SINTÉTICA PACIÊNCIA, LOUCA CONSCIÊNCIA
Fornecem nas ruas e em lugares ocultos alimentos à loucura, que só aumentam a procura, vendem dissolutamente a doentes ou normais as sintéticas paciências, tarjas negras na essência, mas também causam dependência e nem sempre são prescritas por pronta anuência. Existem fármacos que acalmam com muita eficiência, porém as metanfetaminas que devoram o consciente e podem causar demência assumiram a excelência, pois os lúcidos vão a elas em plena consciência. Gerações independentes cada vez mais pendentes aos vícios, atraídos pelos efeitos alucinógenos, ignoram os seus malefícios. Juventude transviada, com vida desregrada, esses são filhos de pais liberais, ou árbitros dos próprios desejos, experimentam e aprovam, não resistem e querem mais. Aonde foram parar o conservadorismo familiar ou o juízo daqueles que se entregam à devassidão? Filhos sem pais, irmãs sem irmãos, vidas sem paz num mundo de ilusão.
MUITO MAIS QUE TODO O MEU SER
Quantas são as aflições, em que choramos, em que declinamos as nossas tristezas, quero tanto ser e te dar tudo o que necessitar, como quero tanto te fazer o bem, te ver feliz sorrindo sempre. Como quero estar sempre aos teus pés te buscando, me doando, se esquecendo de mim, te acolhendo com todo o amor possível. Como quero sempre em minhas mãos ter o bocado, a porção que te alimenta. Como desejo em meu coração, com toda a sinceridade, dar a minha vida por seu amor. Como quero, como choro porque ainda não posso. Como me entristeço por isto, não sinto outro desejo se não este de te dar tudo o que necessita, a você e aos nossos filhos. Já não tenho medo, tudo isto mais importa, se eu pudesse mover o tempo, eu não choraria mais, mas me entristeço. Além de tudo sou muito grato a Deus porque os tenho, porque sei que um dia todo choro, toda tristeza e angústia cessará, já não tenho medo, apenas choro às vezes por isto. Sei que estamos bem, mas como quero te dar além, muito mais que todo o meu ser.
O ESPOSO E A AMADA
E o dia se fez claro, e se fez clara cada manhã, e em cada manhã em que há vida tudo é perfeição ao ouvir o canto dos pássaros quando os laços seguram a amada futura esposa virgem imaculada em todo tempo guardada por muitas alvoradas. Vestes brancas alvejadas, pele viva colorada com tons de frutas avermelhadas. Ela corre pelos campos com toda a liberdade e, na alma tem saudades dos olhos com fidelidade do amor da sua mocidade. Eis a virgem que espera o noivo que esmera quando o amor é mais poderoso e puro, que o instinto de uma fera. Bela e adornada, noiva desejada pela alma do amado. Tem o corpo intocado, será a amada do esposo desejado. As cerimônias já estão sendo preparadas, em breve entrará ao gozo do matrimônio com o esposo e as portas serão fechadas, a união será perpétua, haverá azeite para sempre e a sua lâmpada nunca se apagará.
VACÂNCIA
Aqueles olhos eram meigos, aqueles lábios traiçoeiros, o sorriso convidativo, a fala destilava favos de mel. Um trajo peculiar, num corpo tenso ao luar. Não me deixou falar, mas também não conseguiria. Meus pensamentos não eram o meu guia, muito forte o palpitar do meu coração eu sentia, havia um tremor em meu corpo, me faltava fôlego. Estava confuso, maravilhado e indeciso. O que há comigo? Nem a conheço! Já me virou ao avesso. Esqueci dos riscos, mas mantive meus medos. Ela dizia: vem, vamos ao luar e que não termine tão cedo as nossas delícias. Entre a mim e eu te mostrarei a olho nu onde moram os desejáveis astros dos céus. Eu não estava ébrio, mas era noite e o vento açoitava os seus cabelos, e os meus olhos fixos nela não eram muito ligeiros, pois me embriagava o seu aspecto. De nada servia o meu intelecto, os meus sentidos não conseguiam um retrospecto de uns poucos instantes. Quanta dúvida, quem será ela? Era verão, e o calor sufocava os meus poros, suado e sem reação me senti intimidado. Olhei em volta, não havia mais ninguém, ela se aproxima para junto de mim, tenso eu balbucio, mas ela me ignora, sinto como se um fogo me consumisse, como se tochas flamejantes saíssem pela minha boca. Queria perguntar, quem é você? De onde veio? Para aonde vai? Não tive tempo. Me abraçou e me beijou paralisado, me envolveu em seus braços, cobriu o meu rosto com os seus longos e perfumados cabelos, para mim eram devaneios, eu estava me queimando, como se o sol estivesse me abrasando, e de repente me levava, eu via luzes, estrelas, não sabia mais onde eu estava, ouvia a sua voz: não se entristeça te deixarei ir assim que sentires o prazer que a carne não fornece, agora você é o fogo que aquece os nossos corpos, e eu sou luz. Então percebi que não havia mais volta desde o dia em que ela havia morrido.
