Lista de Poemas
A roteirista

Hoje, sou roteirista da minha própria história
Nas teclas do computador, vou escrever
A vida que quero para mim...será assim
No meu roteiro vou em busca de novos sonhos
Com lugares e gente diferentes
Mergulhar em aventuras imaginadas
E viver novas experiências
Me embrenhar em conquistas e paixões
Sem me preocupar com o que vai acontecer
Quero ser a protagonista da minha vida
E viver intensas emoções
Quero sentir o toque das mãos
O cheiro e o gosto de um beijo
De alguém que há de chegar
E que eu, no meu roteiro, vou buscar
Quero lutar para conquistar
O espaço onde vou me encontrar
E profissionalmente me realizar
Hoje, sou roteirista da minha própria hstória
E desde já vou escrevê-la com garra
Sem poupar nenhuma das minhas vontades
Vou à luta por cada sonho que tiver
Hoje, sou roteirista de mim mesma
E as lágrimas deixei no passado
Vou conquistar com a força dos meus braços
O meu merecido e certo...espaço
Hoje, sou eu quem escrevo a minha história
E vou de qualquer jeito buscar minha vitória...
(Nane-01/01/2012)
Eterno amor

Amor, estranho amor
Que me faz sentir o seu olhar
Nos olhos de outro alguém
A me observar
Amor que não se manifesta
Finge me ignorar
E eu finjo não perceber
Que também estás a sofrer
Amor que não é pra mim
Mas que me ama mesmo assim
E mesmo sabendo que no fim
Só nos restará os acordes de um bandolim
Amor que eu vou pra sempre amar
Ainda que não possa nunca te tocar
Por outros braços me deixarei abraçar
Mas é contigo que eu sempre vou estar
Amor, eterno amor
Chama, vontade e dor
Viverei sonhando com o seu sabor
Aguardando eternamente sentir o seu calor
Amor...eterno amor...
(Elian-26/01/2012)
Te falo de mim

Do belo que apenas os belos veem
Da beleza de ser despertada pelo canto
dos pássaros (ainda que pardais)
E de ver desabrochar no jardim a flor
manhosa
Sou quem gosta dos pingos da chuva que
cai mansamente ao entardecer
Como gotas de ouro que brilham no contraste
do sol poente
Da serenidade do orvalho que cobre
ousadamente a grama macia
De sentir os primeiros raios do sol que
desponta a cada novo dia
Sou quem 'perde' o tempo observando
o vai e vem das ondas
E gestando em cada uma, uma nova canção
ou poesia
Sou quem busca enternecer com carinhos
meus amigos
Levando sempre que possível
(e ainda que virtual) a eles uma flor
Sou também o ombro que se precisares,
te ofereço
Mas que prefere te ver sorrir
Sou apenas alguém que te admira
Por ter enxergado em ti a beleza interior
Sou apenas alguém que gosta do que é belo
E por isso eu gosto de você...
(Nane - 24/02/2010)
O 5º ato

Nuvens que passam
Formas que formam
Imagens que veem
Olhos que olham
O que não existe
E no vento se desfaz
Danço na chuva
Lavo a alma
Encharco o corpo
Rodopio na rua
Me sinto nua
Sorrio de mim mesma
E ouço a música
Ergo um castelo
Na beira do mar
Sabendo que a onda
O irá levar
Mas é tão lindo
Que me deixo enfeitiçar
E dentro dele sonhar
Sou o resumo da ópera
Que aplaudem sem entender
E que até dormem
No ato final
No acorde mais alto
Do barítono que canta
Mas nem a todos encanta
O vento espalha
A nuvem se desmancha
A areia vira um monte
A cortina se fecha
E eu...adormeço...
(Elian-05/03/2012)
POETA EM CHAMAS

Pouco me importa a exposição
Mostro sem reservas minhas vísceras
Sangrentas, apodrecidas ou à mostras
Prontas para fotografarem minhas feições
Ao inferno os pudores
Dos que passam maquiagem
São meras imagens bonitas
Nas fotos para a posteridade
Meus fantasmas e minhas rugas
Caminham em minha face
Fazendo dela, morada
Esculpida e escarrada
Sou branda, e sem espartilho
Respiro sem pressão
Mas se me tiram o ar
Explodem todas as minhas vísceras
Quanto mais eu 'causo'
Melhor me sinto
Quanto mais entendem
Mais vomito
Tenho as unhas dos pés encravadas
E quando pisam nelas...esparramo
Doem dentro dos sapatos
Resta-me rugir...feito fera (ferida)
(Nane-23/12/2014)
*Imagem e título gentilmente cedido(?) pelo
meu amigo querido Antenor Emerich.
Onde está você?
Onde está a sua mão
Que me acostumei a segurar
Nas horas de aflição
Onde está seu ombro
Que me servia de conforto
Quando eu me apavorava
Não sinto mais o calor do seu abraço
Nem vejo a luz do seu olhar
Por onde você está
Onde está você
Que esteve ao meu lado
Por todo esse tempo
Quando mais precisei da sua mão
Quando mais precisei do seu ombro
Quando mais precisei do seu abraço
Quando mais precisei da sua luz
Quando mais precisei de você
Me sinto só...
(Nane-05/11/2014)
Avesso

