Lista de Poemas

Meu Primeiro refúgio

Meu primeirorefúgio

Minhaperfeita morada

Diantedos teus olhos

Principieia caminhada

Suavoz ainda é música

Ecoadentro de mim

Ah,minha mãe querida!

Nãoentendo porque cresci

Ainda sinto o murmurar

De aminha infância te chamar

E nasminhas noites de medo...

Sinto osteus passos, sua forma de respirar.

Vestestu com elegância

Odestino que Deus a encarregou

E comomãe és primorosa

Pracada filho doou seu calor

Portodas as horas de tua vida

Que aminha dedicou

Agradeço-tedama de minha vida

Venero-tecom todo meu amor.

Minhadoce rainha

Meu templode perfeição

Ampara-me

Proteja-me

Embala-me

Esconda-meno teu ventre

E nunca...

Nunca me abandone

Mãezinha do meu coração.

Enide Santos 20/12/14

579

Peleja com a saudade

Quase insuportável

Hoje ela esta

Tenta devora-me

Arrisca devorar-se

Ajeita-se

Enfeita-se

E me chama pra peleja.

Ah, como é bom confronta-la!

Fazer pilera

De suas mazelas.

E nessa luta

De rusga tão muda

Seu grito em mim é infinito.

Ah, esta saudade enfim!

Gosta de se manter assim

Intensa e sádica

Aflorando ate na hora

Que teus braços embrulham-se emmim.

Ah, saudade deixa de munganga,

E vai embora daqui.

Enide Santos 03/12/14
838

O outro lado de mim

O outro lado de mim

Aquele que tem cobiça

Mas finge não ser assim

Aquele que do nada se irrita

E esconde seu lado ruim

O outro lado de mim

Que gosta da gula

Inveja e usurpa

Mente e insulta

Fuzila fitando

Cospe rosnado

Pisa matando.

O outro lado

Que é prisioneiro

Metido a matreiro

Tenta fugir.

Todos têm seu lado bom

Seu lado ruim

Comigo também é assim

Mas o Deus que há em mim

Sempre me ajuda a resistir.

Ao outro lado de mim.

Enide Santos 10/12/14

731

Retrato de mamãe

Uma lata ela abria

Retirando toda a tampa

Tão doce parecia

O seu belo semblante.

Criança, eu não entendia.

Que mamãe criara poesia

Cantarolava e a lata abria

Com carinho o vaso surgia.

Sobre a mesa a lata estava

Abarrotada de flor

Toalha de chita

Combinando com louvor

E com um terno sorriso

A casa mamãe enfeitou

E da minha infância, te digo...

Só recordo com amor.

Enide Santos 04/12/14

819

Agora dói

Agora dói acordar.
A razão pra me vivificar
Já não posso mais alcançar.

Abandono-me ás recordações.
Descuido-me das emoções
Penetro-me em pensamentos.

Agora dói respirar.
O ar que me visita,
Agora sai, como que pra te buscar.

Soluços, lágrimas, gemidos,
nada consome a dor
que me impõe este castigo.

Agora dói continuar.
É mesmo uma penitencia
Enide Santos 22/06/14

1 024

Livre arbítrio

Como posso ser o que nunca fui?

Descrever o que sentir, sem ser?

Queria eu ser a sensação

Da folha ao tocar no chão.

Também queria ser o chão

E dar-lhe majestosa recepção.

O som do trovão queria eu ser

E ecoar mostrando poder

E da noite ser a mão

Para a aurora dar proteção.

Tantas e tantas coisas queria eu ser.

Ser o silencio que só no ventre do vento há.

A distância que cada gota na chuva se dá.

Ser o burburinho na vida do ar.

Querendo ser sou.

Sou a musica que invento

E digo que quem gosta é o tempo.

Sou a sede da aurora

E para ela domo minha história.

Sou a morte do grito

O fim de seu rito

Sou a fome a sede da vida

Sou o punho cerrado

Do livre arbítrio.

Eu sou um mito.

Sou poeta

E querendo ser

Eu sou.

Enide Santos 22/11/14

839

Chove por mim os teus olhos

Chove por mim os teus olhos

Abusando do instante que te dou

Retrata o teu espírito

E com ele todo teu amor

Delineando tua face

Expõe-se a gota da dor

Entoando com arte

Reverencia-se ao observador.

