Fábio Romeiro Gullo

Fábio Romeiro Gullo

n. 1980 BR BR

n. 1980-08-08, Santos

Perfil
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Biografia
Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.

Poemas

47

o abismo


todo verso
um suicídio
e um renascer
em signos
486

amortecido


Imaginou a morte mil vezes:
as Mil e Uma Noites que todos escrevemos
a mando do medo.

Recitou de si para si suas lembranças:
todas doces e belíssimas
como poesia.

À base de morfina
disse (delirou) para a escrita do filho:

toda vez um talvez
solidão plena da aparência
absência da essência


Sem querer
haviam descrito a existência humana,
as palavras amor-
tecidas.
515

uma viagem solitária


apesar
da paisagem
a poesia su-
porta o pesar
por só estar-
mos
de passagem
469

poeira


após o princípio foi a palavra
caindo sobre tudo

partícul-
a
partícula

letr-
a
letra

até que nada restasse
à vista
exceto a língua
cobrindo o mundo

camad-
a
camada

opaca como poeira
514

cálculos pontuais


Cada sinal cuidadosamente evitado é uma reverência feita pela escrita ao som que ela sufoca.
Theodor W. Adorno, Sinais de Pontuação


?
, + . = ;
. + . = :
: + . = ...
- + - = -
( + ) = ( x )
- - - = -
; - , = ,
... - . = :
: - . = .
!
543

versívoro


mudo
testemunho
dizemos a
quietude
de ser na
luz
mais
de ser ainda
na sombra
escrevemos
viva
ó
viva
semp
terna
pergunta
por que é
preciso sofrer
para descobrir
provisório
por quê

versívoro
ser
não sendo
criar salva
do desespero
cria(-se) em
desespero
cria(-se) do
desespero
lamenta a
lentidão da
luz
tua mãe lacrimeja
antes que tu
vejas
depois da morte
não poderás mais criar
desculpas para a culpa
de ter nascido só uma
vez
verseja
508

açougue de signos


no açougue de si
gnos ou cemitério ci
ber n
ético
todos os tipos de cortes à escolha do cli
ente
542

narciso de areia


eco no deserto
o vento na b
oca de um boneco
cego
surdo
mu(n)do
sem ego
e(s)
coa do homem
a voz
que vem do ventrilouco
seu g
rito a primeira explosão

em cada de
-ci-
são de existências

escolhas de d
eus
ou
vidas
555

chuvisco


no disco
ao raio da agulha
condensa-se o silêncio
corre o chuvisco
quase-música
.............................
nas alturas
ao raio de Zeus
cai a chuva
fria
úmida
tédio
sobre prédios
562

smile


in multimidia res perpétuo
porque gotas-começo e gotas-fim tornam-se
um só jorro-presente quando o tempo inveja a luz
aquele que prefere imagens a palavras (a[na]lógicas
mesmo em prosa palavras jamais alcançam alta-definição)
é o mesmo que faz (palavras) cruzadas à lápis
sente emoções via emoticons
e assistirá ao apocalipse catódico-cristão vestindo óculos 3D
(eis a imagem: o mundo acabando num ataque epilético
sob um sol estroboscópico com forma de :-)
501

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