Meu sonho adormeceu No seu silêncio devastador E entorpecido liberou A realidade que me compete Pede coragem a vida E outros sonhos vislumbram Enquanto no limiar da loucura Descansa o principal Pedem passagem os novos Para alimentar a vida Enquanto adormecido o fatal Não liquida com a mesma É briga de foice Da ilusão com a realidade E não só adormecer Um é preciso morrer Ou o sonho mata a vida Ou a vida mata o sonho Deixá-lo apenas adormecido É transformá-lo em pesadelo E sonho que não pode ser sonhado Pede adaga afilada Cravada com força nas entranhas Enquanto entorpecido (Nane-31/03/2015)
Perdoa Esse amor insano Que por uma mentira Tornou-se gigante Perdoa Se nunca fui quem disse E no entanto sou quem fui Na minha própria imaginação Perdoa Se em meus devaneios Te sufoco e te cobro O que não me é de direito Perdoa Se choro ao te lembrar E nunca te esqueço Em todos os meus instantes Perdoa Se te amo sem medidas E não meço meus limites Invadindo teus espaços Perdoa Enfim, meu desatino Que por força do destino Prendeu-se e perdeu-se (à) por você (Nane-13/10/2014)
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Cerveja gelada
Visto a mortalha Que eu mesma escolhi Para a viagem Mas não embarco (ainda) Por covardia ou coragem Fico e aguardo O final se aproxima Ainda estão abertas as cortinas Finjo ser necessária Insubstituível É só o medo do imponderável desconhecido Vou ficando... Uns goles na cabeça Pode ser que amanhã tenha coragem Se a covardia se for E a embriaguês não passar A roupa está pronta Pendurada no cabide Talvez eu parta nua Zombando da frieza A cerveja está gelada Tanto quanto a minha vontade A pedra não esquenta A fumaça (do meu cigarro) me faz viajar
(Nane-24/10/2014)
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Onde está
Onde está a sua mão Que me acostumei a segurar Nas horas de aflição Onde está seu ombro Que me servia de conforto Quando eu me apavorava
Não sinto mais o calor do seu abraço Nem vejo a luz do seu olhar Por onde você está
Onde está você Que esteve ao meu lado Por todo esse tempo
Quando mais precisei da sua mão Quando mais precisei do seu ombro Quando mais precisei do seu abraço Quando mais precisei da sua luz Quando mais precisei de você Me sinto só... (Nane-05/11/2014)
371
Viajantes
Tem tantas luzes lá fora E no entanto me acostumei à penumbra Elas (as luzes) me irritam os olhos Cegam-me o olhar O egoísmo me fez refém Não me importo com nada e nem ninguém Minhas lágrimas não se fundem com outras E meu sorriso é contido...sumido
Acostumei-me com minha solidão E as pessoas me incomodam Houve um tempo em que as flores e os bichos me encantavam Agora não mais...não mais
Não há mais espaço para lamentações Não há lugar para expectativas A praticidade virou meta Pouco importa o que dizem (ou pensam)
A vida é bela sim Mas não pra mim Não gosto dela E nem ela de mim
Nos suportamos como viajantes Presas numa mesma poltrona Aguardando o ponto para dar o sinal No desembarque fatal Lá fora tem um céu cheio de estrelas No meu céu...só a escuridão da noite Mas eu gosto da noite Mas eu gosto da penumbra... (Nane-23/10/2014)
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Expectativas
Deitei sem vontade de dormir Mas o sono chegou sem avisar E quando dei por mim O sonho me embalou Atravessei o arco-íris Em busca do El Dourado Onde o que contava Era a tal felicidade Potes e potes de ouro apareceram Mas não os quis Procurei em vão no meu devaneio Pelo valor dos meus anseios O ouro de tolo jorrou No sonho que não sonhei Tentei fugir da minha realidade Mas sonhei que estava acordada
Todas as minhas expectativas Deixei no sonho que não sonhei Tentei fugir do mundo Mas a vida continua... (Nane-07/11/2014)
371
Um pedido
Ah, te peço Não me deixe tão só Sou menina Me dê a tua mão Viajo no teu espaço Vivo no teu seio Respiro no teu ar Sem ti...sou meio Ah, te peço Não me deixe tão só Um só (teu) sorriso me basta Não desfaça os meus sonhos Basta um (teu ) estalar de dedos Para que meu sorriso aflore E o meu dia mergulhe Na claridão do sol Ah, te peço Só um oi, mais nada Para que eu saiba que pensas em mim E que nem tudo teve fim Te esquecer é impossível Viver sem ti, um suplício Te ver e te saber com um outro amor É arder no inferno sem morrer
Ah, te peço Só um pouco de carinho Para que eu possa sobreviver Mesmo sabendo que nunca terei...você
(Nane-21/10/2014)
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I want to go back there (Eu quero voltar pra lá)
Aqui não é o meu lugar Deslocada e sem rumo Tento me encontrar Mas não consigo me achar E quem é que pensa em mim Se eu não penso em ninguém Quem é que espera por mim Se de mais ninguém estou a fim Quem um dia pensou Já não tem mais tempo Pensa agora em outro alguém E de mim, não se lembra mais Vou em busca do amanhã Que meu hoje virou ontem Se aqui não dá pra ser feliz Vou tentar ser lá (Nane-06/11/2014)
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Psiu
Entre bem devagarinho Não faça barulho A minha dor adormeceu Não quero despertá-la A saudade foi na esquina Enquanto a alma repousa O coração serenou E ouço a chuva que cai Pise bem de mansinho Minha noite está tranquila O amanhã...não sei Faça silêncio, por favor Minha dor adormeceu...
(Nane-06/11/2014)
413
Reis e rainhas
Tantos meninos Tantas meninas Crianças inocentes Num mundinho tão simples Miram o mar Brincam de navegar Correm ao vento Sem preconceitos Contam estórias De faz de conta Acreditam nas fadas Guardam os dentinhos
Pulam as estrelas Sorriem com o sol Apagam as luzes Da lua cheia
Tão bom ser criança Tão bom ter esperança Acreditar no papai noel Pensar que o limite é o céu
São reis e rainhas Encantando seus súditos Com artes e estrepolias Tesouros dos pais, avós e tios Tão simples a vida De felicidade plena Tão sábias crianças Deliciosas lambanças... (Nane-13/10/2014)
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Dá-me o teu amor
Dá-me o teu amor Ainda que por meros instantes Tão preciosos Dá-me o teu amor Não é ele só meu Que importância tem isso Se minhas entranhas te querem Sem motivo algum Nas noites em que não durmo Seu nome e sua imagem Desfilam em minha mente Feito bálsamo relaxante
Dá-me o teu amor Sem interesse algum Sem toque nenhum Apenas em teu olhar
Dá-me o teu amor Para que eu não morra Nada peço que não não dou Só a quimera da ternura em teu olhar
Dá-me o teu amor Tatuado em forma de flor Na alma de minha vivência Na prova final da minha dor