Lista de Poemas
Deus e as muriçocas

Porque cada vez que eu tento
Algo dá errado
Destrambelha tudo
A vida perde o reio
O cabresto envieza
O cavalo perde o rumo
Sente o arreio frouxo
Me derruba da sela sem ferrolho
E trota livre sem direção
Rumo ao desconhecido
Me deixando assim, no chão...
E vejo sonhos desfeitos
Objetivos perdidos
Lutas vencidas
Lágrimas derramadas
Luzes apagadas
Músicas emudecidas
Poesias sem rimas
Telas borradas
Desejos contidos
Gritos calados
Viagens interrompidas...
E me pergunto a todo instante
O que é certo e o que é errado
Se persisto ou se paro
Se acredito ou duvido
Das promessas de um cara
Barbudo e onipotente
Que se diz protetor da gente
E me testa o tempo inteiro...
Ou sou o seu inferno
Ou estou no meu inferno
Um dia, por mais distante
Eu vou te encontrar
E aí...vou te perguntar
Olhando na sua cara
Para-quê servem as muriçocas ?
(Elian-26/03/2012)
398
Espelhos de mim

Não sei se os escrevos ou se me descrevem
A folha ainda em branco, vazia
Faz de mim mera expectativa
De um poema inesquecível
Nascendo em palavras soltas ao vento
Que na folha vão preenchendo
E na vida...dando sentido...
Me faço rabisco de amor
Me sinto menina em flor
Me vejo em folhas rebuscadas
De flores, mares, perfumes e magias
Faço de mim poesia
E decido então nas entrelinhas
Se serei ou não um poema de alegria...
No soluçar de meus anseios
Descrevo a dor e a saudade
Ponho nas palavras minhas verdades
E deixo espelhar minhas vontades
Em versos simples e sem maldades
Em desejos quase sempre irrealizáveis
Mas que me permito imaginar
E de ilusões, em meus poemas viver...
(Elian-08/02/2012)
382
Câncer da alma

O câncer da alma se prolifera
Em metástases que contamina
Multiplicam-se as células
A alma cresce além do corpo
Ultrapaça os espaços contidos
Se aperta...faz doer...quer se libertar
Corpo inócuo e impávido
Não percebe o perigo
Da alma que se rebela
E tenta fugir...liberta
Na metástase que cresce
E faz romper os músculos
Já sem muita resistência
Sem elasticidade...
É alma rebelde em corpo insano
Querendo fugir sem saber pra onde ir
Mas não querendo ficar
No corpo que a abriga sem nenhuma briga...
A metastase se prolifera
E devasta como fera
Tentando de todas as formas
Romper o elo que prende
A alma aflita no corpo
De quem não mais almeja
Nada que seja de corpo
Nada...que seja daqui...
(Elian-19/03/2012)
577
De volta ao passado (Reedição)

O olhar de minha mãe
Antes brilhantes
E por vezes fulminantes
Mas sempre ternos
Acompanhando estrepolias
da sua filharada...
Agora ela apenas olha
Um programa na tv
Seu olhar parece cansado
Seu brilho de outrora
Transformou-se em cataratas
Ela já não enxerga quase nada
Apenas olha...e nem sempre vê
Em seus olhos anuviados
Uma história de bravura
Se esconde e adormece
Ela viaja em seu passado
E o olhar perdido
por instantes,
Reluz no seu verde esfuziante
Uma lágrima teimosa aparece
Ela a seca com seu lenço
Volta a olhar a tv ligada
Volta a olhar e a não ver...
Nane
(06/02/2010)
369
E agora

E agora...
O que faço com o que restou
Os suspiros que me assaltam sem querer
As lágrimas que rolam pela face sem avisar
O pensamento que foge até te encontrar
A saudade que queima e teima em não passar
E agora...o que faço com isso....
Só o tempo vai me curar, eu sei
Mas e enquanto ele não passa
O que faço com tudo isso
Que parece querer me dizimar...
Se até meu coração parece suspirar
Descompassado em arritmias
Parece querer falhar...parar...
Mas ninguém morre de amor
Foi o que eu sempre ouvi dizer
Mas e de tristeza....será que se pode morrer...
E agora...
O que faço com a falta que sinto de você
(Nane - 08/01/2012)
450
Semente

