Lista de Poemas

Longe de mim, fenecer sem você.

Não me eximirei de um instante.

Não desviarei um centímetro.

Não me moverei para lado algum.

Não farei esforço nenhum para esquecer-te.

Nada farei para eliminar esta dor que reside em mim.

É tudo que posso ter de você,

Tudo que tenho são minhas lembranças,

Sei que elas me fazem sofrer.

Ah! Mas, se eu não as tenho, de que vou viver?

Ou, o que de mim posso fazer?

Sei, sou negligente comigo mesma,

Não me importo se sou.

Sei que de mim ninguém,

Jamais tirara este amor.

Longe de mim, fenecer sem você.

 

Enide Santos 18/07/14

456

Provando você

Hum!

Para começar 
só com olhar.
Cada cantinho
vou espreitar.

Os lábios...
agora vou umedecer.
Pois o seu gostinho
Já vou absorver.

Gosto 
de pele suada
Textura 
de derme arrepiada

Até o som
é de enlouquecer.
Quando eu arranco 
este gosto de você.

Humm! Só provando.

Enide Santos 01/07/14

421

Dona dor

Então ela retorna

Novamente aflora

Tão grande foi

que ainda há eco sobre eco.

 

Ela regressa

como que quem é bem vinda,

chega se instala

e reflete a minha sina.

 

Dar-me a conhecer

o sonho de minha face

pois nela não posso reter

o sorriso que me apraze.

 

Densa e cretina

fornica com minha vida.

Expande as feridas

demonstrando-se infinda.

 

Então ela retorna

como a dona do poder.

Não se lembra do obvio

O amor tem mais poder.

 

Enide Santos 03/07/14

 

448

Túmulo do dia

Cada noite é cada noite,

Uma a outra não tem.

Entrega-se ao dia

Enaltecendo-o, já que vem.

 

Agora, quase morta,

Ela ainda vem tatear.

Uma nesga de vida

Do dia tenta libar.

 

Quase, quase sem vida,

Ainda tenta imigrar.

Suspiros para o amanhecer,

Ainda lhe resta conceber.

 

Da sombra és a dona.

Do pecado és a redoma.

Da luz és a conclusão

Do dia és a anunciação.

 

Enide Santos 27/07/14

468

Chuvando

A dança...

da chuva encanta.

Cai...

Se, esvai.

E como criança

Sai...

Sem saber para onde,

Vai...

Rouba do destino

Rola feito menino

Risos, fartos e seguros.

Olhos, cegos de diabruras.

Pega

Leva

Carrega

O que nem ela espera.

 

Enide Santos 27/07/14

 

482

Viver para esquecer

A primeira coisa que tenho a esquecer,

É está de vida,

De ter vida com você.

 

Outra coisa que também tenho pra esquecer,

Nesta coisa de vida, de você ser minha vida,

E sem você não poder viver.

 

Muita coisas terei a esquecer,

Esquecer que na vida que levo,

Levo a morte da vida que gostaria de ter.

 

A vida que em minha vida nasceu

Hoje não é mais minha vida,

Por isso em mim a vida morreu.

 

Enide Santos 19/05/14

513

Fósseis de sonhos

O eco que ouço da minha dor,

(re) bate nas paredes deste infindo vazio,

E por vezes deixa-me insana.

 

Prostro-me imóvel e ciente de;

Não pode tocar,

Não pode realizar,

E nem ao menos sonhar.

 

São fósseis dos grandes sonhos,

Caminhos do qual,

(in) voluntariamente desviei-me.

 

Posso sentir-me desaparecendo aos poucos

Presa em cada devaneio desfeito

Sequelas adornam minha alma

E tento regurgitar-me de mim.

 

Neste instante, nada, nada sou.

Apenas um corpo, procurando por amor.

 

Enide Santos 11/05/14

 

 

880

Triste sina

Triste sina está minha,

de viver sem ter amor.

Esperança ingênua tinha,

de encontrar o meu tutor.

 

Retraído e em segredo,

o destino me confessou.

