Lista de Poemas

SOBRENOME ÂNSIA


as senhoras gana e ignora, irmãs gêmeas, andam de braços dados sob o sol de qualquer hora

não são violentas
não
são violentas
dizem
digo

Escobar Franelas
165

TALVEZ


jamais! nunca!
isso não
é um poema

(da série "haicaos")
Escobar Franelas
141

EXTRA VAGANTE


bem sei o que fazer
com tanto sentimento aqui
preciso entregar urgente
pois a carga tá grande
a posar de leve

Escobar Franelas
156

BORRACHA


acho que a beleza da poesia
da vida, das coisas todas que estão por aí
vem do esquecimento
de um fragmento que se perde
e nos deixa à solta, figuras atônitas
tentando desvendar os mistérios
dessa miséria vã

acho também que a grandeza desse ato
só não é maior que as lembranças
que são longos tapetes escuros
por onde depois desfilarão as memórias
recuperadas

acho mais, que a atmosfera que permanece
como o vulto de um fantasma
é a forma mais sincera de nossas projeções
cujo conteúdo retroalimenta
essa intermitência entre o lápis e a borracha

Escobar Franelas
281

AUTOAJUDA PARA ESCREVER HAICAIS


escreva os versos
deixe-os adormecer
ao acordar, lance-os

 Escobar Franelas
242

CAIS INSEGURO


a pinta na perna dela
é ponto de partida e chegada
desperta e dispersa
as asas do desavesso
uma tempestade de olhos
chuva alheia e atenta
ao pouso inábil do desejo
suando sob o sol

a pinta na perna dela
é cais inseguro
onde esgueiro para chegar
ao porto culminante do fim
aqui, tão longe, dentro de mim

a pinta na perna dela
me levita
e me prostra



Escobar Franelas
247

CAIS INSEGURO


a pinta na perna dela
é ponto de partida e chegada
desperta e dispersa
as asas do desavesso
uma tempestade de olhos
chuva alheia e atenta
ao pouso inábil do desejo
suando sob o sol

a pinta na perna dela
é cais inseguro
onde esgueiro para chegar
ao porto culminante do fim
aqui, tão longe, dentro de mim

a pinta na perna dela
me levita
e me prostra



Escobar Franelas
256

AUTOAJUDA PARA ESCREVER HAICAIS


escreva os versos
deixe-os adormecer
ao acordar, lance-os

 Escobar Franelas
283

POESIA E COMUNHÃO


tempos de colheita
a camponesa acorda antes do sol
ora e sai à lida
vai arar o coração
semear, regar palavras
fecundar a terra
dar de comer aos poucos
beber da água da chuva
colher linguagens
volver com as cansadas asas
dormir, acordar, continuar

o povo da cidade come
o produto natural
como se fosse nada
- chiclete de chuchu -
mastiga e não percebe o gosto
do suor da ponta da caneta
que lavra a carne inóspita
do planeta

Escobar Franelas
200

LINDÍCIA


vamos fazer assim
você, conjulgue-me
e com juntamentes
amaramamos
amaremos
amar rimos
amarrumos

lindícia, você
amamora aqui

e entre tantos neologismos
um nascente todotudotanto brotaqui
e o segundo, nesse exato segundo,
é você, lindícia
e é uma delícia de se ser, lindícia
e é
e que assim seja

Escobar Franelas
228

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Escritor e cineasta, é autor de "hardrockcorenroll" (poesia, 1998), "Antes de Evanescer" (romance, 2011), "Itaquera - Uma Breve Introdução" (história e memória, 2014) "haicaos - feridas, fragmentos e fraturas poéticas" (poesia, 2018) e "Premiado" (Romance 2019). Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.Entre eles o documentário "São Miguel, destino: Movimento Popular de Arte" e Cores e formas do coração - assinado Hélvio e Adélia Lima - 2019 Seus perfis e produção também estão: no Blogger "vs. eu" http://escobarfranelas.blogspot.com - no Facebook https://www.facebook.com/escobar.franelas no Youtube https://www.youtube.com/user/Efranelas