ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

120

BEIJOS QUE SÃO BEIJOS

Beijos que são beijos que passeiam de bocas em bocas que trapaceiam, beijos que são beijos que queimam, de bocas em bocas que teimam. Beijos que são beijos que disfarçam em muitas bocas que desgraçam. Beijos alheios na praça, que o seus preços rechaçam o valor de muitas vidraças. Beijos que são beijos doces agora, que seus amargores tardar não demoram, beijos esquecidos de outrora que trazem a morte num lapso de memória. Beijos cruéis e desumanos de condutas infiéis e de enganos, de sorrisos falsos largos em seus percalços, beijos de sangue em armadilhas e laços. Beijos que são beijos, bocas que são bocas que assedentam, corpos que são corpos, instrumentos formosos que desorientam. Beijos que são beijos que sugam, que desvanecem os sentidos, beijos que são beijos, que muitas vezes alimentam as almas dos espíritos traídos.
125

EXALTEI-ME COM O VINHO

Exaltei-me com o vinho, revolvi o meu passado, chorei desconfortado, não tinha mais um ninho. Lembrei que os laços haviam sido rompidos, apenas a solidão amiga dos desamparados me acariciava em seus ombros. Vi-me meio aos escombros, eram tantos destroços frutos das guerras e lutas passadas que às vezes deixam remorsos. Esforcei-me para estar sóbrio e entender a loucura, porque uma alma diz-se em amor sem conhecer seu valor e a sua arquitetura, depois em choro uma dor e o que resta é rancor. Quem é fraco que caia, quem é forte me dê forças contra os lábios que me atraem. Exaltei-me com o vinho, seu veneno é desalinho em tentações que não se esvaem.

Erimar Lopes.
54

TENHO MEDO DE AMAR NOVAMENTE

O que querem que eu diga?
Que tudo vai bem?
Mesmo sabendo o que me obriga
Esconder a verdade para alguém.

Esconder do meu bem a verdade
Que a amo e não posso dizê-la
Isto tem sido dura maldade
Sofrimento agudo para contê-la.

O que querem que eu faça?
Sei que de mim ela duvida
Disse-me que sou uma farsa
Que não a amo, mas amei outra vida.

Tenho medo de amar de novo
De entregar meu coração para sofrer
Encontrei na solidão um renovo
Buscando meus caminhos entender.

Tenho estado em dúbio e confuso
Correr para seus braços e me confessar
Mas o passado é presente e profuso
Guardo o amor até senti-lo passar.
62

NÃO ME LEVE A MAL

Não me leve a mal, sou um homem normal nascido e crescido no pecado, mas de uns tempos para cá resolvi a ele deixar e para ele me tenho morrido. Não me leve a mal se me temperei com sal e nasci de novo e as coisas do mal jamais aprovo. Não me leve a mal se ando na luz do sol e toda a escuridão eu tenho como fatal ao meu coração. Não me leve a mal porque não tenho perfeição por estar sujeito às paixões terrenas, mas espero redenção e busco salvação pela humilhação às misericórdias plenas. Não me leve a mal, temos o livre arbítrio, a nossa vida é real e morre-se apenas uma vez, então o que é atual é que te faz elegível e de bom alvitre para te conduzir à paz celestial.
75

CANTEI A CANÇÃO DOS AMANTES

Cantei a canção dos amantes
Canção obscura sem estrutura
Os acordes mais arrogantes
Um som melancólico de amargura.

Pranteei o choro da alma traída
Em soluços e grande tristeza
Rasguei o tempo da vida vivida
Pelo ultraje e torpe vileza.

Fugi dos seus caminhos tortos
Compungi-me das cegas aventuras
Das veredas que levam aos mortos
Ferindo as almas com torturas.
103

A MINHA SOLIDÃO É UM DESERTO

Neste vasto deserto da vida
A sequidão sem amor nos oprime 
A água desse ouro nos convida
À sede que a nossa boca reprime.

Neste vasto deserto caloroso
Lutamos por uma gota dessa água
Que nos refresque um amoroso
Coração que nos tire a mágoa.