Fez da vida um brinquedo,

e a minha sorte, extraviou.

 

Crueldade para comigo,

que tanto busco por ardor.

Até parece que é castigo,

perdurar sem meu amor.

 

Minh’alma triste e sofrida,

do sonho se desencantou.

Agora vaguei pela vida,

Remoendo o que restou.

 

Enide Santos 23/04/14

458

Sonho em flor

Neste acúmulo de noites vazias e gritantes,

Só me restam as dores desta vida pedante.

Neste eco envolvente de sentirem e pedires;

Há um calabouço, fétido e escuro,

Negro como a dor do fim do mundo.

 

É lá, onde habita o mais profano sentir;

E a passos largos, vou me despindo de mim.

Vou me envolvendo neste mundo moribundo.

E dos seus fungos, e dos seus humos,

Farei brotar o meu mundo.

 

Enide Santos 28/05/14

 

521

Epístola-16


Fragmentos de mim

 

E as mãos dos sonhos ainda me roçam a pele.

 

Amparou-me com sua existência, ocupou meus pensamentos por muitas e muitas horas. Realizou sonhos meus e muitos outros me ofereceu.

Deu-me sonhos sim, e para realiza-los impregnou-me de vida.

Seu amor ensinou-me a não temer a saudade a não fugir dela, fez-me paciente e terna com minhas nostalgias, seu amor ajudou-me a saborear

cada fragmento do meu amar. Posso sentir o melhor de você em mim.

 

Hoje habitam sonhos e saudades nas lágrimas vivas que agora morrem de mim. Aprendi a andar no tempo, idas e voltas há lugares que somente meu pensamento é capaz de alcançar. As horas passam como tem que passar como sempre passaram, e eu? Prossigo sozinha dividindo minha vida com alguém muito mais frágil que eu, alguém que tenho que proteger a todo custo e a todo o momento, alguém de quem depende tudo que sou de onde emana a minha seiva.

 

 

Ah! Mas a minha solidão já não é mais a mesma, ela pressente um riso a vagar, sabe que por trás daquelas lágrimas está você e tudo que a tua presença deixou, agora a minha solidão é feita de recordação, cometida de espera e instigada por tão intenso amor.

Em muitos dos caminhos em mim, até mesmo desconhecidos por mim, você chegou, deixou marcas vivas que se rebelam exigindo tua presença.

 

Já me sangram as mãos, de tanto segurar as rédeas desta paixão.

 

Mas às horas vão devorando os meus sonhos e me vejo só, tendo que por fim em tudo menos em mim.

 

Enide Santos 14/06/14

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Enide
Santos

 

Sou
Enide Santos, nascida no dia 30 de outubro de 1968. Na cidade de Condeúba -
Bahia.

Dona
de casa, artesã e mesmo tendo o ensino médio incompleto me atrevo a fazer
poemas. Seguindo assim um desejo incontrolável do meu sentir.

A
paixão pela poesia nasce ao me espelhar em meu pai, que se alfabetizou de
maneira inédita em sua adolescência, sem condições financeiras e por vários
outros fatores que o impediu de frequentar o âmbito escolar.

Por
meses ele espreitou os garotos que retornavam da escola, e escreviam pela
estrada de terra letras que aprendiam na escola, aprendeu perguntando para quem
sabia a leitura, como dizia ele.

Dessa
forma ele descobriu o mundo, e leu tantos livros quanto pode.


incondicional de Bocage.

Deixávamos-nos
eu e meus irmãos presos àquelas magníficas fantasias de suas narrações.

Deixou-me
assim de herança a sua força de vontade, que hoje uso para descrever meus
sentimentos mesmo sem ter um diploma.

Leio,
pesquiso, pergunto e construo.

Criei
meu blog para fazer-lhe uma homenagem, onde posto também minhas humildes
poesias.

http://enidesantos.blogspot.com.br/

 

http://tipopensamento.blogspot.com.br/

 

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=121385

 

http://www.becodospoetas.com.br/profile/EnideSantos