SEGURO EM SUAS MÃOS
O que posso eu fazer se dentro de mim há um quê de ilusão, como posso entender tantas coisas que passaram, passam e ainda passarão em meu coração, como posso perceber que todo o meu viver não será em vão? Somente sei dizer que tudo é aflição, canseira e enfado, que tudo que se dá um dia já foi dado, que enquanto eu viver se algo será revelado. O que posso eu fazer para me cercar de certeza das coisas que ainda virão, pois não quero compreender este mundo como uma linda canção, se Jesus morreu por mim me resta uma expectação, de lutar por minha alma para que viva em uma nova nação. Como posso eu correr para ser um campeão, como posso eu lutar sem minhas forças esgotar até chegar à redenção? Disso eu sei, firmado em Jesus e seguro em suas mãos.
NA VIOLENTA EMOÇÃO
Na violenta emoção a morte. Com ódio no coração ❤ um corte faz sangrar em veias humanas altivas, corrompidas águas frígidas. A cor da pele não importa, o medo cego bate à porta e os ferrolhos são fracos, assim fogem os ratos aos seus buracos. A pressão é muito elevada, pois a perfídia foi inoculada no mais intrínseco da alma fatídica. Aos covardes impiedosos que carregam as suas mortalhas invisíveis e se esquecem que numa falha as suas vidas retalham no fio da navalha de formas tangíveis. Morrem-se os monstros belos aos olhos, que se alimentam das fraquezas dos desencontros e do poder das confusões causadas pelas incertezas.
Erimar Lopes.
O PERDÃO NATURAL
Houve um tempo em que tudo era fantástico, eu não sabia que existia um mundo cruel, andava nu e não conhecia o pecado, não havia em mim a faculdade de compreender o poder das palavras tanto para abençoar quanto para amaldiçoar. Não havia em mim nenhuma maldade. Foi assim a nossa fase de criança. Quando se me abriram os olhos e vi, quando doeu na minha pele e senti foi quando descobri os sentimentos que antes não endureciam o meu coração: a angústia, a dor, o ódio, a raiva, a mágoa e tantos outros que batalham dentro de nós querendo se sobreporem àqueles que são essenciais para o bem. Mesmo dentro de um lar hostil uma criança não tem a capacidade, nem a tendência à maldade devido a inocência do seu coração, pode até ficar agressiva, mas não é a regra. Como é difícil aceitar as ofensas como uma criança inocente, que na maioria das vezes nem chega a receber um pedido de perdão.
Erimar Lopes.
JUVENTUDE FUGAZ
Garota sei que eu não posso te impressionar, sei que não tenho recursos para isso, mas prometo amor te dar e muito mais sei que isso será o meu compromisso.
Deixe as flores crescerem no campo, como uma vida no amor se inicia, como em meu coração há tempos por você esse amor irradia.
Quem sabe um dia desses, desperte em ti interesse e possa ver além das suas percepções de menina arredia? E não leve em conta agora as minhas condições.
Projete um futuro que te faça esquecer o outrora. O amor não tem hora, mas sabe esperar e ser humilde, a juventude é fugaz não a desperdice se divertindo amiúde.
Erimar Lopes.
DO SUMO DAS UVAS
O vinho alegra o coração e a alma desde a sua existência, o seu sabor é instintivo pela sua excelência e na taça o seu parecer é convidativo. Tinto, branco, rosé, espumante, o que é bom na boca que prova sempre o aprova e o garante. Quando não se perde a razão o álcool nem entra em questão. É uma bebida sagrada que nos aquece e em momentos formais os sentimentos nos floresce e aqueles que a degustam com parcimônia tem paladar que dá prazer sem cerimônia.
DEIXE AS ÁGUAS ME LEVAREM
Deixe as águas me levarem em todas as suas ondas, deixe elas me balançarem de todas as formas, deixe elas me afogarem conforme suas normas. Deixe elas me levarem de formas violentas, mas também me acalmarem nas suas formas lentas, sem contudo me acabarem em suas tormentas. Deixe as águas me acariciarem em suas formas brandas, deixe elas me guiarem no curso de suas bandas e depois me atracarem segundo as suas demandas.
Erimar Lopes.
DEIXE DE LADO A AFRONTA
Não tenho prazer em contender, por isso deixo de lado a afronta, se não posso me defender, toda ofensa não levo em conta. Se não posso resolver não transfiro a responsabilidade, se for necessário aprender aceito com humildade. Se eu não tiver a solução, busco orientação com quem tem mais capacidade. Se o caminho é de perdição desvio os meus pés da linha, se não tem paz ou harmonia, me afasto sem arrependimento, quem gosta de guerra, disputa, contenção, tenho certeza que o lamento sempre fará parte nesta razão, intrínseco ou não.
TÃO INJUSTO EU SOU
Senhor Jesus eu sou tão pecador, tão injusto eu sou, não me rejeites por tudo que eu sou, pelo teu amor sejas meu consolador, perdoe-me e retires as minhas culpas por tudo que sou. Senhor Jesus molda-me na luz e faça de mim um filho de Deus que às virtudes conduz. Senhor Jesus desperte em mim o ânimo sem fim para que ao fim eu seja feliz.
CORRENTE DO AMOR
São elos fortes a corrente do amor, são tão resistentes, nem da morte tem pavor.
SINOPSE DO MEU VIVER
Sentado sozinho comecei a pensar por tantas coisas que já passei nesta vida, quando criança quantos males me sucederam, quanta perrenguice, na adolescência quantas desilusões, quanta conformidade com a pobreza, com a falta de perspectivas. Também na fase adulta quanta dureza, quanta incerteza, ainda na pobreza. Trabalhos duros, mas dignos. Assim seguia a minha vida, dificuldades, dificuldades. Sendo o quarto de oito irmãos. Jovem, muitos calos nas mãos que ressecados às vezes sangravam e doíam muito, mas segui dignamente, minha mãe analfabeta fazia todo o esforço para que nós fossemos para a escola desde criança. Às vezes penso que nem sei se sofri, pois não conhecia o conforto, nem imaginava como ele era, seja talvez esta a razão para continuarmos vivendo no nosso mundo sem nos rebelarmos. A nossa mente condiciona o nosso físico, e Deus dá a proteção necessária para não morrermos por alguma moléstia. Enfim, vivi solto nas ruas desde criança até o fim da adolescência, como muitos miseráveis da época, quando criança vendi picolés, salgados, algodão doce, bolos e etc. Não levava nada para casa, não entendia o por que de estar ali. Na realidade não sentia falta de conforto, os colegas nas ruas e a liberdade que eu tinha supriam este vazio. Na adolescência também vendi picolés, mas não tinha a responsabilidade de fazer renda. Por sermos soltos nas ruas naquele tempo e muito pobres, éramos muito discriminados, mas o interessante que não me corrompi, Deus livrou-me desde criança indefesa. A rotina era escola à tarde ou de manhã, depois encontrar com os colegas e ir para o rio nadar, às vezes em lagoas, ir pescar, jogar futebol e praticamente todas as brincadeiras daquela época. Me esforcei e consegui algo muito brilhante naquele tempo para os pobres, quase concluir o ensino médio, me capacitando a ser aprovado em um concurso público que exigia o ensino fundamental. Trabalhei por quase trinta anos e hoje estou aposentado graças a Deus.
Erimar Lopes.