Sou o extremo
Me mostro e me rasgo
Vivo em erupção
Tal qual lava do vulcão
Sou criticada
Por me por tão a mostra
Mas não sei ser diferente
Não gosto de lastimar coisas ausentes
Me dispo inteira nos versos
Me ponho nua nas palavras que rabisco
Sou inteira sem metades
Sou meu avesso posto a mostra
Meus limites são meus horizontes
Caminho sempre para buscá-los
Ainda não os encontrei
Talvez por isso ainda não parei
Se choro e sofro por uma dor
Derramo todas as lágrimas que tenho
Mas a mágoa que faz corroer o coração
Essa eu mando embora na torrente de minhas lágimas
Sou assim...
Impulsiva e direta
Me jogo, rasgo e falo
Me acalmo, me entrego
Me olho e me vejo num rabisco...
(Nane-30/06/2010)
Uma cena do passado

A cena na infância longínqua está gravada na memória...minha mãe cuidando de seu jardim, entre rosas e margaridas, palmas e hortências...eu sentada no alpendre da varanda, entre bonecas e livros, que ela mesma me ensinou à lê-los. A conversa girando sobre o futuro que viria...o que seria de mim...o que seria eu...Por ela, como quase todas as mães, médica de branco, doutora Elian! Mas eu, já de pequena, sonhava escrever e contar histórias...dizia pelos quatro ventos que seria escritora. Como as mulheres que escreviam os livros que eu lia. Lia os homens também, mas naqueles tempos de tantas desigualdades, eu já admirava as mulheres escritoras, embora tenha sido um escritor quem marcou a minha iniciação nas leituras. O primeiro livro que li foi 'O meu pé de laranja lima' de José Mauro de Vasconcelos. E foi aí que me encantei com a literatura. Minha mãe contava as histórias de Monteiro Lobato para nós (a sua filharada), mas na época não tínhamos livros disponíveis, e ouvíamos a sua narrativa imaginando as cenas.
Naquele dia, em que ela cuidava do seu jardim, tão admirado pela vizinhança, minha mãe me dizia que quando ela envelhecesse, seria colocada num asilo. Ela dizia que esse era o destino dos pais. Que era comum isso, já que os filhos certamente teriam seus compromissos profissionais e familiares, e ela estava preparada para isso. Eu a olhava admirada e retrucava: ...Jamais mãe! Eu nunca vou deixar que você vá para um asilo. Vou cuidar da senhora enquanto a senhora viver mãe. Ela apenas sorria um sorriso de quem não acreditava...e continuava plantando suas flores.
Hoje é o futuro...minha mãe está aqui, comigo...envelhecida, frágil, deficiente...estou cumprindo minha promessa daquele dia...tão distante. Eu não virei uma médica, mas vesti o branco da enfermagem. Também não me transformei numa escritora, mas virei rabiscadora...e o futuro daquele tempo... é o meu presente de hoje.
(Elian-17/03/20112)
Tela de poesia

Seriam minhas poesias telas
E quantos quadros teria para pintar
Quantas cores para misturar
Com certeza não teria um só estilo
Pintaria o surrealismo colorido
Quando meus rabiscos sem rimas e sem métricas
Fluíssem do fundo de minha alma
Retrataria o bucólico na tela
Quando minhas mãos escrevessem
Sobre estar apaixonada
Em poesia dedicada a pessoa amada
E faria exposição do gótico
Quando a ira me invadisse
Num rabisco sem lirismo
Na loucura mergulhada
Exporia minhas telas num museu
Como um livro fechado na estante
Onde só quem poderia ver
Seria quem 'soubesse' ler
Se eu fosse um pintor
Jamais pintaria o rosto seu
Pois foi tanto que te rabisquei
Que as cores, com as dores... misturei
Hoje a tela está vazia
E não vejo mais a poesia
O pintor perdeu a mão
E o poeta...o coração
(Nane-30/12/2011)
VIDA POST MORTEM

Terá valido a vida
Se depois de mim
Alguém (quem quer que seja) recitar
Uma escrita minha
É sim, pura vaidade
E mais forte ainda, vontade
De ficar aqui
Depois da morte
Não preciso de um livro capa dura
Nem fazer parte de alguma academia
Só quero minha palavra ao vento
Sem repousar na sepultura
Não morrerei por um bom tempo
Enquanto um só leitor
Despejar na memória as palavras
Que um dia ousei rabiscar
(Nane-30/12/2014)
Comentários (1)
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