Meu sonho adormeceu No seu silêncio devastador E entorpecido liberou A realidade que me compete Pede coragem a vida E outros sonhos vislumbram Enquanto no limiar da loucura Descansa o principal Pedem passagem os novos Para alimentar a vida Enquanto adormecido o fatal Não liquida com a mesma É briga de foice Da ilusão com a realidade E não só adormecer Um é preciso morrer Ou o sonho mata a vida Ou a vida mata o sonho Deixá-lo apenas adormecido É transformá-lo em pesadelo E sonho que não pode ser sonhado Pede adaga afilada Cravada com força nas entranhas Enquanto entorpecido (Nane-31/03/2015)
Te vi assim Tão sublime Tão fatal Tão em mim... Refiz em mim Todos os sentidos Que pensei perdidos Ou mesmo nunca nascidos E foi você Quem despertou em mim Entre o desejo e a paixão Um grande e derradeiro amor (Nane-23/10/2014)
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Viajantes
Tem tantas luzes lá fora E no entanto me acostumei à penumbra Elas (as luzes) me irritam os olhos Cegam-me o olhar O egoísmo me fez refém Não me importo com nada e nem ninguém Minhas lágrimas não se fundem com outras E meu sorriso é contido...sumido
Acostumei-me com minha solidão E as pessoas me incomodam Houve um tempo em que as flores e os bichos me encantavam Agora não mais...não mais
Não há mais espaço para lamentações Não há lugar para expectativas A praticidade virou meta Pouco importa o que dizem (ou pensam)
A vida é bela sim Mas não pra mim Não gosto dela E nem ela de mim
Nos suportamos como viajantes Presas numa mesma poltrona Aguardando o ponto para dar o sinal No desembarque fatal Lá fora tem um céu cheio de estrelas No meu céu...só a escuridão da noite Mas eu gosto da noite Mas eu gosto da penumbra... (Nane-23/10/2014)
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Poeta Obsoleto
Era só um poeta Medíocre, de rimas pobres Em poesias profanas Para a musa idealizada Se achava o tal E era feliz em seu mundinho Bastava-lhe o amor Da que lhe dava inspiração Mas seus sonhos ruíram Implodidos num conto De um infante contador Infanto juvenil O bom moço contador Com porte de príncipe Profanou todas as poesias Do poeta cabisbaixo Abandonou-lhe a inspiração E a musa encantada Pelos contos estampados No peito do contador Sem mais forças pra rimar O poeta ultrapassado Silenciou a poesia Restando-lhe chorar Suas noites insones Outrora rabiscadas Agora são testemunhas Das lagrimas derramadas O infante conta a alegria Com mistérios e magias Enquanto o velho poeta Obsoleto, vê nascer o dia Sem amor e sem humor Silencia sua poesia Para que não nao revele mais a sua dor Em palavras rimadas e escritas (Nane-24/10/2014)
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Perdão
Perdoa Esse amor insano Que por uma mentira Tornou-se gigante Perdoa Se nunca fui quem disse E no entanto sou quem fui Na minha própria imaginação Perdoa Se em meus devaneios Te sufoco e te cobro O que não me é de direito Perdoa Se choro ao te lembrar E nunca te esqueço Em todos os meus instantes Perdoa Se te amo sem medidas E não meço meus limites Invadindo teus espaços Perdoa Enfim, meu desatino Que por força do destino Prendeu-se e perdeu-se (à) por você (Nane-13/10/2014)
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Nerd estina
Baiana de óculos Olhar fixo em um ponto qualquer Pensamentos fervilhando Solução encontrada
A poesia é seu lazer A cultura seu habitat A beleza sua natureza A precisão sua decisão Baiana dos Orixás E de todos os santos De fé inabalada No rosário da virgem Baiana perfeita Com todos os defeitos Sou fã de carteirinha Da nerd da Bahia (Nane-27/10/2014)
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Um dia difícil
Num céu azul de carneirinhos Vou contando quantas formas Passam por meus olhos Nessa tarde de primavera (verão) O som do celular me tráz de volta Ao sol escaldante que bronzeia minha pele E parece torrar meus neurônios No choque térmico da notícia A voz do outro lado engasga A minha se cala...emudece O suor salgado respinga dentro do olho Que arde feito fogo no coração
Em segundos revivo uma vida Repenso alguns valores Desfaço de outros Entonteço
O cérebro frita sob o sol Um frio invade a alma Os carneirinhos se foram O céu está nublado No peito, algo incomoda Uma pressão que não passa O celular se calou também E eu...fraquejei Ainda torpe, sigo em frente O dia já se despede O crepúsculo se aproxima Enquanto a alma se agiganta
Feito uma galinha choca Aninho os pintinhos sob as asas Cansadas e pendentes Vamos descansar....
(Nane- 05/11/2014)
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Brincando nas estrelas
Caminho sem pressa nenhuma Pelo rastro de luz da lua Sem uma direção determinada Brincando com as estrelas Em cada uma delas Um pedacinho de você Vem brincar comigo No frescor da noite enluarada Seus olhos piscam diferenciados Em meio a constelação de capricórnio Enquanto os meus, em virgo Se fecham para contar o 21 Você bem que tenta se esconder Mas se destaca entre as estrelas E eu corro para o seu abraço Sem medo de te perder A fase não importa Se cheia, minguante ou se nova É crescente sempre o meu amor E por ele vou sempre ao céu Somos crianças e amantes Brincando e nos amando Na minha insana poesia Que me permite ter...Você (Nane-28/10/2014
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WhatsApp
Venho te olhar a todo instante Em busca de um sorriso E no teu silêncio estático O meu...sente o salgado molhado Tão perto de mim... Nunca ao meu alcance Tão distante Tão dentro As vezes sinto o teu olhar Mas nunca soube definí-lo Por vezes tão carinhoso Por outras tão gélido E mesmo que não venha te olhar Te vejo em todo canto No céu em forma de estrela No mar em forma de imensidão No final do meu dia Foi tão pouco o tempo Para os tantos sonhos que vivi Nos pensamentos com você
Mas o teu silêncio estático É meu maior martírio E eu sigo vindo te olhar Sem nada mais esperar
(Nane-26/10/2014)
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Chamado
Esse desejo incólume me persegue Sem que eu possa detê-lo Dizem ser pecado Mas não posso evitar Nada aqui me dá prazer Se vou pagar Se vou morrer Se vou reviver... Simbiose utópica Da qual retiro o H2O Loucura dos neurônios Que se julgam pensadores E no entanto...só fazem sentir Meus olhos gulosos Fitam a lua Sem nada saberem Um lado escuro Negro e sem luz Me chama...me chama Talvez eu vá...amanhã Agora preciso ir dormir... (Nane - 04/09/2014)
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Protótipo de mim
Ser forte Seguro Ser que temem Invejam Ser que pensa Resolve Ser que respeitam Escutam Ser que sabe o que fazer Ampara Ser que abraça Protege Ser quase supremo Altivo
Ser tão fraco Perdido Ser que grita Em silêncio Ser com a mente voltada Num só propósito Ser que pede socorro Sem que escutem Ser que caminha sem rumo Abismo Ser que pede carinho Mas se fecha Ser pronto para não ser Mais ser nenhum (Nane - 03/09/2014)