De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
Enquanto ouço o silêncio aportado Um grito ecoa no mundo Tão persistente que ensurdece Tão loucamente, e padece Na utopia desprezada O silêncio arregalado vela A insuportável dor da perfeição
Ah! Se essa fábula existisse As lágrimas seriam de amor A criança não sentiria dor... Ah! Se o mundo soubesse O que fazemos escondidos Não haveriam feridos Nem as matas queimariam...
Com o silêncio aportado Da janela, vejo o sombrio Um passado que não se apaga: Ossos andando pelos campos
O passado, às vezes, são como galhos secos Numa memória contida por baques É como uma rua com vários becos Como uma pena sofrendo ataques
Uma vida nova no mundo Não faz o passado morrer
Porque no mundo está a ruína Do sangue que traz a herança A mim só resta a morfina E não perder a esperança
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BARRACO
Aqui tem poesia Porão de tábuas Sol inabitável Com musgos verticais Detestável aos mortais
Tem poesia Sete num cômodo Mais bichos de estimação Passeando nos pratos Empilhados no canto
Aqui a boneca fala Brinca consigo mesmo Faltando um braço Recita poemas e vaga Na inocência amarga
Em preto e branco A poesia faz chama Sacia com um verso no prato De sete sentados sem cadeira Na mesa posta sem mesa Sobram espíritos e vozes Declamarem em cada olhar
Aqui a poesia é nua Brinca no beco, flutua Aqui a poesia sonha: Atriz, professora Modelo, cantora... Aqui a poesia acorda para sobreviver
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MINAS GERAIS
Capelas Fuscas La dei ras Queijos Beijos
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AMIGO, TE IMAGINO PARA TER UM
Amigo, te imagino para ter um Não sou muito de conversar A não ser com o silêncio Com ele, passo noites em claro Ele me ouve com mais atenção, Com um olhar compreensível Como esse seu agora, Sabedor da minha tristeza
Ah, amigo Eu te imagino para ter um Com quem dividir a indivisível solidão As pernas de hoje vão e vem Sem tempo de se esbarrarem Não quero mensagens de ‘smartphone’ Quero a verdade dos olhos Dar ao fingimento um breve descanso
Senta-se ao meu lado Como sui generis Simples e humano como se deseja um amigo Não precisa ser perfeito, nem me bajular Mas precisa ser verdadeiro Ainda que haja discordância entre nós Eu te imagino para me calar E ouvir a voz do seu coração Me dizendo como é ruim a vida E como vale a pena, apesar de tudo Uivarei sem medo de ser instintivo Até não haver mais lágrimas
Se tenho amigos? Tenho-os guardados por toda vida O que acontece é que me sinto só…
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BEGÔNIAS
Ganhei presentes de pardais no meu jardim Ouvi os cantos, mas não pude perceber Que os presentes brotariam sem eu ver Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes Rosa floral em dégradé, quão flores belas! De muito encantos, como fossem aquarelas Se espalharam fartamente entre as paredes Pardais bondosos alegraram meu viver Deram calma ao meu revolto coração No meu jardim, uma amável inspiração Para agradar o meu amor, meu bem-querer
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FLERTE
Espreito de canto de olho Insinuações contidas Em tua forma de sentar-se No que hesitas, não escolho Tampouco nego (e quero) Não na forma, contudo, no olhar A tua chama a me chamar No que levantas, flertas Com todos tua beleza Todavia, quando percebes... Ao meu notar, te desconcertas Tu inclinas a cabeça... O que te sentes, doce dama? Que seja toda sua chama Porque te espero em cada olhar...
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MEDO DE TE AMAR
Quanto medo tive de te amar Quantos perigos despertaste em mim Tive medo de ser teu Medo da recusa Medo de ter medo de te amar Ainda assim Amei-te muito Amei-te mais que eu
De tanto medo de te amar Amei-te com medo de tudo Por isso, em tudo falhei
Por ter te amado tanto Esqueci da vida Esqueci de mim...
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TEU AMOR ME CUSTA
Teu amor me custa Morde e assopra a ferida E não percebes inflamar Teu amor me dá febre E o calafrio me impede sonhar Procuro a claridade, mas não acho Em trevas me cobras Há uma máscara que (tu)sorris para o mundo Outra que choras em ocasiões especiais E mais outra com que me amas Tu feres sem bálsamo E eu convulsiono a alma. Teu amor me custa, e não tenho como pagar (E mesmo que eu pagasse, ainda assim estaria condenado) Teu amor é prisão Teu amor é solidão Teu amor é tudo, menos amor Pô, tu não me amas!
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PERGE
A maior de todas as desilusões Causada pela maior de todas as ilusões A maior de todas as verdades Causada pela maior de todas as mentiras Percorrendo o mundo à procura do tudo por nada Enganado pelo encantamento Dissolvido foi o sentimento De um sentido sem sentido Um coração foi partido
A realidade nua e crua Quando o encanto se quebrou Abatido ficou a alma Mas calma, calma! Trazido foi para o mundo real O tempo deixa a marca, mas fecha a ferida Se cair, levante-se e caminhe Por coisa difícil ser é o amor E se a escuridão vier Corra para a luz
Ninguém pode tirar tudo o que conquistou Tudo o que é bom, justo e agradável Das pérolas e diamantes Pedras cintilantes
Mas, se ainda assim a tristeza vier, não pare Vença as areias da vida Com resilientes pegadas Olhe para o céu sem véu Peça forças ao Criador E sem o menor temor Não pare, siga!