Escritor e cineasta, é autor de "hardrockcorenroll" (poesia, 1998), "Antes de Evanescer" (romance, 2011), "Itaquera - Uma Breve Introdução" (história e memória, 2014) "haicaos - feridas, fragmentos e fraturas poéticas" (poesia, 2018) e "Premiado" (Romance 2019). Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.Entre eles o documentário "São Miguel, destino: Movimento Popular de Arte" e Cores e formas do coração - assinado Hélvio e Adélia Lima - 2019
Seus perfis e produção também estão:
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no Youtube https://www.youtube.com/user/Efranelas
Lista de Poemas
PROVÉRBIOS
pensar na palavra respeito
abrir a palavra respeito
dissecar a palavra respeito
pesar a palavra respeito
duvidar da palavra respeito
aprovar a palavra respeito
porque a raiz de respeito vem do amor
porque a rima de respeito é amor
porque o rumo da palavra é o amor
respeitar o respeito
Escobar Franelas
161
LEVITAR
todo olhar tem um bater de asas
toda voz é música de encantamento
toda boca sopra ventos alísios e
todo sonho é aurora austral
nunca me perguntei o que acontece
antes ou depois do ato
dessa peça que enceno, mesmo sem querer
todos os dias e em todos os lugares.
a linfa que corre em mim flui incertezas
e o drama de reconhecer vidas
nessa camada indefinida
entre a pulsação de poesia e as batidas do coração
o que sou? de que somos feitos?
todo sorriso me parece uma serra de cortar neblinas
todo choro lava a alma e
memórias e expectativas são perfumes
entrelaçados nas narinas do meu presente
vivo alívios poéticos na dureza rude das pedras
Escobar Franelas
156
Para que serve a poesia?
" Para me levar à loucura ou me tirar dela. Para me levar ao éden sem ter que apelar à existência de algum deus. Para que eu goze sem precisar do esforço do corpo ou da mão. Para que eu possa fruir a vida com vários verbos lindos: sublimar, curtir, sublevar, extasiar, sonhar..."
Escobar Franelas
185
RUBRICA
os estados unidos da américa
tocados pelos nobres ideais
que movem a democracia
e os estados unidos do brasil
levados pelo mesmo sentimento
de seu irmão do norte
impediram o poeta de dizer
não
a mão da liberdade pesa
pois o olho da justiça é cego
e já que é proibido proibir
impedir o permitir torna o todo igual
numa inédita rotina vária
os estados unidos de qualquer lugar
são uma mesma república
de ser o que não se é
e servir a quem não se vê
Escobar Franelas
254
PARTO
em algum lugar
aqui
poemas poetam-se
alguns em silêncio
outros, com estardalhaço
em algum tempo
agora
projetos de poema
alguns vindo
outros, indo
outroutros, estanques
todo poema contém poetas
poetas não contêm o poema
Escobar Franelas
167
SOLSTÍCIO DE UM VERÃO ETERNO
a poesia acorda, levanta, vai para a sala
encontra o homem que a nota
mas faz que não
e apressado, sai pra trabalhar.
a poesia não se abala
roda a casa, vai pra rua,
acompanha seu homem
cumprimenta outras pessoas
pinta pneus de vermelho
e as vozes de música
e o sangue transparente
cata pedras na rua
e faz colar de pétalas
tranca a sisudez na gaiola
leva a zebra pra passear
a luz da poesia ofusca o maucaratismo da inveja
e faz a sombra sambar
as cores de seu leque são sinfonia
abanando bach e beethoven
no arco-íris sem fim
o circunspecto crente que afirma
que só a poesia salva
goza o gosto da prosa
com sancho, macbeth ou borges
com cecília, virginia, macabéa
com ou sem rosa
já o cético em dúvida
mesmo com a prova dos nove
irá ao inferno de dante
para depois ascender
ao céu de tantos tons
dos diamantes dos beatles
alguns versos descansam
nos vãos do esquecimento
contudo, contra tudo
a poesia nunca dorme
mesmo entre mortos
Escobar Franelas
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