Emerson Duarte

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A intensidade precisa ser dita!

A intensidade precisa ser dita,
não pode viver só no implícito,
porque o silêncio sempre deixa
uma porta entreaberta
para aquilo que não somos.

O que é óbvio para dois corações
nem sempre sobrevive
ao lado de fora das palavras.

E ainda que existam medidas diferentes,
pesos distintos,
um amor que transborda
e outro que ainda aprende o próprio nome,
é preciso dizer.

Dizer com todas as letras
onde começa o excesso,
onde termina a dúvida,
e quem ocupa o centro
quando todas as opções se calam.

Porque aquilo que não é afirmado
quase sempre vira espaço.
E espaço demais
costuma ser confundido
com possibilidade.

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Poemas

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A intensidade precisa ser dita!

A intensidade precisa ser dita,
não pode viver só no implícito,
porque o silêncio sempre deixa
uma porta entreaberta
para aquilo que não somos.

O que é óbvio para dois corações
nem sempre sobrevive
ao lado de fora das palavras.

E ainda que existam medidas diferentes,
pesos distintos,
um amor que transborda
e outro que ainda aprende o próprio nome,
é preciso dizer.

Dizer com todas as letras
onde começa o excesso,
onde termina a dúvida,
e quem ocupa o centro
quando todas as opções se calam.

Porque aquilo que não é afirmado
quase sempre vira espaço.
E espaço demais
costuma ser confundido
com possibilidade.

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Quem quer, não confunde

Química nenhuma
vale a ansiedade
de esperar uma resposta,
de interpretar silêncios,
de sentir o peito apertar
por alguém que olha para você
como se ainda estivesse decidindo.

Porque amor não devia parecer prova surpresa,
nem castigo,
nem disputa por migalhas de atenção.

De que adianta o fogo,
se ele só aquece por instantes
e depois te deixa sozinho
no frio da dúvida?

No fim,
a paz de ser escolhido sem hesitação
vale mais
do que qualquer conexão intensa
que faça você esquecer de si
para tentar caber
na indecisão de alguém.

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Eu fico, mesmo assim

Eu queria continuar vivendo isso,

sem promessas enormes,

sem exigir eternidade do que ainda é agora 

apenas continuar.

 

Ficar nesse lugar bonito

onde a tua presença me acalma

e o mundo parece menos pesado

quando você está por perto.

 

Queria seguir até onde desse,

até o instante em que um de nós, talvez,

olhasse para outro caminho

ou cansasse de permanecer.

 

Mas existe uma parte de mim

que observa tudo com cuidado,

porque eu me conheço.

 

Sei como certas ausências crescem dentro de mim.

Sei como algumas despedidas

demoram mais do que deveriam.

E sei que, às vezes,

eu transformo sentimento em morada

antes mesmo de saber se posso ficar.

 

Por isso esse medo silencioso:

o de viver algo bonito

e depois precisar sobreviver ao vazio

que a beleza deixa quando vai embora.

 

Ainda assim, eu fico.

 

Porque existe algo em nós

que merece ser vivido

mesmo sem garantias.

 

Só queria que, se um dia acabasse,

nenhum de nós precisasse sair destruído

para provar que foi real.

4

Chama Baixa

Eu queria ser chama aberta,
dessas que aquecem sem pedir licença,
que encostam e já dizem:
“fica”.

Mas é começo 
e começo assusta mais do que silêncio.

Então eu me dobro em cautela,
viro metade do que sinto,
edito palavras, atraso respostas,
finjo leveza
quando por dentro já é quase casa.

Tenho medo de ser demais,
de chegar como tempestade
num coração que só abriu a janela.

Mas também tenho medo do contrário:
de me afastar tanto
que você não me encontre mais aqui,
de esfriar por estratégia
e congelar o que era pra florescer.

E no meio disso tudo
tem uma voz que não ajuda:
sussurra dúvidas,
inventa distâncias,
me convence de que você
não ficaria se visse tudo.

Eu me saboto em silêncio,
como quem apaga a própria luz
com medo de incomodar o escuro.

Queria saber ser começo
sem deixar de ser inteiro,
queria confiar no que nasce
sem medir cada gesto.

Porque sentir, eu sinto muito 
o problema é esse medo
de que muito
seja exatamente o que te afasta.

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