Emerson Duarte

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A intensidade precisa ser dita!

A intensidade precisa ser dita,
não pode viver só no implícito,
porque o silêncio sempre deixa
uma porta entreaberta
para aquilo que não somos.

O que é óbvio para dois corações
nem sempre sobrevive
ao lado de fora das palavras.

E ainda que existam medidas diferentes,
pesos distintos,
um amor que transborda
e outro que ainda aprende o próprio nome,
é preciso dizer.

Dizer com todas as letras
onde começa o excesso,
onde termina a dúvida,
e quem ocupa o centro
quando todas as opções se calam.

Porque aquilo que não é afirmado
quase sempre vira espaço.
E espaço demais
costuma ser confundido
com possibilidade.

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Poemas

1

Trincheira

Às vezes você veste o passado
como quem veste um casaco pesado no verão,
só para ninguém chegar perto demais
e descobrir onde ainda dói.

Você ri, desvia, muda de assunto,
faz do trauma trincheira,
como se amar fosse sempre
o começo de outra queda.

E eu vejo.
Vejo no seu silêncio apressado,
na forma como você recua
quando alguém tenta ficar.

Talvez você ache
que afastar as pessoas
te protege da dor.
Mas também te protege
do carinho que poderia ficar.

E mesmo assim,
eu nunca quis te consertar.
Nunca quis arrancar à força
os fantasmas que você abraça
porque aprendeu a sobreviver assim.

Eu só quis te lembrar
que nem todo amor chega para ferir.

Mas, acima de tudo,
eu quero que você fique bem.
Mesmo que seja longe de mim.
Mesmo que um dia
meu nome vire apenas lembrança
entre tantas coisas que você tentou esquecer.

Porque gostar de alguém, às vezes,
também é aceitar
que a cura dele
talvez aconteça sem a nossa presença.

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