
É para que a saudade não me envergue.

Pra ler o teu sorriso que não finda
E ter do paraíso um antegosto
Eu dou-te tudo o que tiver ainda,

Exceto os meros olhos neste rosto
Porque sem eles não te vejo linda
Quando à tua figura eu for exposto.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 22/03/2019)
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APENAS PEDRA

Apenas pedra sou: pesado e duro
E para mim não para o tempo cedo:
Pequena parte dum espesso muro.

Esponho sombra para quem aturo
Pois passo a paz de impávido penedo.
Apenas pedra sou: pesado e duro.
 
Pensava ser o apoio mais seguro
Aos que por perto penam desse medo.
Pequena parte dum espesso muro.
 
Porém, jamais me vão fazer um furo
Depois de me apontarem todo o dedo.
Apenas pedra sou: pesado e duro.
 
Apegam-se ao meu peso quando as curo
As trepadeiras de sabor azedo:
Pequena parte dum espesso muro.
 
Serei punhado deste pó impuro
Pela parede a lhes guardar segredo.
Apenas pedra sou: pesado e duro.
Pequena parte dum espesso muro.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Vilanela escrita em 13/03/2019)
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241 - OS QUE SÃO COLUNAS

Ei tu aí de pé, que já te enfunas,
Estufas sempre o peito e falas grosso,
Vê: tu és sim também só carne e osso
Como os demais aí que são colunas!

Ei tu aí! Até que tu me punas
Com teus olhares por eu ser um poço
De todo o sentimento mais insosso,
Terei sim emoções "inoportunas"!

Ei tu aí com dores mais extremas:
Não tens gemidos, não derramas pranto
Para que não pareças fraco e tremas.

Mas eu aqui somente me levanto
Depois de ter escrito os meus poemas,
Enquanto sofro, gemo e choro tanto!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito: 10/03/2019)
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