Frederico de Castro

Frederico de Castro

n. 1961 GW GW

Escuto o sentir das palavras e então esculpo-as nos meus silêncios, dando-lhes vida forma e cor. Desejo-as, acalento-as, acolho-as,embelezo-as sempre com muito, muito amor…

n. 1961-06-20, Bolama

Perfil
334 874 Visualizações

Ver-te nos olhos de mim



E assim se multiplicou aquele visceral momento de ilusão
Adiando até a madrugada que absorta nos limites do tempo
Destronou a luz escapulindo por entre toda a balburdia de festejos
Debruados numa sôfrega rima despida de flamejantes e ígneos desejos

Depois acorda a manhã envolta numa magistral embriaguez
Abandonada num espesso silêncio matinal aromatizando o cerne da
Esperança onde escorre a seiva dos meus clamores passionais, qual
Oclusa saudade sulcando os céus talhando essas gargalhadas quase colossais

Ato aos meus desassossegos todos os gomos de uma emoção deixada
Nos escombros do tempo pintalgando as cordilheiras da ilusão com
Os mais nobres desejos que soletro nesta incógnita e abastada desilusão

Ver-te nos olhos de mim incute a cada sonho o sôfrego registo
De um beijo mais veemente resgatando os fragmentos de tantas solidões
Escapulindo deste abissal silêncio desenhado e esculpido...a três dimensões

Frederico de Castro
Ler poema completo

Poemas

281

Dentro do interior



Uma hora vitalícia repleta de
Emoções tão gentis vagueia além
Enlaçada ao luar tão excêntrico

Alimenta um empírico silêncio
Confinado ao interior deste geométrico luar
Onde adormece um breu profundamente feérico

A solidão impetuosa transfunde um eco majestoso
Deixa ininterruptos lamentos a bailar na maresia
Dengosa, qual breve e flutuante onda levitando amistosa

Frederico de Castro
183

Rústico anoitecer



Entre labirínticos silêncios cada hora
Rústica estimulada e tão bajulada
Anoitece mansamente congratulada

Deixa além uma colectânea de emoções
A reverberar sempre dissimuladas
Impossível adiar a noite que chega emulada

Frederico de Castro
166

Dois compassos de solidão



Em dois compassos a musica flui pela
Manhã elegantemente lisonjeada, até
Emudecer cada ritmo feliz e desejado

Correntes verticais ascendentes galgam
Aquelas brisas intemporais e prepotentes
Até remasterizar o silêncio intenso e contundente

Em Mi menor orquestra-se uma luminescência
Arrogantemente bela e irreverente como que
Plagiando um beijo esperado e tão latente

Frederico de Castro
166

Rumores(im)perturbáveis



Anda rondando esta solidão uma
Angustia, uma emoção quase sedutora
Engole a maresia caiada de ondas redentoras

Perdida na invisibilidade do tempo a loucura
Alicia uma hora deveras tão constrangedora
Pernoite à beira desta escuridão quase aterradora

Tenho como aliado todo este silêncio caluniador
Apraz-me seduzir um eco absurdamente pecador
Removo cada lágrima caindo na face do tempo sem rumor

(Im)perturbáveis e assustadoramente fiéis todas as
Palavras despertam uma imensa emoção esfrangalhada
Apelam à alma que jaz ali cabalmente desamparada

Frederico de Castro
147

Orgânico silêncio


Lá no fundo do ventre espreita todo
Este silêncio orgânico, tão intimidante
Quase lisonjeado…sempre inquietante

Nua e esfarrapada a noite sucumbe
Deveras tão debilitante, deixando esta
Escuridão amadurecer feroz e expectante

Entre as caleiras da solidão escorre um
Aguaceiro integralmente desinfectante
Claudica ante um lamento tão vacilante

Sob os andaimes do tempo erguem-se horas
Contenciosas e conflituantes e deixam escorrer
Para a sarjeta dos silêncios tantas agruras revoltantes

Frederico de Castro
162

Alquimia de emoções



Como um bibelot fino e elegante a manhã lustra
E espartilha o silêncio com luminescências fragrantes
Está pousada na estante das minhas memórias
Alinhavando a saudade agora e sempre depurante

A solidão envolta numa alquimia de emoções
Quase translumbrantes aconchega-se a um
Eco demasiadamente vibrante, além onde decerto
A maresia sussurra absurdamente delirante

Frederico de Castro
177

Cubículo do silêncio



No meu canto gizo a trigonometria dos
Silêncios mais espontâneos, ali onde duas
Rectas paralelas e axiomáticas encaixotam
Tantos teoremas rectilíneos e simultâneos

Neste cubículo cada intuição matemática
Afoga-se num metro cúbico de solidão
Topografam palavras geometricamente rigorosas
Projectam no espaço tantas emoções vertiginosas

Frederico de Castro
151

O pescador de sonhos



A noite redimida e fluorescente
Sucumbe ali tão reluzente
Circunscreve na escuridão uma
Memória bravia, conversa e resiliente

À deriva flui uma maresia complacente
Contorna todas as margens do silêncio
Onde dormita um embasbacado breu divergente
Converge feliz ao longo de um sonho tão complacente

Frederico de Castro
274

Esse subtil estado do ser


A noite emaranhada num breu profundo
Deixa uma colectânea de emoções anónimas
Exilar-se em subtis gargalhadas tão axiónimas

Sem pseudónimo o tempo vasculha cada hora
Homónima florescendo entre o marasmo deste
Silêncio acrónimo, longânime e quase pirómano

É este o subtil estado do ser fadado ao radicalismo
Das memórias soezes, insinuantes…indecifráveis
Quais resquícios de tantos lamentos inescrutáveis

Deixo que a manhã pesquise nas ilusões matinais
Uma réstia de esperança prosaica e tão graciosa
Alimentando arfantes caricias sempre perigosas

O silencio promíscuo, vicia-se da solidão tão gulosa
Tatua a pele com um enxame de afagos furiosos
É a réplica quase absoluta dos desejos mais saborosos

Frederico de Castro
153

Parapente(silêncios confidentes)



A manhã ao léu desprende-se no horizonte
E suspira feliz sugando da luz mortiça e sensível
Uma luminescência quase alucinada e tão apetecível

Desabotoando o silêncio que resvala pelo tempo
Cada brisa egocêntrica seduz uma caricia hipersensível
Até se decomporem num eco quase incorrigível

Assim esvoaça além um solúvel sonho transcendente
Deixa aquela nesga de saudades ainda memorizar uma
Pendente hora ardendo num fogo fátuo tão, mas tão confidente

Frederico de Castro
251

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ltslima

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!