Lista de Poemas
Papel em branco
Se tu não vens
Por que insistir
E persistir
Choram meus versos
Por não poderem
Rimar o amor
Poeta sem inspiração
É feito sangue sem coração
Estático à podridão
Deixar de escrever
Não consigo
Escrevo saudades
Triste a sina
De poeta ferido
Na alma
Se tu não vens
Escrevo o vazio
Do papel em branco
(Nane - 02/02/2014)
Três em uma

Dispa-se das suas vergonhas
Se olhe no espelho
Se ame...se goste
Deixe que o mundo se dane
Viva e faça a sua vida
Dispa-se dos seus medos
Sem medo de ser feliz
Escancara a sua diversidade
De santa, de puta, mulher...
Deite na sua cama
Com o desejo que tiver
Com quem você quiser
Se entregue e se ame
E resplandeça em sua face
O prazer de fêmea em gozo...
Vem, mulher nua
Dispa-se de seus bloqueios
Avance todos os sinais
Aflore seus anseios
Jogue fora seus receios
Ame e se deixe amar
Sem nenhum pudor
Sem muito pensar
Com muito amor
A santa está em ti
A puta mora aí
E podem sim, bem conviver
Posto que és...mulher
(Elian-16/05/2012)
E se...
E se o amanhã não vier
Como será o meu amanhecer
E se meus olhos não se abrirem
E se eu não respirar
E se tudo em mim se apagar
E nada mais restar
Para onde eu irei
O que acontecerá
E se você me perder
Será que vai chorar
Um pouquinho, talvez
Mas logo passará
E se nada mais houver
Além dessa malfadada vida
Onde nunca fui feliz
E nunca ninguém me quis
E se o amanhã se acabar
E de mim nada mais restar
Então saiba que vou levar
Você dentro de mim
Para onde quer que eu vá...
(Se é que vou lembrar)
(Nane - 09/11/20132)
STAND BY

Amor, estou aqui
Aguardando você voltar
Porque sei que vai voltar
Quando cansar de brincar de amar
É meu o seu amor
Ainda que você não saiba
Estou de prontidão
Na minha solidão
Vá sim, viver seus amores
Divirta-se a valer
E quando voltar
Aninhe-se em meus braços
Sou eu quem te espera
Por toda a vida
Não tenha pressa de chegar
Eu vou te esperar
Até mesmo por não ter outra opção
Sou seu stand by
Um dia você vai perceber e entender
Que só eu eu amo você
Então, finalmente virá
E eu torcerei como nunca
Para que nesse dia
Você possa...me encontrar
(Nane-09/12/2014)
LAVA-DA ALMA
Lava-da alma

Não tenho a passividade dos que tem fé
Nem a conformidade dos que creem
Não tenho a aceitação dos que esperam
O prêmio de consolação
Por vezes até tento ter
Mas fala alto meus instintos
Explosivos e repentinos
Que me fazem blasfemar (ou cobrar)
O que a vida fez de mim
Ou o que eu fiz da vida
São paralelas tão minhas
Tenho que encarar
No despertar de todo dia
As cobranças em brasas ditas
Queimando o leito facial
Feito lavas salgadas da alma
Que tantas dívidas a serem pagas
Por estranhas criaturas
Colocadas num mesmo espaço
Confinadas num abraço
O amor é latente
As brigas presentes
A morte indigente
Os corpos...pressentem
(Nane-11/12/2014)
SAUDOSISMO

por me sentir enclausurada,
Por não ter expectativas...
Vi tantas lutas por ela (vida)!
Pessoas começando a viver e já batendo
na porta do céu (?).
Gente querendo sobreviver (e não 'viver') a qualquer preço
num corredor gélido que mais parece matadouro.
Vi crianças esfaceladas, sorrindo e chorando.
Mães inconformadas e até uma índia rezando
para que Tupã a livrasse do filho doente e 'estragado'.
Não vejo a morte como o fim, mas uma volta
ao seu verdadeiro lar.
Sofro sim a falta dos meus que me antecederam
nessa viagem repleta de mistérios, mas aguardo,
sem pressa a minha hora de também ir (de preferência
sem despedidas). Sei também e tento me preparar
(mesmo sabendo que de nada adianta) para o dia
que minha mãe se for (e torço muito para que seja
antes de mim).
Posso ser estranha por não gostar dessa vida aqui,
mas não me tomem por louca.
Sou apenas alguém que sente saudades de casa...
Não necessariamente sou triste por não gostar
da vida aqui.
(Nane-09/12/2014)
TIGRESA

Tigre enjaulado
Encarcerado e limitado
Ruge bem alto
Tentando provar
Que ainda vive
Deita e dorme
Sobre o cimento aquecido
Acomodado por seu destino
De fera presa
Presa que namora
No piscar dos olhos
Correndo livre
Tão fora do alcance
A brisa orvalhada
De outros tempos e cheiro
Agora se assemelha a sauna
Fedendo à desinfetante
Tigre enjaulado
No centro da cidade
Exposto à curiosidade
Sem mais nenhum propósito
(Nane-11/12/2014)
MASTURBAÇÃO
Entorpecida num corpo
Hoje esquálido e envelhecido
Resistindo ao tempo que lhe cabe
Vibram cada um dos neurônios sob a pele
Desejosos do prazer do sexo
Feito a puta de aluguel subentendida
E revestida do véu da devotada
A velha enxerga no espelho embaçado
A fogosa mulher fatal de outros tempos
Goza dos desfrutes pecaminosos
Escondida em seu próprio disfarce
Pisca a vulva delirante sob o pano úmido
Como se penetrada fosse
Espasmos de um prazer alucinógeno
Contorcem os músculos já flácidos
A vergonha embriagante e melancólica
Faz do prazer, culpa pecaminosa
Transformando o orgasmo alcançado
Em mera e puta pieguice
(Nane-10/12/2014)
Cansaço do nada
Que o corpo não justifica
Mas parece retorcer
Em todas as suas fibras
Suspiros profundos
Soluços indevidos
Olhares perdidos
Vontades esquecidas
Ecoou um silêncio
Rugiu um absolutismo
Um vazio tão oco
Nada mais importa
Um menino brinca numa poça de lama
Um sorriso furtivo no canto da boca
Um olhar perdido no espaço
Adentrando no portal do passado
Os olhos piscam marejados...cansados
Abruptamente separam-se as dimensões
O menino na lama se suja e molha
A realidade nua e crua volta à tona
Entre quatro paredes na noite fria
Uma TV não prende o raciocínio
O cansaço do nada persiste
A dor sem analgésico insiste
Suspiros profundos
Soluços indevidos
Olhares perdidos
Vontades...esquecidas
(Nane-17/11/2014)
Aparições

Meus fantasmas me rondam
Cada vez mais concretos
Todas as noites me assustam
No afã de me drogarem
Aflitos e perdidos
Gritam em meus ouvidos
Palavras desconexas
Que me assustam
Tentam influenciar
Meus instintos entorpecidos
Distraem minhas vontades
Destroem os meus sonhos
Medonha a noite
Custa a passar
Ardem meus olhos
Dói minha cabeça
Sombras insinuantes
Dançam em meu quarto
No escuro refletido
Das minhas retinas
Sombrios sonhos me aguardam
Não quero adormecer
Mas eles me embalam
Num balanço infernal
Sem alternativa
Fecho meus olhos
E vou pro inferno
Junto com eles...
(Nane-13/12/2014)
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