Eduardo Becher_2

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Soneto em brasa

Se for apenas seus dedos sinceros
tamborilando na mesa e em minha alma,
assino o armistício, advogo pela calma.
Acontece é que os olhos são severos.

Para mim, sua boca guarda esmeros
que só o desejo irrestrito espalma,
capaz de fazer-me suar a palma
e sussurrar-te o nome em exageros.

E ao olhar-me, busca flechas na algibeira,
varando-me com tua face doce,
ainda que Ártemis, forte e estonteante.

Assim, fazes meu peito de fogueira
e não há, em mim, fumaça que não esboce
a vontade de possuir-te a todo instante.
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Poemas

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Antonio

Vento que outrora semeou a vida.
Outro vento, sopro do morro santo.
Brecha que antecipou sua partida
Antes do ano entoar o último canto.
Imagens batidas de uma criança:
Xícaras, gaita, resmungo e cuidado.
Imagens de um homem e sua herança:
Nostalgia, afeto e amor imaculado.
Honestamente, vejo-te no vento
Olhando seu neto, um pouco enfadado.
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