A sequidão neste deserto amor
A sede por um beijo úmido
A água que nos regue uma flor
Por um gesto e um beijo tímido.

Sonhando de carregadas nuvens ser coberto
É um deserto a minha solidão 
Sem ter um amor que esteja por perto 
Infértil esperando chuva na sequidão 
 
Erimar Lopes.

3 391

NO CONTORNO DOS TEUS LÁBIOS

No contorno dos teus lábios
Nessa tua boca tão desejada
Ainda são meus teus beijos
Como me encanta tua pele rosada
Macia e perfumada
O vinho rosado numa taça
Em teus lábios um sorriso
Que a enche de graça
Beber-te ao luar mais claro
Alegrar meu coração
Em teu amor tão raro
Entregar-me em tua mão
Em cada cálice
De ti uma porção
Bebida em mim
Faz nossos corpos relaxarem
Na ternura dos teus afagos.
65

DEIXE EU TE ENCONTRAR

Deixe eu te encontrar
Na mais bela das oportunidades
Não deixe ninguém estragar
Todo nosso esforço e boa vontade
Sei que você está presa na irrealidade
Pois o amor te causou decepções
Sei que sou uma nova aposta
Então esqueça antigas relações
Poderei não ser tudo o que você gosta
Mas me esforçarei por suas razões
O meu coração está livre
Ansioso por um novo amor
Que seja você a dona dele
Ele não está exposto a outro valor
Tenho pressa em te ver
Para que possamos nos entender
Sem nenhuma sombra de dúvidas
Que é você o meu bem querer
Todo o amor que tenho buscado feito dádivas.
80

ASSIM COMO ELE NOS AMOU

Não tenho nada além de que o desejo de me compreender no amor, de como ele funciona em mim, suas engrenagens, suas peças, se há reparos em todos os humanos onde ele habita. Porque muitos amores sofrem danos. E como trocar o amor? Como amar um e aborrecer outro? Sou carente de sabedoria. Se perdoamos, mas não mais queremos estarmos juntos porque sabemos que iremos sofrer, podendo ser um sofrimento longo. O amor é sofredor, mesmo sem prazer e contentamento, mesmo sem alegria e na angústia o amor é benigno. Parece não haver sentido nisto, permanecer na angústia, tristeza e dor declarando todo o seu amor para alguém que te faz sofrer. Por isso que há algo maior para aqueles que sofrem e se humilham, do contrário que esperança haveria para aqueles que amam? Para aqueles que pagam o mal com o bem, para aqueles que repartem o pão, para aqueles que procuram andar limpos de mão e puros de coração? Porque a vida destes é mais dura, a alma destes suporta mais carga do que a daqueles que não amam de verdade. É o maior valor intrínseco no ser humano, mas tão difícil de ser aplicado da maneira que convém a Àquele que nos criou para amarmos uns aos outros assim como Ele nos amou.
104

SOMBRAS NA NOITE E VULTOS NA ESCURIDÃO

Tem um quê de mistério, sombras na noite, vultos na escuridão, já não tem mais remédio, o medo é tanto, derrete-se o coração. Quem não tem medo de assombração? Em frente a um cemitério empina seu alazão, o bicho não vai para frente, fica na mente somente uma questão: O que há de errado? Você não é cavalo alado e não pode sair do chão, passo aqui todos os dias, não vejo qual a razão. Chama na espora, a taca colabora, mas o bicho esbaforido na indecisão. Sombras na noite e vultos na escuridão, os olhos do homem não veem, mas o cavalo tem a visão. O castigo é tanto que joga o ginete no chão, volta em disparada, dando bufadas por tanta pressão. Sombras na noite e vultos na escuridão, um arrepio na espinha em um ginete na mão, à porta do cemitério mais uma reflexão, a cachaça tá boa, põe mais uma garrafa no balcão, quem bebe comigo? Perdi o meu alazão, estou precisando de abrigo. Não se preocupe amigo aqui não falta caixão, muito menos jazigo. Depois desta garrafa certamente descerá comigo. Sombras na noite e vultos na escuridão, o que o cavalo viu, seu ginete sentiu e com a morte partiu na alucinação.
123

Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema