Filipe de Leucas

Filipe de Leucas

"Minha nem sempre lúcida mente se transborda pela caneta, escrevendo o que resta de mim, o que não cabe em mim, o que escondo em mim... os restos de minhas irrealidades..."

n. 0000-00-00, Belo Horizonte

Perfil
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Daltonismo Sentimental

Numa tarde de inverno
o céu azul, sem núvens,
colore a vida sem cor.
Aguardo a tristeza se por.

Em meio a um riso amigo,
e um otimismo exacerbado
cercado por ipês rosa
que celebram a liberdade da praça.

Em meio à passos e prosa,
tabletes de chocolate
adoçam as palavras amargas
a hipotetizar futuro sofrer.

Nem mesmo a boa conversa
nesta bela tarde invernal
finda a minha casmurrisse.
Esta minha esquizitisse...

Não importam quantas sejam
as cores, olhos pessimistas
não as enxergam igual.
Sofro de daltonismo sentimenal.
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Poemas

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Daltonismo Sentimental

Numa tarde de inverno
o céu azul, sem núvens,
colore a vida sem cor.
Aguardo a tristeza se por.

Em meio a um riso amigo,
e um otimismo exacerbado
cercado por ipês rosa
que celebram a liberdade da praça.

Em meio à passos e prosa,
tabletes de chocolate
adoçam as palavras amargas
a hipotetizar futuro sofrer.

Nem mesmo a boa conversa
nesta bela tarde invernal
finda a minha casmurrisse.
Esta minha esquizitisse...

Não importam quantas sejam
as cores, olhos pessimistas
não as enxergam igual.
Sofro de daltonismo sentimenal.
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Serra

Leve-me para onde a cidade acaba,
por entre as serras, as pedras
do caminho refletem o sol do inverno.
A tarde é quente, o coração é frio.

Leve-me para onde o cerrado começa,
subir a serra pelas picadas incertas
que levam para o fim da civilização.
Soletária trilha, cidade multidão.

Leve-me para onde a paz exista,
por entre a mata tortuosa e seca
o pó de minério faz a terra brilhar.
Para baixo, o cinza, cores para cá.

E vamos contemplando a imensidão,
os prédios encrustados no horizonte
e as pessoas ocupadas em viver a sós.
A tarde termina, começamos nós.
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Oriente

Quisera eu fossem apenas pedras no caminho,
quisera eu fosse apenas um atípico desastre.
Mas tão longa estiagem secou toda esta terra
secou a esperança de se que plantando tudo dá,
secou a esperança de que há de se pode melhorar,
secou o coração, secou o humor, sobrou espinho.

Mas e agora, então, o que resta a mim fazer?
Nesta depressão em que se encontra minha morada
não há prespectiva de melhora, futuro incerto.
Certo, a única certeza que me resta é de mudança,
ser todo a certeza de que há por migrar piança,
certo de que ou sofro por mudar ou fico a sofrer.

Encaro a minha eira pobre, seca, devastada,
desfaço-me em lágrimas, a decisão tomada.
Não há mais salvação na depressão que habíto.
Sou só soluço e choro por optar pelo abandono,
e este seco solo meu triste pranto vai aguando,
acalmo as minhas lágrimas, minha alma resignada.

Enpacotados todos poucos sentimentos que tenho,
estou pronto para rumar a lugar que me oriente.
O pesar de milhas escolhas pesa meu inconsciente,
me fez voltar ao meu seco quintal de pensamentos.
Ao contemplar a terra, quedei em grande espanto
no canto em que chorara, jazia muda de sustenho.

Esta pequenina muda muda todas as circunstâncias,
um pequeno é de lima limou a tão gasta esperança,
um turbilhão de idéias, os pensamentos em dança.
"Ou sofro por mudar, ou fico a sofrer", hoje é incerto.
Certo, é que já não há certezas, dúvidas em voga.
Certo é que singela limeira acalmou as urgências.
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