259 - AS ÁRVORES E NÓS
As árvores farfalham e tu dizes:
“Ao vento cantam!” – tu comigo danças
Enquanto com as muitas folhas mansas
Nos falam que se foram velhas crises.
Se nos equilibrarmos nas raízes
Já nos transformaremos em crianças.
Depois, nos braços meus enfim descansas
Pois nunca nos sentimos tão felizes!
Felicidade com maior sorriso
É tanta aqui que às vezes eu te aviso
Que tu não és quem sonha nem quem dorme.
Ingrid, vida eterna e paraíso
Não são um sonho simples, impreciso,
Pois Jeová nos mostra amor enorme!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 28/05/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
ROMANCE QUE NÃO DEVE SER LIDO POR VOCÊ
CAPÍTULO 1
O que você está fazendo? Pare de ler, por favor! Sim, estou falando com você. Sim, você mesmo que está começando a ler agora. Pare já de ler, por favor. Eu lhe estou pedindo educadamente, não estou? Então, atenda o meu pedido de uma vez por todas! Agora. Agora mesmo! É só fechar este livro que tem nas suas mãos ou deletar a versão eletrônica dele.
Não acredito, leitor! Você continua aí! Com que direito você insiste na sua teimosia? O que deu em você? Se você pensa que tem o direito de ler o que escrevi porque comprou este livro, saiba que você desperdiçou seu precioso dinheiro. A prerrogativa de conhecer meus mais profundos pensamentos não resulta do seu poder de compra. Ninguém compra a minha confiança. Ninguém... Ah! Não é isso? É o que, então? Você persiste em fazer esta leitura porque é um leitor inveterado? Tem o bom hábito da leitura? Parabéns! Continue assim. Bom proveito. Mas não com o meu livro! Volte à livraria, procure lá um outro bestseller qualquer e devore-o, como gosta de fazer. Se desejar, devolva este livro e peça o seu dinheiro de volta. Você ainda tem o recibo? Muito bem, então. Se não, só lamento. Eu não lhe posso ajudar nisso. Com todo respeito, isso é problema seu. Cada um com seus problemas. Eu lhe vou ser sincero: O seu prejuízo com este livro que você não pode ler não é nada em comparação com os meus prejuízos. Enquanto você está aí aconchegado em sua poltrona confortável, faz ideia de onde estou? Curioso? Não lhe vou contar. Já lhe disse que não confio em você... Não! Não insista! Pare de ler! PARE DE LER! AGORA!!! JÁ!!!
O QUE!!! Você ainda está aí, olhando para mim? Sim, para mim. Exponho-me sim nestas páginas... Porque você não desiste? Que tipo de pervertido é você, leitor impertinente? Está bem, está bem. Eu sei o que acontece com você... Algum leitor de confiança recomendou-lhe este livro e elogiou o autor... Tudo bem... Obrigado. Sou grato tanto a você quanto a ele por apreciarem o que escrevi. Obrigado. Mesmo assim, porém, não estou disposto a permitir que você me acompanhe nesta minha narração. Este não é um romance qualquer. Nem sei se este meu relato pode corretamente chamar-se de romance. Não o compus pela fama, por reconhecimento ou enriquecimento. Você não faz ideia do que tenho passado desde que comecei a assentar estas experiências por escrito... Oh, não! Aqui estou eu de novo começando sutilmente a desabafar! Eu não tenho jeito mesmo. Não posso. Não devo...
Infelizmente, neste momento em que eu me sinto triste e sozinho, não há nenhum leitor aprovado por mim com este livro nas mãos... Só você! Que lástima. E agora fazer o que? Eu poderia confiar em você? E se eu lhe permitisse prosseguir, você não perderia o interesse algumas páginas lá na frente? Se você quer continuar, terá de ir até o fim. Está disposto? Percebo que você se remexe aí em seu assento de tanta curiosidade. Não me responsabilizo pelas conseqüências que acarreta esta leitura...
Bem, se você já vem lendo até este parágrafo, presumo que continuará correndo seus olhos por cada frase até o final ou até pegar no sono. Já que é assim, vou-lhe confessar uma coisa: até agora, só estava recorrendo ao artifício barato de prender a sua atenção por tentar persuadi-lo a crer que estamos literalmente entabulando uma conversa. Ah, não me diga que você acreditou mesmo em toda essa baboseira pseudopsicológica que eu escrevi acima?! Ora, você está segurando o que em suas mãos? Não é o livro impresso? Ou é a versão digital dele? Pouco importa. Tanto uma coisa quanto a outra é apenas um objeto. Eu lhe garanto que não há nenhum fenômeno sobrenatural na leitura que está fazendo. Como você pode ser tão impressionável? Eu lhe asseguro tudo isso é só papel e tinta ou bits e bites convertidos em palavras em seu tablet ou celular.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito há anos atrás)
258 - DO CALABOUÇO
Sim, houve dias em que o dia meu
Não tinha cor solar; calor não tinha.
Sim, houve noites em que a noite minha
Não vinha expor luar se fosse um breu!
Houve manhãs em que o amanhã me deu
Mais medo do que a multidão mesquinha
Houve vãs tardes em que a tarde vinha
Mais cedo do que escuridão ou eu.
Se, amor, te ouvi daqui do calabouço,
Bem onde houver a morte, a vida eu ouço!
Porque não ouve quem ouvir não quer.
Se a morte ouvida que me cala a prece
Vem onde ouvir amor, há vida e cresce.
Porque não houve, quem te diz, mulher?
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/05/2020 para a minha esposa INGRID DA ROSA RODRIGUES OLIVEIRA)
257 - SÃO SETE ANOS
São sete longos anos: eu contigo
Por meses sem verão e primavera,
Semanas quando a luz aqui não era
E dias tão nublados, sem abrigo.
São sete curtos anos: tu comigo
Por horas de conversa tão sincera,
Minutos de afeição que não se altera,
Segundos dum olhar leal, antigo.
São sete velhos anos: nós com tudo
Que já vivemos juntos e não mudo
Antes da perfeição e eternidade.
São sete novos anos: Deus conosco
Traz brilho ao breu do nosso mundo fosco
Depois que amor de fogo nos invade.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 09/05/2020, em recordação dos sete anos de casamento com Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira, que se completam no dia 17/05/2020)