Morrer jamais...
Somos um eterno ir e vir
Renascemos da própria morte
Ou morremos da própria vida
Somos amálgama de nós mesmos
Em constante mutação
Fazemos da semente
A árvore da nossa sustentação
A semeadura é livre
Mas a colheita...obrigatória
Cabe à nós plantar bom fruto
Ou colher veneno puro
A seara se prepara
E somos nós os responsáveis
Pela plantação à germinar
A semente nunca mente
É só o resultado de quem plantou
Quem planta nuvem
Colhe tempestade
Mas na escolha da semente
O agricultor fica à vontade
Não morreremos jamais
Iremos e voltaremos eternamente
A semente vai sempre germinar
E é você quem irá plantar
O que fatalmente irá colher...
(Elian-05/02/2012)
427
Turbilhão de sentimentos

Amor e ódio se misturam
Andam juntos e se confundem
São irmãos de primeiro grau
Bons por ora, por ora maus
Caminham lado a lado na eternidade
Trocam de vestimenta quando querem
Reviram de ponta à cabeça a realidade
Não pensam no que fazem
Amor e ódio se encontram
Na tênue linha do destino
Se completam em paralelas
Ao longo do caminho
Tão pertos e tão distantes
São ímpares e profundos
Quem é quem nesse instante
Cabe à nós decifrar
Amor que faz doer
Ódio que faz fortalecer
Sentimentos que se embaralham
Quem é que vai saber
Se te amo ou se te odeio
O que explode no meu seio
Turbilhão sem nenhum nexo
De um sentimento tão complexo
Te amo e te odeio
Em momentos diversos
Te amo quando te odeio
E te odeio por te amar
(Elian-06/02/2012)
318
SENTIDOS

Faço e desfaço
Caio e levanto
Num mesmo instante
Sem muito refletir
Procuro em vão
Um porto seguro
Perdido nas sombras
Da névoa espessa
Vago na noite escura
Sem referência
De direção
Por opção
É tanta vida
Em cada sentido
Que duvido
Se vou morrer
A dor me consome
Mas é sentido
É vida também
Me faz reagir
A lua brilha
E eu vejo
Também é sentido
Me dizendo que é vida
A morte chega
Sem mais aviso
Trazendo a tristeza
Da vida que continua
São tantas perguntas
Tão poucas respostas
A vida é morte
E a morte é vida
Se o preto é branco
O certo é errado
Eu acordo e vivo
E se durmo...eu morro
Já não tenho pressa
Cansei de correr
Caminho sem me preocupar
Onde vou chegar
Lá fora venta frio
Aqui dentro faz calor
Sou eu e meu interior
Refazendo ( a todo instante ) meus sentidos
(Nane-24/12/2014)
400
Fatos&fotos

As vezes as fotos são fatos de fato
As vezes os fatos são fotos sem fato
E nesse vai e vem se misturam coisas
Numa efemeridade de fatos
Que fotos não provam os fatos
Nem fatos posam para as fotos
A subjetividade dos fatos
Também faz as fotos efêmeras
Já que a verdade de hoje
Se torna fugaz amanhã
E deixa de ser verdade
Sem nunca ter sido mentira
Apenas fotos efêmeras
De fatos que nunca foram de fato
Montagens que a vida se encarrega
De fazer e desfazer, de unir e separar
Na subjetividade efêmera
De fatos e de fotos
De fotos e de fatos
Sem fatos de fato
Montagens grosseiras
Que a vida interliga
E rasga a foto no meio
Colocando de fato
Cada um no seu lugar
São fotos sem fato
Verdades sem mentiras
Fotos sem fato...
(Elian-31/03/2012)
357
É só poesia

De que poesia falo eu
Quando escrevo meu silêncio
Escoado em palavras
Não ditas...
Talvez dos céleres poemas
Fugazes e indecentes
Que vagueiam pela mente
E morrem ao despertar
De que poesia falo eu
Quando espero na madrugada
O encontro com ela (a inspiração)
E a vejo num limiar
Entre a vida e a morte
Entre o céu e o inferno
Entre o lúdico e o nefasto
E me perco nas palavras
Tentando decifrar
De que poesia falo eu
Que me cobra e me obriga
Sem nunca me oprimir
Sem ditar regras ou me policiar
Quando sopra seus espectros
E eu transformo em emoção
Gerando lágrimas ou suspiros
Dos mais loucos do que eu
Que perdem seu tempo ao (me) lerem
De que poesia falo eu...
(Nane-15/12/2012)
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