Na tarde nublada, a canção preferida, Está no silêncio que embala meu ser, Na brisa que corre e na vã despedida, Dos raios de sol sobre o anoitecer.
No sidéreo espaço a magia contida, Se espraia no céu até se esmorecer Eu fico a pensar nesse ciclo da vida Nascer e crescer, reproduzir e morrer, Na tarde nublada...
Assim me desato de apegos, ferida, E se sinto a alma tombar, exaurida, Modero meu passo para não perecer. Verdade que sinto a falta de alguém, Que sinta comigo o mesmo prazer De ouvi o silêncio que vai e, sempre, vem, Na tarde nublada...
Na tarde nublada, a canção preferida, Está no silêncio que embala meu ser, Na brisa que corre e na vã despedida, Dos raios de sol sobre o anoitecer.
No sidéreo espaço a magia contida, Se espraia no céu até se esmorecer Eu fico a pensar nesse ciclo da vida Nascer e crescer, reproduzir e morrer, Na tarde nublada...
Assim me desato de apegos, ferida, E se sinto a alma tombar, exaurida, Modero meu passo para não perecer. Verdade que sinto a falta de alguém, Que sinta comigo o mesmo prazer De ouvi o silêncio que vai e, sempre, vem, Na tarde nublada...
330
Eviterno amor
Quando o outono chegar, novamente, Sobre os campos da vida onde andei; Ah, eu lamento informar, tristemente; Lembrança, lembrança eu já me tornei.
Parti na distância dos olhos que amei, E embora lamente esta sorte amarga, No peito este amor, comigo levei; Quando a morte pousou sobre mim sua adaga.
Sobre teu leito e teu eterno sono; Estarei contigo na macies das flores, Feito corpos amantes em abandono, Em dia de inverno em laços de amores.
E na, dulcíssima, luz deste amor eviterno, Grafei estes últimos versos de amor, Banhados de lágrimas do último inverno. Para quem tanto amei e amei com ardor.
355
Partida
Amigos vou parti, pois o meu mundo, tornou-se tão vazio e de repente, aquele antigo amor, o mais profundo, já não me manda flores de presente.
Não posso mais ficar nenhum segundo, minh'alma enfraquecida está doente, o coração tornou-se um vagabundo, enxangue de tristeza e tão carente.
Minha alma está repleta de lembranças, da festa em seu olhar quando mirava meus lábios semi-abertos, tentação.
Não dar para impedir as relembraças, do amor que as minhas dores abrandava, porque não se domina o coração.
340
A lágrima
Por tantas vezes eu chorei na vida, e foram prantos cheios de amargura, chorei as perdas de gente querida, e pranteei, também, as desventuras.
Chorei a dor de se perder um filho, e está lágrima é demais salgada, porque nos rouba do olhar o brilho, e nos transforma eterna madrugada.
Mas já chorei também de alegria, a feliz lágrima de amor superno, quando de noite em sono dece via, os meus dois filhos no meu céu materno.
Chorei feliz a lágrima feliz em glória, molhando o rosto irradiando a alma. quando sentia o gosto da vitória, com humildade, paciencia e calma.
513
Passarinho encantado
Se chora enquanto canta, o passarinho encantado, toda a natureza encanta, esse seu cantar chorado.
Quando o homem lhe escuta, pasma e fica admirado, o seu ser em graça exulta, também chora emocinado.
E o canto do passarinho, corre o céu cortando os ares, chora a fome e o descaminho, e o amor em muitos lares.
Chora a seca do sertão, e o boi que já morreu. O berrante que o peão, sem ter força, emudeceu.
Chora a terra esturricada, e a tristeza da criança; faz da fé sua brigada, canta e sonha a esperança
Chora a Pátria governada, por quem rouba em nossa cara, jogo de carta marcada, sobre a fé que a gente embala.
462
Sereia
Na fonte encantada banhei-me ao luar, do jeito que um dia nasci para o mundo. Ali flutuei feito pluma a bailar, repleta de sonhos igual vagabundo.
O tempo parou para ver o nadar, da água em meu corpo em silêncio fecundo. A espuma tão branca e tão cheia de ar, morria e nascia em suspiro profundo.
De olhos fechados, em paz, sem escolta, o tempo passando por sobre o farol, trazendo no bolso as luzes do dia.
O vento soprou me trazendo de volta, no instante certeiro em que um raio de sol, na pele morena escreveu poesia.
458
Amor
Amado amor, Abraça-me, Aqui, agora. Amorosamente, Afetuosamente, Ardentemente, Ama-me, Absorve-me, Apaixonadamente Até amolecer a alma, Aqui, agora. Anjo amado, Amo-te!
475
Marcas
Sobre o amassado papel, letra por letra disponho, com tinta azul de um pincel, marcas de um tempo, medonho. Algumas lágrimas postas, cristalizadas de fel, salgadas e decompostas, sem a doçura do mel; Vão se mesclando sem rumo nas cordas do coração, tirando a vida do prumo, mexendo com a emoção; Porém, se existe esperança, a desenhar o povir, o alimentar da criança faz esta vida florir.