O grande rio corre tenso Águas ligeiras em seu leito O sábio homem segue manso Com sabedoria em seu peito.
O sábio homem também ensina Como andar bem equilibrado O grande rio não mostra a sina De quem é levado em seu reinado.
O grande rio é largo e espaçoso Tenso, mas suas águas navegáveis O sábio homem é cauteloso Adverte quanto a convites favoráveis.
O sábio homem vive e viverá Vigilante, sóbrio, e prudente O grande rio jamais admitirá Que as suas águas secarão de repente.
O sábio homem e o grande rio As influências, descrenças, e incertezas A mente sã e o desvario O coração firme e a perdição nas correntezas.
Erimar Lopes.
1 932
NÃO É SOBRE MIM
Não é sobre mim Mas sobre os lobos devoradores Não é sobre jardim Mas aos que pisam sobre as flores Não sou totalmente cordeiro Mas também não como a carne Das ovelhas indefesas Nem quem faz do falso verdadeiro Não é sobre a fome Mas aos que furtam O que iria para as mesas Não é sobre o homem Mas aos que negam o Seu nome Não é sobre a morte Mas aos que vivem na matança Não sobre o mal Mas aos que se alimentam da vingança Não sobre a solidão Mas aos que abandonam por herança Não é sobre a dívida Mas aos que cobram na abastança Não sobre o poder Mas aos que se corrompem por favores Não sobretudo Aos que negam tudo sobre amores.
Erimar Lopes
2 997
A MINHA SOLIDÃO É UM DESERTO
Neste vasto deserto da vida A sequidão sem amor nos oprime A água desse ouro nos convida À sede que a nossa boca reprime.
Neste vasto deserto caloroso Lutamos por uma gota dessa água Que nos refresque um amoroso Coração que nos tire a mágoa.
A sequidão neste deserto amor A sede por um beijo úmido A água que nos regue uma flor Por um gesto e um beijo tímido.
Sonhando de carregadas nuvens ser coberto É um deserto a minha solidão Sem ter um amor que esteja por perto Infértil esperando chuva na sequidão
Erimar Lopes.
3 391
SABE-SE LÁ DO AMANHÃ
Sabe-se lá do amanhã Sabe-se lá em um abrir e fechar de olhos Não saberei de mim Não saberá de mim E eu não saberei de ti Sabe-se lá da alegria dos pássaros Que voam em altas altitudes Dos animais que habitam As cavidades escuras da terra Sabe-se lá dos corações Das mentes Como o amanhã Sabe-se lá como ouvir e entender Como perceber o que convêm Sabe-se lá da morte quando ela vem Sabe-se lá quando os olhos Derramam lágrimas tristes Quando é tempo de chorar Sabe-se lá o que é a alegria Um estado de conforto na alma Passageiro sabe-se lá De janeiro a janeiro Sabe-se lá quantos dos nossos amanhãs...
Erimar Lopes.
3 692
SE AINDA É DE MIM QUE ELA GOSTA
Eu sei que não mais Viverei em paz sem ti Eu sei que talvez Nada fará e ninguém mais Te trará para mim Eu sei que não sou capaz De viver assim E aliás sofrerei por fim Eu sei que tudo se acabou Que o teu amor se esfriou Eu sei que sou um perdedor Ó Deus traga o meu amor de volta Por favor Não estou acostumado com a derrota Ó Deus são tantas lágrimas de dor Por tantos dias e noites Sem nenhuma resposta Ouve-me Senhor Não me deixe sofrer Faça-me sentir e saber Até ao amanhecer Se ainda é de mim que ela gosta.
Erimar Lopes.
3 645
AMO-TE TÃO SÉRIO
Ao raiar o dia quero correr para os teus braços Não perder nenhum instante Porque o tempo não compensa o que foi perdido Dizer que te amo com muita comoção Este sentimento que me embriaga Tão sério dizê-lo a ti Prometê-lo não somente hoje Mas enquanto brilhar em mim o sol Enquanto houver luz nos meus olhos Porquanto a ti pertence o meu querer E é tão gratificante tê-la em mim Guardada no profundo do meu ser Protegida na morada do meu coração.
