farlleyderze

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Pianista e escritor.

n. , 21021963

Perfil
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O tamanho da eternidade

Quem poderá dizer qual é a profundidade da eternidade?

Penso nesse amor no qual caio em queda livre, ao mesmo tempo em que os ponteiros dos segundos passam mais lentos que os das horas.

Meus desejos me cercam como um monstro calado com seus muitos braços, e muitos pensamentos também.

Eu sei que você pensa em mim quando quer, mas só quando quer.

O tempo é uma espécie de poço e cada um tem o seu próprio poço com diferentes ecos.

Agora mesmo minha garganta se abre com as sílabas do teu nome que gotejam do alto da minha mente.

Felizmente só eu escuto.

Tem sido sempre assim, esse gotejamento que depois vira uma cachoeira de outras palavras que espumam promessas misturadas com o teu nome.

Eu coloco uma tampa no poço.

Aprendi a fazer o tempo parar.

Cada pessoa tem a eternidade do tamanho que consegue.
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Biografia
Farlley Derze vive em Brasília, Distrito Federal. Nascido em Rio Branco, capital do Acre, morou no Rio de Janeiro, Guaratinguetá (SP), Madri (Espanha) e Miami Beach (EUA). Escreve desde a adolescência. Começou com poemas e este é seu primeiro livro de contos. É pianista, formado pelo Conservatório Carminha Alonso (RJ), graduou-se em Licenciatura em Música, pela UNIRIO (RJ), possui três pós-graduações: especialização em música brasileira, especialização em história da arte e especialização em teoria da literatura e produção de textos. Possui mestrado em música, é doutor em arquitetura e urbanismo e fez seu pós-doutorado em estética, semiótica e hermenêutica (UnB, Brasília). É autor do Método de Rearmonização com Acordes Menores. Possui cinco discos autorais. Escreve artigos, contos, crônicas e poesias.

Livros publicados na Amazon: https://amzn.to/3sS8iMP

Site: farlleyderze.com
Blog: farlleyderze.wordpress.com
Medium: https://farlleyderze.medium.com
E-mail: [email protected]
Twitter: @farlleyderze
Facebook: www.facebook.com/farlleyderze
Youtube: youtube.com/farlleyderze
Editora: microeditorapress.com

Poemas

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Sonho morto

Com as mãos trêmulas tira da prateleira a xícara e o pires de porcelana.

Com as pernas do passado caminha até a mesa e, sem fazer ruído, pousa o pires, a xícara e a sua solidão.

Retorna à prateleira com os olhos vazios e retira o pote de café. Abre uma das gavetas onde dorme uma colher de aço que sobreviverá ao tempo.

Caminha até a mesa como um relógio que anda para trás.

Abre o pote de café e afunda nele a colher, mas se dá conta de que se esqueceu do bule, do filtro e da garrafa térmica.

Deixa a colher mergulhada no pó como uma pá cravada num cemitério.

Abre outra gaveta e seus dedos se movem como se tateassem algodão. Tira de lá o filtro de pano encardido de memórias. Abre a portinha superior do armário onde guarda o bule e a garrafa térmica.

Coloca o conjunto sobre a pia ao lado do fogão.

Encaixa o coador de pano e faz uma pausa para respirar.

Busca o pote de café e o coloca ao lado do filtro. Retira dele três colheres rasas para preencher o fundo do coador.

Enche o bule até a metade com a água da torneira.

Acende o fogão com um fósforo porque não gosta do ruído do funcionamento elétrico.

Deposita o bule sobre as chamas e observa a água tão calma como sua rotina sem palavras.

De repente um facho de sol raspa em sua janela e distrai sua atenção.

Observa o friso de luz que parece vasculhar sua intimidade, sua casa, seu resto de madrugada.

Entrevista o silêncio sem querer respostas. Que seja apenas o que tem sido, ora um confidente ora um vilão.

Borbulhas da fervura da água reclamam sua atenção.

Apaga o fogo e observa a água acalmar-se debaixo do vapor que desaparece no ar como tantas outras coisas.

Despeja a água no filtro sem nenhuma pressa, como quem derrama saudade e dor.

Vê o café atravessando o filtro feito um fiapo de escuridão solitária que se mistura nas espumas do tempo.

Conclui que cada dia é uma lâmina que disseca ilusões.

O sol faz mais força para invadir.

Suas mãos erguem a garrafa térmica como um troféu aposentado.

Caminha na frente da própria sombra em direção à mesa.

Apoia seu corpo com uma das mãos espalmada sobre aquela fração da eternidade, e senta-se ao som do próprio suspiro.

Olha sua xícara vazia e a cadeira vazia do outro lado.

O aroma do café lhe sussurra uma lembrança.

Despeja o café na xícara como quem enxerga um sonho morto.

Pega na xícara com a mesma lentidão dos dias anteriores. Toma um gole na esperança de que o futuro realize seu último segredo.
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