"Minha nem sempre lúcida mente se transborda pela caneta, escrevendo o que resta de mim, o que não cabe em mim, o que escondo em mim... os restos de minhas irrealidades..."
Numa tarde de inverno o céu azul, sem núvens, colore a vida sem cor. Aguardo a tristeza se por.
Em meio a um riso amigo, e um otimismo exacerbado cercado por ipês rosa que celebram a liberdade da praça.
Em meio à passos e prosa, tabletes de chocolate adoçam as palavras amargas a hipotetizar futuro sofrer.
Nem mesmo a boa conversa nesta bela tarde invernal finda a minha casmurrisse. Esta minha esquizitisse...
Não importam quantas sejam as cores, olhos pessimistas não as enxergam igual. Sofro de daltonismo sentimenal.
182
Serra
Leve-me para onde a cidade acaba, por entre as serras, as pedras do caminho refletem o sol do inverno. A tarde é quente, o coração é frio.
Leve-me para onde o cerrado começa, subir a serra pelas picadas incertas que levam para o fim da civilização. Soletária trilha, cidade multidão.
Leve-me para onde a paz exista, por entre a mata tortuosa e seca o pó de minério faz a terra brilhar. Para baixo, o cinza, cores para cá.
E vamos contemplando a imensidão, os prédios encrustados no horizonte e as pessoas ocupadas em viver a sós. A tarde termina, começamos nós.
183
Oriente
Quisera eu fossem apenas pedras no caminho, quisera eu fosse apenas um atípico desastre. Mas tão longa estiagem secou toda esta terra secou a esperança de se que plantando tudo dá, secou a esperança de que há de se pode melhorar, secou o coração, secou o humor, sobrou espinho.
Mas e agora, então, o que resta a mim fazer? Nesta depressão em que se encontra minha morada não há prespectiva de melhora, futuro incerto. Certo, a única certeza que me resta é de mudança, ser todo a certeza de que há por migrar piança, certo de que ou sofro por mudar ou fico a sofrer.
Encaro a minha eira pobre, seca, devastada, desfaço-me em lágrimas, a decisão tomada. Não há mais salvação na depressão que habíto. Sou só soluço e choro por optar pelo abandono, e este seco solo meu triste pranto vai aguando, acalmo as minhas lágrimas, minha alma resignada.
Enpacotados todos poucos sentimentos que tenho, estou pronto para rumar a lugar que me oriente. O pesar de milhas escolhas pesa meu inconsciente, me fez voltar ao meu seco quintal de pensamentos. Ao contemplar a terra, quedei em grande espanto no canto em que chorara, jazia muda de sustenho.
Esta pequenina muda muda todas as circunstâncias, um pequeno é de lima limou a tão gasta esperança, um turbilhão de idéias, os pensamentos em dança. "Ou sofro por mudar, ou fico a sofrer", hoje é incerto. Certo, é que já não há certezas, dúvidas em voga. Certo é que singela limeira acalmou as urgências.