Erimar Lopes.
5 632
ANDO DISFARÇADO
Ando com os olhos bem abertos Porque há tropeços por todos os lados Ando calado para não ter apertos Pois tem ouvidos muito aguçados.
Ando também disfarçado Muitas vezes fantasiado de mim Quando sou eu fico velado Nem me conheço, nem outro afim.
Fujo das marcas do passado Que se refletem como espelhos O meu rosto ficou marcado E o meu disfarce anda de joelhos.
Erimar Lopes.
5 597
SIGO OS TEUS PASSOS
Sigo os teus passos, mas não a encontro Perco-me a procurar o teu cheiro pelo ar São teus cabelos, é tua pele Tão cheirosos deixam rastros Por todos os lados, me perco Já não me encontro, me desoriento Desespero-me, é teu perfume Chamo a tua atenção Sei que está me vendo Sei que estou correndo na contramão Meu amor, minha paixão Quando sorrí alarga o meu coração Brilham os meus olhos de emoção Apareça e me castigue com o teu sorriso Ver teus lábios é uma viagem ao paraíso Leva-me de volta ao teu encontro Que te preciso como o ar que respiro.
Erimar Lopes.
5 735
JUVENTUDE FUGAZ
Garota sei que eu não posso te impressionar, sei que não tenho recursos para isso, mas prometo amor te dar e muito mais sei que isso será o meu compromisso. Deixe as flores crescerem no campo, como uma vida no amor se inicia, como em meu coração há tempos por você esse amor irradia. Quem sabe um dia desses, desperte em ti interesse e possa ver além das suas percepções de menina arredia? E não leve em conta agora as minhas condições. Projete um futuro que te faça esquecer o outrora. O amor não tem hora, mas sabe esperar e ser humilde, a juventude é fugaz não a desperdice se divertindo amiúde.
Erimar Lopes.
5 901
SINOPSE DO MEU VIVER
Sentado sozinho comecei a pensar por tantas coisas que já passei nesta vida, quando criança quantos males me sucederam, quanta perrenguice, na adolescência quantas desilusões, quanta conformidade com a pobreza, com a falta de perspectivas. Também na fase adulta quanta dureza, quanta incerteza, ainda na pobreza. Trabalhos duros, mas dignos. Assim seguia a minha vida, dificuldades, dificuldades. Sendo o quarto de oito irmãos. Jovem, muitos calos nas mãos que ressecados às vezes sangravam e doíam muito, mas segui dignamente, minha mãe analfabeta fazia todo o esforço para que nós fossemos para a escola desde criança. Às vezes penso que nem sei se sofri, pois não conhecia o conforto, nem imaginava como ele era, seja talvez esta a razão para continuarmos vivendo no nosso mundo sem nos rebelarmos. A nossa mente condiciona o nosso físico, e Deus dá a proteção necessária para não morrermos por alguma moléstia. Enfim, vivi solto nas ruas desde criança até o fim da adolescência, como muitos miseráveis da época, quando criança vendi picolés, salgados, algodão doce, bolos e etc. Não levava nada para casa, não entendia o por que de estar ali. Na realidade não sentia falta de conforto, os colegas nas ruas e a liberdade que eu tinha supriam este vazio. Na adolescência também vendi picolés, mas não tinha a responsabilidade de fazer renda. Por sermos soltos nas ruas naquele tempo e muito pobres, éramos muito discriminados, mas o interessante que não me corrompi, Deus livrou-me desde criança indefesa. A rotina era escola à tarde ou de manhã, depois encontrar com os colegas e ir para o rio nadar, às vezes em lagoas, ir pescar, jogar futebol e praticamente todas as brincadeiras daquela época. Me esforcei e consegui algo muito brilhante naquele tempo para os pobres, quase concluir o ensino médio, me capacitando a ser aprovado em um concurso público que exigia o ensino fundamental. Trabalhei por quase trinta anos e hoje estou aposentado graças a Deus.