O cheiro do teu sentimento

Exibe-se todo enfim

E o gosto de teu pensamento

Impregna-se em mim.

Chove pôr mim os teus olhos

Furtando-me o mundo em que estou

Deixa-me repleto da culpa

Pôr por ti não ter amor.

Enide Santos 21/10/14

1 015

Adoeceu a noite


Adoeceu a noite

preocupada a madrugada

recusa-se a se ir

prostra-se ao leito

e as trevas tenta persuadir

Assobiando uma cantiga

quer o amanhecer adormecer

leve, lenta e nua

sopra a alvorada

seu clamor em formosura.

Denotando soberba

rabisca o céu o alvorecer

de sua paleta extrai a cura

que sana o anoitecer.

Enide Santos 19/09/14

967

Qual a melhor cor?

Qual a melhor cor,

Para hoje, vestir a minha alma?

Qual o melhor tom,

Para que possa traduzir a minha talha?

De onde posso extrair a melhor impressão

para fundi-la à minha paixão?

Que aparência deve ter,

O exímio momento quando penso em você?

Como colorir,

Cada emoção?

Como matizar,

Cada sensação?

Que coloração deve alcançar,

O contentamento de poder te amar?

Que tonalidade tiro de mim,

Quando tudo que almejo emana de ti?

Como maquilar minh’alma,

no exato tom

Que somente a ti retrate?

Enide Santos 19/09/14

853

Epístola- 19

Fragmentos de mim

Regressando do amor...

Uma bagagem pesada repleta de dores e de saudades, farto de emoçõese ilusões.

Dormi tantos dias com teu amor aquietado ao meu coração.

E em tantos outros quando acordava, sorria, sabia que era por vocêque aflorava a minha paixão, e ao me deparar com o dia em que todas suas horasestão vagas de ti.

Ah! Meu Deus talvez fosse mais fácil apenas dormir e dormir.

Agora a noite repousa em meu peito, dosa de instantes vagos osmeus sonhos.

Resta-me acolher as dores das lembranças e das saudades que hão deperdurar sem pedir licença.Tenho agora a sensação do nada e poder do tudo aomeu dispor.

Mas estou frágil demais até mesmo para chorar porque sinto pesarpor você não ver as minhas lágrimas, por não presenciar toda intensidade do queelas realmente significam, a elas não são dadas o devido valor. (Parece que omar verte de mim).

Tenho que arrancar as raízes que estão presas a minha alma, sem tero direito de fraquejar, e tenho a obrigação de aceitar que você simplesmente sevá.

Está intacto em mim o amor.

E nada mais sou agora que um vândalo exterminador.

Eu era amor e paixão

Agora sou aniquilação.

Recolho-me ao silêncio que se faz em mim.

E por todas as outras forças da natureza permaneço.

Hoje quando acordo ainda me vejo, ainda sou eu sem ti

Sou eu com todas as outras coisas do mundo que não substituemvocê.

Mas sou eu com todas as outras coisas regressando do amor.

Enide Santos 21/09/14

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Enide
Santos

 

Sou
Enide Santos, nascida no dia 30 de outubro de 1968. Na cidade de Condeúba -
Bahia.

Dona
de casa, artesã e mesmo tendo o ensino médio incompleto me atrevo a fazer
poemas. Seguindo assim um desejo incontrolável do meu sentir.

A
paixão pela poesia nasce ao me espelhar em meu pai, que se alfabetizou de
maneira inédita em sua adolescência, sem condições financeiras e por vários
outros fatores que o impediu de frequentar o âmbito escolar.

Por
meses ele espreitou os garotos que retornavam da escola, e escreviam pela
estrada de terra letras que aprendiam na escola, aprendeu perguntando para quem
sabia a leitura, como dizia ele.

Dessa
forma ele descobriu o mundo, e leu tantos livros quanto pode.


incondicional de Bocage.

Deixávamos-nos
eu e meus irmãos presos àquelas magníficas fantasias de suas narrações.

Deixou-me
assim de herança a sua força de vontade, que hoje uso para descrever meus
sentimentos mesmo sem ter um diploma.

Leio,
pesquiso, pergunto e construo.

Criei
meu blog para fazer-lhe uma homenagem, onde posto também minhas humildes
poesias.

http://enidesantos.blogspot.com.br/

 

http://tipopensamento.blogspot.com.br/

 

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=121385

 

http://www.becodospoetas.com.br/profile/EnideSantos