A música do amor
São os gemidos meus e teus sem dor
É o correr do rio no seu fervor
No esplendor da chama do amor
F. Granja
Sorrisos
Sorrisos são como borboletas suspensas no ar,
Atrai-nos o olhar e sorrimos...
São seres ligeiros e brilhantes na cor,
Muitas delas vivem só um dia ,
Não chegam a amadurecer ,
Nascem com o dia e acabam o circulo antes de anoitecer
Não me importava de lhes seguir o exemplo,
Cada dia nova vida
Não haver tempo para ver os defeitos,
Viver com eles sem me importar com a exactidão
Viver o voo.
F. Granja
F. Granja
Olá Bianca,
Mais uma vez teus olhos doces me viram.
Senti-me tão bem com o teu doce olhar.
Faz muito tempo que olhos tão doces me miraram
E sabes, sinto-me bem ao ser mirado por tal beleza que è a tua.
Já me sinto além... beijando tua formosura.
Ai Bianca, que meus olhos pairaram sobre os teus
E senti que tu também gostas-tes de os ver
Mas também senti que tu sentis-te
Algo que te faz pensar além daquilo que sentimos um pelo outro...
Lembras-te d’aquele momento que tu espontaneamente vies-te sentar-te a meu lado?
Pediste-me que eu te mostra-se as fotografias ali tiradas.
Devo confessar que as fotografias não são de grande qualidade.
Acho-te muito mais bela ao vivo.
Que delicia respirar o perfume teu!
Penso que desde esse momento a minha alma engrandeceu.
Ela è o porto que deseja abritar-te
Disposta a receber a malícia das tuas ondas.
Há certa musica que gostaria de a escutar e bailar contigo
HASTA SIEMPRE COMANDANTE de Robert wyatt
Quem me dera que aceitasses pelo menos a escuta da musica ,
Mesmo que eu não esteja presente.
Só o pensamento de sentir-te com uma pequena frase que possas devolver-me
E que nela tudo pões o quanto prazer terias tido
Ao escutar o som profundo que te toca
Ai que felicidade seria saber-te feliz!
O mistério dos teus olhos faz-me sonhar contigo
È um sonho agradável, realmente já visto com meus olhos.
E tuas mãos! Que doçura, meigas ao agarrarem as minhas
Que prazer interno senti eu, sentir-te
- Bianca meus olhos gostariam de ir passear contigo as florestas,
Falando , cantando, saltitando, sentindo e mergulhando
Aqui e além nas poças d`água
E depois ir-nos secar ao sol a química humidade da água.
Ai que calooooor!
Vou já sentindo neste sonho ao vivo.
Pousar nossos corpos numa pedra quentinha à cabeceira da floresta,
Um céu azul e pombas brancas, trazendo-nos presentes de amor.
F. Granja
A ENTREVISTA
I
Não sei se era teu seio ilha encantada ..
Paraíso de canto,
De perfume, d`amor e formosura..
Se um templo à beira-mar... Um templo santo.
De luz e aroma cheio...
Não sei ... Pois sabe alguém sua ventura?
Não dormia embalada no teu seio
Minh'alma sossegada.
II
Um suspiro prece...
Leva-os o vento pela noite escura!
Sonho! Um sonho que esquece!
Mas não se esquece o sonho da ventura!
Que fantasma nos brada avante avante,
Esquecer! Esquecer!
O coração não quer! Não quer ... Não pode!... Luta vacilante!
Onde teve seu ninho e seu amor,
Aí há-de ficar, pairar no céu deserto,
Ave eterna de dor
III
-Nunca mais! Nunca mais!
Que diz a onda à praia? Há um destino
Triste partido, em seu gemer divino,
E um mistério infeliz naqueles ais!
- Nunca mais! Nunca mais!
- E o coração que diz às mortas flores
- Do seu jardim d'amores?
- Como a onda jamais!
VI
Se eu pudesse sonhar ? Ah ! Posso ainda
Sonhar... se for contigo!
Sempre! Sempre a meu lado, imagem linda...
A noite é longa... Vem falar comigo!
Estende os teus cabelos...
O céu da tua Itália, não, não brilha
Como brilham meus sonhos, vagos, belos,
Se me falas à noite em sonhos, filha!
V
Levaram-te! Levou-te a onda dos mares!
A asa da águia! O vento!
Geme cativa- Chora sem alento,
Pomba d`amor, saudosa dos teus lares !
Teu ninho agora , é triste, glacial...
Um leito conjugal!
Antes a terra escura, pobre escrava,
Aonde-sob a abóbada sombria-
Tua alma os voos livres entendia...
E o coração amava!
Angelo Poliziano, Poeta Italiano (1459-1494)
Edgar Allan Poe "The Assignation"
Traduçao de: Antero de Quental
-A Entrevista-
Libertar-me
Libertar-me de trambolhões mentais
Dar-me à vida, às boas ideias e sentimentos
Deixar-me ir como o rio servindo seu destino
Sem se queixar
Sem se importar de quedas ou barragens
E desaguar no imenso manto liquido
Nadar, s'embrulhar
Respirar, absorver o espaço
Entrar dentro do vento, sentir-lhe a dança
Estar à chuva e sentir a ilha que somos
Amar a brasa da vida.
Fernando Granja
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.