QUEM SOFRERÁ O DANO?
Quem é aquele que vai andando levando os seus fardos pesados todo martirizado, se não aquele que não observou os seus caminhos, que pisou em terrenos minados, e com os espinhos se afligiu aos bocados? Quem é o homem que vendo uma luz, a transforma em uma pesada cruz e a joga nos ombros e se arrasta na escuridão? Há dois caminhos. Não se diz ao louco: não pule, nem ao sensato fique onde estás, para que porventura o louco não morra e o sensato resolva voltar para trás.
O FRUTO A SEU TEMPO
Há fraquezas em alguns membros do corpo em um corpo, há tristezas nas faces dos homens, os sorrisos se afastaram dos rostos. Há prazeres em tantos desgostos. Há um futuro conhecido, um há de vencer, outro há de ser perdido. Existem frases de quaisquer pressupostos, alguns leem, uns e outros creem, não é passageiro o bem e sim o mal, não importa se está limpo ou se há sujeira em seu quintal. Haverá duração perenal. Há fracos e fortes numa batalha, a morte para uns nunca falha, fracos e fortes sobrevivem, mártires incríveis com suas histórias, umas verdadeiras coroadas de sangue e de glórias, outras falsas, mentirosas, e vanglórias. Há incertezas nos cruzamentos, sinais vermelhos, verdes momentos, que se chocam em amarelados sentimentos, e da vida se fazem fragmentos, quando avançam paradas obrigatórias, e se atropelam nas rotatórias da vida. Haverão renúncias assumidas em busca de forças, mas não em alimentos, haverão conflitos nas mentes que emergirão em pensamentos dos que plantaram hoje as sementes em férteis terras, pois haverão colheitas severas.
NOVA TERRA
A vivência é a constância dos dias onde os homens se embriagam da vida, e na velhice essa constância é inibida.
Sei que bem vivo estou, que um dia chegará a morte, sei que medo não terei, feliz morrerei.
A morte dirá: este está contente, vejo em seu semblante o descanso. Não mais afligido serei, minhas dores, manso neste mundo deixarei.
A minha sorte alcancei, da morte não voltarei a este mundo, dormirei um sono profundo até o despertar e uma nova terra verei.
SUAS ARMAS
A face da lua resplandecente, clareia a noite seu ambiente, se move tranquilo meio ausente, no silêncio. Luz, suas armas, suas descargas. A vastidão da metrópole onde as janelas têm olhos e as paredes têm ouvidos, passa despercebido. É longo o caminho, sempre sozinho, flui na escuridão. Sabe os segredos, conhece os medos dos covardes, é cauteloso, zeloso, e não chama a atenção. Sem rastros, imperceptível, abstrato, compaixão inconcebível, sem lágrimas, sem risos, gélido e implacável. Não há identidade comprovada, se vive e se move em meio ao nada. But he is not a killer. Su trabajo es limpiar las calles. Ratos com bons tratos que infestam a cidade, canalhas que engordam uma sociedade irmanada. A vil capacidade estruturada. Um estampido num canto de uma rua calada, denuncia uma ocorrência, é sua incumbência, sentidos em alerta, com a hostilidade flerta. Suas armas são descargas indolores, uma luz que converte o transgressor, se o alvo é atingido, morrem o ódio e o rancor, e o coração é convertido a propagar o que é o amor.
ALUCINADO
Nas ruas a passos largos, cabelos arrepiados, é madrugada, alameda assombrada, suor frio, olhos estatelados, uivos de cães vagabundos, galos cantam cadenciados. Passos mais apertados, o assobio dos ventos, o medo de olhar para trás por sentir que há desconhecida companhia, não há vigias, respiração ofegante, batimentos acelerados, já os passos descompassados. A sensação de ser apanhado a poucos metros do abrigo, a adrenalina no sangue, entrando em pânico, uma voz em silêncio fala contigo: _você está em perigo, corra! Não há vigor, a alma desfalece, padece a mente em pavor. Prostração, vendo o abrigo, iminente ataque, todo encolhido, de olhos fechados, paralisado, um toque no ombro, terrível assombro. Olá amigo, amigo tudo bem?
Ipatinga, 13/04/2019
Erimar Lopes.
MEDITAÇÃO
A paixão do eremita no cume de um monte se exercita, é tudo tão estranho ao cosmopolita pela vida viajada, sempre com os pés na estrada.
Jamais feche os olhos ao mudo ou desvie a sua audição, seria no mínimo absurdo se o mudo ficasse surdo ou não tivesse a visão.