felixa

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n. 2001 BR BR

Se ser poeta ainda tem definição, e é padrão, despenso. E enquanto não descubro, escrevo para algo ou alguém que marcou algum momento em minha vida

n. 2001-11-23

Perfil
11 413 Visualizações

não senti, só vi

hoje vi flores
vi sabores
esperei por você.
hoje vi mãos dadas
abraços demorados
imaginei gente.
hoje vi mais sorrisos ao olhar as telas dos celulares
vi também mais sorrisos pessoais.
ouvi mais conversas
imaginei sua ligação
vi as pessoas mais produzidas em seu interior
o trânsito mais garrado
vi o ser humano vivendo outra vez
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Poemas

30

com o viver

e quando a depressão bate na porta
não há quem não a deixe entrar
tranca-se o pássaro azul que há
tudo se torna mar
dias sim, dias não
principios da depressão
querer fugir mas não correr
querer lutar, mas ceder
[con]viver
343

contradição

eu escrevo pra ver se tiro um pouco de você da minha mente
mas quando mais escrevo, mais eu penso
da minha alma
mas quando mais eu penso, mais ela se aquece
da minha cama
que enquanto você não vem, ela nem se aquece tão bem
escrevo porque cada vez que vejo sua foto, tenho uma nova poesia
fazer o que se estou sendo clichê e idealizadora
ainda nem conheço seus defeitos
mas sei que eles podem se encaixar aos meus
e se não encaixar combinará mais com a palavra amor
nem acredito que choro
que me entristeço
e que sorriu várias vezes durante o dia
acredito
falo de você para as minhas amigas
falo para mim mesma
calma Maria, você nem sabe ainda
que adianta se o coração desobece a mente
e nunca há acordo
355

desandar

o coração dispara menos
as borboletas dos estômagos vão morrendo
a imaginação já não vai tão longe assim,
ainda que eu tente...
o sorriso vai sumindo,
já nem sorrio
já nem te procuro
já nem me importo se está no meio ou separado da multidão
340

Tempo

as memórias que entram sem bater na porta
e nos deixa a pensar
(por hora e horas)
são as que mais doem
440

Último ano

estou prestes a envenenar-me, mas uma gota de vaidade ainda aquece minha alma
estou prestes a jogar-me de um penhasco, mas a ponta de um dedo ainda me toca
estou prestes a secar-me completamente, mas ainda há palavras, que surgem, inesperadas e afagam-me
estou prestes a matar-me, mas a angústia é o que trem me trazido um pouco de (mais) vida
prestes a desamarrar a corda que segura tantas mágoas, que acolhe tantas tristezas, que abraça tantos falsos abraços e sorrir tantos falsos sorrisos
ando prestes a conclusão do algoritmo que se inverte todo processo, como a replicação de um DNA
prestes a desamarrar o pássaro azul de Biscowsky e apanhar ao tempo que me matou ao ler Machado de Assis
404

Escer

Espero que goste de alguém 
como eu gostei de você 
Que não passe pelo que eu passei 
e nem sofra o que sofri 
Espero que goste de alguém
que goste de você também 
Que te trate e queira bem 
Que saiba dar valor 
ao amor que um dia tanto falei
386

ei

Quantas risadas dei 
Várias vezes te encantei 
Tantas vezes lhe amei 
E tanto me doei 
E você, o que "feiz"?
423

Afim

De que adianta ter olhos e não saber ver 
ter voz e não ter o que dizer 
Digam o que disserem
Façam o que quiserem 
ninguém diz 
ninguém vê 
ninguém faz 
como você 
ninguém me canta 
ninguém me encanta 
como você
430

Dos favoritos

" (...)
Toma um fosfóro, acende teu cigarro 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que te afaga
É a mesma que te apedreja "


- Augusto dos Anjos
395

Preto

Quando você pensa pobre
Pensa preto
Imagina favela
Imagina crime
Sente medo.
Lembra do gari da rua
Da empregada da sua casa
Das crianças de escola pública
Dos lugares onde você nunca imagina seu filho
E é justamente lá onde ele está, porque quer
Porque é privilegiado da cabeça aos pés
Porque é branco, sim.
É condomínio fechado
É a melhor escola da cidade
É o cursinho de inglês
É o carro que busca na porta todos os dias.
Que o menino preto de rua limpa enquanto o sinal está fechado
É o vidro que você fecha com medo de ser assaltado por mais um preto favelado
E quando chega em casa
Tem o almoço feito pela preta que não merece mais que um salário mínimo
Limpando, lavando, secando, campinando
Ao total, mais de oito horas de trabalho por dia.
E ainda mais quatro horas nos finais de semana para limpar a própria casa
O preto que sustenta seu ego
É o preto sempre o marginalizado.
421

Comentários (3)

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Thaís Fontenele

Estou aqui hahaha, Observações no poema, não senti, só vi; pois estou numa situação parecida, observando uma vida de longe, que tanto senti e ainda sinto, me encontrei neste poema, nesse momento! Parabéns, por esse e pelos outros, bons poemas! Beijooooo!

felixa

thaisftnl, fiquei muito feliz de receber seu comentário. Acompanho também seus poemas. Me senti aquecida, grande abraço!

Thaís Fontenele

Sigo lendo suas poesias! Adorei, são poemas lindos! Estou encantada, pois retratam seu cotidiano de uma forma que me parece extremamente real!!