Meu sonho adormeceu No seu silêncio devastador E entorpecido liberou A realidade que me compete Pede coragem a vida E outros sonhos vislumbram Enquanto no limiar da loucura Descansa o principal Pedem passagem os novos Para alimentar a vida Enquanto adormecido o fatal Não liquida com a mesma É briga de foice Da ilusão com a realidade E não só adormecer Um é preciso morrer Ou o sonho mata a vida Ou a vida mata o sonho Deixá-lo apenas adormecido É transformá-lo em pesadelo E sonho que não pode ser sonhado Pede adaga afilada Cravada com força nas entranhas Enquanto entorpecido (Nane-31/03/2015)
Deitei sem vontade de dormir Mas o sono chegou sem avisar E quando dei por mim O sonho me embalou Atravessei o arco-íris Em busca do El Dourado Onde o que contava Era a tal felicidade Potes e potes de ouro apareceram Mas não os quis Procurei em vão no meu devaneio Pelo valor dos meus anseios O ouro de tolo jorrou No sonho que não sonhei Tentei fugir da minha realidade Mas sonhei que estava acordada
Todas as minhas expectativas Deixei no sonho que não sonhei Tentei fugir do mundo Mas a vida continua... (Nane-07/11/2014)
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Psiu
Entre bem devagarinho Não faça barulho A minha dor adormeceu Não quero despertá-la A saudade foi na esquina Enquanto a alma repousa O coração serenou E ouço a chuva que cai Pise bem de mansinho Minha noite está tranquila O amanhã...não sei Faça silêncio, por favor Minha dor adormeceu...
(Nane-06/11/2014)
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O uivo do lobo
Para quem piscam as estrelas Nas noites enluaradas Senão para mim Que vagueio noite adentro
E se tento dormir O brilho delas, atrapalha Insistem em ofuscar Meus sonhos em devaneios
Piscam para quem como eu Espera nesse lume misterioso Com um quê de melancolia Um pouco de poesia Dizem que esse brilho Nada mais é Do que o olhar lacrimejante De um amor não correspondido Por isso o lobo solitário Uiva nas noites enluaradas Chamando sua amada Sabendo que ela não responderá
Para quem piscam as estrelas Senão para mim Que me deixei seduzir E me tornei loba....assim (Nane-08/11/2014)
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Cerveja gelada
Visto a mortalha Que eu mesma escolhi Para a viagem Mas não embarco (ainda) Por covardia ou coragem Fico e aguardo O final se aproxima Ainda estão abertas as cortinas Finjo ser necessária Insubstituível É só o medo do imponderável desconhecido Vou ficando... Uns goles na cabeça Pode ser que amanhã tenha coragem Se a covardia se for E a embriaguês não passar A roupa está pronta Pendurada no cabide Talvez eu parta nua Zombando da frieza A cerveja está gelada Tanto quanto a minha vontade A pedra não esquenta A fumaça (do meu cigarro) me faz viajar
(Nane-24/10/2014)
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I want to go back there (Eu quero voltar pra lá)
Aqui não é o meu lugar Deslocada e sem rumo Tento me encontrar Mas não consigo me achar E quem é que pensa em mim Se eu não penso em ninguém Quem é que espera por mim Se de mais ninguém estou a fim Quem um dia pensou Já não tem mais tempo Pensa agora em outro alguém E de mim, não se lembra mais Vou em busca do amanhã Que meu hoje virou ontem Se aqui não dá pra ser feliz Vou tentar ser lá (Nane-06/11/2014)
339
Mea culpa
Na madrugada silenciosa Teus gemidos sobressaem Tuas dores se agigantam Teu corpo reclama Ah velha senhora Dona de tanta força Doi mais em mim as Tuas dores Pode acreditar Minha impotência neste instante Faz de mim covarde Finjo não acreditar Nas dores que te consome Choras silenciosa Contendo as lágrimas teimosas Sedo-te com analgésicos Correndo todos os riscos
A sapiência do tempo O torna frio e cruel Sufoca-me a culpa por me flagrar Desejando o teu descanso Teu Deus tão soberano Sabe o que tá fazendo Eu, na minha ignorância Perco a paciência Vamos velha senhora Encarar mais uma noite Onde todos os gatos são pardos E nós duas...companheiras (Nane-30/10/2014)
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Dá-me o teu amor
Dá-me o teu amor Ainda que por meros instantes Tão preciosos Dá-me o teu amor Não é ele só meu Que importância tem isso Se minhas entranhas te querem Sem motivo algum Nas noites em que não durmo Seu nome e sua imagem Desfilam em minha mente Feito bálsamo relaxante
Dá-me o teu amor Sem interesse algum Sem toque nenhum Apenas em teu olhar
Dá-me o teu amor Para que eu não morra Nada peço que não não dou Só a quimera da ternura em teu olhar
Dá-me o teu amor Tatuado em forma de flor Na alma de minha vivência Na prova final da minha dor
Dá-me por caridade o teu amor...
{Nane-12/10/2014
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Poeta Obsoleto
Era só um poeta Medíocre, de rimas pobres Em poesias profanas Para a musa idealizada Se achava o tal E era feliz em seu mundinho Bastava-lhe o amor Da que lhe dava inspiração Mas seus sonhos ruíram Implodidos num conto De um infante contador Infanto juvenil O bom moço contador Com porte de príncipe Profanou todas as poesias Do poeta cabisbaixo Abandonou-lhe a inspiração E a musa encantada Pelos contos estampados No peito do contador Sem mais forças pra rimar O poeta ultrapassado Silenciou a poesia Restando-lhe chorar Suas noites insones Outrora rabiscadas Agora são testemunhas Das lagrimas derramadas O infante conta a alegria Com mistérios e magias Enquanto o velho poeta Obsoleto, vê nascer o dia Sem amor e sem humor Silencia sua poesia Para que não nao revele mais a sua dor Em palavras rimadas e escritas (Nane-24/10/2014)
458
Protótipo de mim
Ser forte Seguro Ser que temem Invejam Ser que pensa Resolve Ser que respeitam Escutam Ser que sabe o que fazer Ampara Ser que abraça Protege Ser quase supremo Altivo
Ser tão fraco Perdido Ser que grita Em silêncio Ser com a mente voltada Num só propósito Ser que pede socorro Sem que escutem Ser que caminha sem rumo Abismo Ser que pede carinho Mas se fecha Ser pronto para não ser Mais ser nenhum (Nane - 03/09/2014)
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Chamado
Esse desejo incólume me persegue Sem que eu possa detê-lo Dizem ser pecado Mas não posso evitar Nada aqui me dá prazer Se vou pagar Se vou morrer Se vou reviver... Simbiose utópica Da qual retiro o H2O Loucura dos neurônios Que se julgam pensadores E no entanto...só fazem sentir Meus olhos gulosos Fitam a lua Sem nada saberem Um lado escuro Negro e sem luz Me chama...me chama Talvez eu vá...amanhã Agora preciso ir dormir... (Nane - 04/09/2014)