felixa

felixa

n. 2001 BR BR

Se ser poeta ainda tem definição, e é padrão, despenso. E enquanto não descubro, escrevo para algo ou alguém que marcou algum momento em minha vida

n. 2001-11-23

Perfil
11 427 Visualizações

não senti, só vi

hoje vi flores
vi sabores
esperei por você.
hoje vi mãos dadas
abraços demorados
imaginei gente.
hoje vi mais sorrisos ao olhar as telas dos celulares
vi também mais sorrisos pessoais.
ouvi mais conversas
imaginei sua ligação
vi as pessoas mais produzidas em seu interior
o trânsito mais garrado
vi o ser humano vivendo outra vez
Ler poema completo

Poemas

30

Dos favoritos

" (...)
Toma um fosfóro, acende teu cigarro 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que te afaga
É a mesma que te apedreja "


- Augusto dos Anjos
395

Outra vez, Maria

Ai está você mais uma vez, Maria 
O mundo passando 
E você, sonhando com irrealidades 
Como é bom!
Como é bom...
389

Molhares

Uma pessoa que via um futuro grandioso para cada homem que a tocava
Um dia, ela se tocou 
379

Maria

Nem eu mesmo sou capaz de optar por meus pensamentos
quem dirá aquele indivíduo que há de escutar um dia
Chamaria-me de fraca
Chamaria-me de louca
Mandaria-me lavar uma louça
E seja verdade
Muitas vezes desejo ser fraca
Desejo ser Magdá
Desejo ser criptografada
E desejo sempre descordar de mim mais uma vez
E que seja mentira
Que eu seja Maria
Que eu seja forte mais um dia
Que eu seja mais uma vez
Renovação
449

Teté

Ombros nus... 
Vestida com um cordão
É uma boca que devora sem mastigar
Que devora à distância
Sem ter que tocar
Que atrai os olhos
E desperta os sentidos
428

Sol das 09:30

cada dia menos um amigo
cada dia menos sorrisos
na volta pra casa menos assuntos
menos olhares.
menor tem sido nossa roda de amigos
a única verdade que sabemos é que mentimos
nenhuma novidade
o silêncio já faz parte
sabemos tudo de conteúdos
fazemos tudo de resolução
e pra dentro de cada um já tem a construção do caixão.
sinto falta de ser feliz.
380

Sociedade

Das 4h as 5h da manhã os indignos se deitam e outros se levantam, sem tempo para tomar café, são os verdadeiros sóis dos demais
Das 06 às 07h da manhã acordam àqueles enobrecidos do café da manhã, alguns de caminhada, outros do jornal, se não, até mesmo de um banho morno-frio e se mostram felizes
No decorrer da manhã tudo se faz satisfeito, irritante pelo pé esquerdo da cama ou ainda resignado
Ao meio dia todos comem, se empaturram, se tornam os mais covardes e truculentes possível
Das 13h às 15h todos se fazem mortos, desejam subtamente abandonar tudo pelo digno descanso que qualquer homem diz-se merecer e nesse mesmo horário as crianças se fazem insuportavelmente raivosas
A partir das 15h até às 18h as personas aplumam-se novamente, focam, finalizam a casa, os documentos, os automóveis e preparam a janta
Por volta das 17h quando o sol começa a se pôr é a hora que a cidade para. É a hora da saudade. E então bate a melancolia sob todos os olhares, e nenhum ofício é capaz de redirecionar a mente
Às 19h clamamos e fingimos acreditar em algo para que sejamos capaz de adiar mais um dia aquela ponte e então chegar em casa
Das 20h em anterior já estariam dormindo, mas atualmente este momento corresponde a recarga da bateria e prazer a dopamina, consequentemente desativamos o córtex
As outras opções tem-se àqueles que então iniciam seu dia, ou após uma pequena pausa, como uma fusa de uma nota musical, voltam-se agora a outra atividade
Dai em diante tem-se a mimese do cenário com a alteração para uma Lua
até enfim adormecem, enfim pois não há hora, não há autoridade ao sono, a saúde. Há somente a hora de acordar e repetir o mesmo papel até que algum caminho de ida, volta ou de ficar em casa seja deteriorado
431

Último ano

estou prestes a envenenar-me, mas uma gota de vaidade ainda aquece minha alma
estou prestes a jogar-me de um penhasco, mas a ponta de um dedo ainda me toca
estou prestes a secar-me completamente, mas ainda há palavras, que surgem, inesperadas e afagam-me
estou prestes a matar-me, mas a angústia é o que trem me trazido um pouco de (mais) vida
prestes a desamarrar a corda que segura tantas mágoas, que acolhe tantas tristezas, que abraça tantos falsos abraços e sorrir tantos falsos sorrisos
ando prestes a conclusão do algoritmo que se inverte todo processo, como a replicação de um DNA
prestes a desamarrar o pássaro azul de Biscowsky e apanhar ao tempo que me matou ao ler Machado de Assis
405

Tempo

as memórias que entram sem bater na porta
e nos deixa a pensar
(por hora e horas)
são as que mais doem
441

Preto

Quando você pensa pobre
Pensa preto
Imagina favela
Imagina crime
Sente medo.
Lembra do gari da rua
Da empregada da sua casa
Das crianças de escola pública
Dos lugares onde você nunca imagina seu filho
E é justamente lá onde ele está, porque quer
Porque é privilegiado da cabeça aos pés
Porque é branco, sim.
É condomínio fechado
É a melhor escola da cidade
É o cursinho de inglês
É o carro que busca na porta todos os dias.
Que o menino preto de rua limpa enquanto o sinal está fechado
É o vidro que você fecha com medo de ser assaltado por mais um preto favelado
E quando chega em casa
Tem o almoço feito pela preta que não merece mais que um salário mínimo
Limpando, lavando, secando, campinando
Ao total, mais de oito horas de trabalho por dia.
E ainda mais quatro horas nos finais de semana para limpar a própria casa
O preto que sustenta seu ego
É o preto sempre o marginalizado.
421

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Thaís Fontenele

Estou aqui hahaha, Observações no poema, não senti, só vi; pois estou numa situação parecida, observando uma vida de longe, que tanto senti e ainda sinto, me encontrei neste poema, nesse momento! Parabéns, por esse e pelos outros, bons poemas! Beijooooo!

felixa

thaisftnl, fiquei muito feliz de receber seu comentário. Acompanho também seus poemas. Me senti aquecida, grande abraço!

Thaís Fontenele

Sigo lendo suas poesias! Adorei, são poemas lindos! Estou encantada, pois retratam seu cotidiano de uma forma que me parece extremamente real!!