Frederico de Castro

Frederico de Castro

n. 1961 GW GW

Escuto o sentir das palavras e então esculpo-as nos meus silêncios, dando-lhes vida forma e cor. Desejo-as, acalento-as, acolho-as,embelezo-as sempre com muito, muito amor…

n. 1961-06-20, Bolama

Perfil
336 588 Visualizações

Por este Outono passageiro...



Enfrentei milhentas paragens por esse mundo
Sorvi do tempo cada lembrança capitulando
Deixei o silêncio sem rédeas...cabriolando
Até que lá do alto do trapézio da minha solidão
Se dissipe o Outono passageiro...feliz cantarolando

Pousou a luz mansamente no peitoril da noite
Despindo cada olhar recíproco embebedando o
Cliché de saudades...matriz dos meus estampados sonhos
Inalando todos os perfumes que de ti instilo tão repimpados

Embebedou-se a noitinha num estilhaço de luz elegante
Emancipou-se logrando destes beijos uma vénia de desejos
Trajando meu casto silêncio tão mutilado...tão usurpado

Deixemos que o estafeta do amor entregue seu testemunho àqueles
Entes apaixonados, respirando um tenro e subtil momento de prazer
Agora e sempre mais e mais abnegado

Frederico de Castro
Ler poema completo

Poemas

23

VAI FICAR A SAUDADE...

Benito Di Paula – Perfil) – CD (Compilation, Stereo), 2002 [r12597901] |  Discogs

Por fim a saudade que ficou transforma-se
Num silêncio muito “Ao jeito que a vida quer”
Ah, mestre Benito “Como eu amei a mulher brasileira”
“Como eu assobiei a chopar cana”, sugando do pranto
Cada “Retalho de cetim”, desenhado e orquestrado com
fiel esmero, deixando "Tudo está no seu lugar” porque
num alto patamar ficarás…“Afinal, azul é a cor do mar”

Ah, meu mestre do samba em ti viverá sempre essa
“Mulher brasileira”, para que "Sem tempo pra sonhar"" o dia
Renasça em homenagem ao nosso “Charlie Brown”
E “Naquela sanfona branca” por fim, me dês “Todos os motivos" para
na passerelle gingando assim…eu “Ir chegando, ir sambando”
Tu génio e poeta do samba, serás eternamente “Amigo do sol e da lua”
“Me dê um motivo”para que bailando neste pagode em sincronia
Veja “Além do arco íris”, e batucando na “Tonga da mironga do kabuletê” 
Todos juntos em tua memória sambemos com esfuziante alegria



Frederico de Castro

3

E de repente...somos nada


E…de repente num breve instante
SOMOS NADA, somos grãos de poeira
Assentes nas prateleiras do tempo quase mesolítico

E…de repente num breve instante do tempo magnífico
SOMOS NADA, somos solidão espelhada num eco metafísico
Uma tela de cores espargidas por um sussurro apocalíptico

E…de repente num instante, fenece mais um poente artístico
E nós vadiando, SOMOS NADA, no centro de tantos sóis graníticos
Abocanhados pelas mandíbulas ferozes dos silêncios tão ansiolíticos

Frederico de Castro

4

Pot-Pourri de palavras


Num pot-pourri de palavras encorpo a legião
de sussurros ali vagueando tão apaixonados
Revelo onde amara a semântica de uma brisa
resvalando na apoteose de brados quase asfixiados

Exponho na escrita todo o vocabulário poético qual
prédica da minha fé flamejando nesta homilia mui
religiosamente emboscada numa rima tão aplacada
Assim amplio e plagio as dissertações tão líricas e delicadas

Nesta miscelânia de gargalhadas extemporâneas, converto cada
poente no glossário de desejos musculados num bramido afável
Admoesto as elocuções de um olhar decisivo, erudito e fanático
clonado à nomenclatura deste silêncio absurdamente profilático

Frederico de Castro

6

CERCA DOS SILÊNCIOS


para a Carla e a Noemi
as mulheres da minha vida

Pousado na cerca do silêncio o dia esfarela-se
num montão de luminosidades quase esculturais
Na esteira do poente deixa um protótipo de brisas
vaguear pelas matizes de uma colorida rima tão natural

Nos céus desenho o arquétipo de um azul quase irreal
Padronizo a solidão esquecida na transumância das
palavras chilreando a bordo de um incalculável eco magistral
todo ele seduzido por um magote de luminescências tão leais

Frederico de Castro

7

Rumores de uma Prece


Nos rumores de uma prece dilui-se e
chocalha-se este silêncio tão ágil e volátil
Agita-se a voz num imenso burburinho de
palavras distintas, peremptórias e versáteis

Enquanto nos céus se ajoelha um aguaceiro
de lamentos triturados e sempre mui estrondosos
um eco mui frágil, esfrega-se no patim do tempo junto
a este proverbial olhar gemendo escandalosamente vibrátil

Alimentada por uma entropia de silêncios tão imutáveis
escorrega a luz pelas frestas maliciosas da solidão estável
Num cochicho sentido e sereno o dia com apreço irriga todos
os neurónios onde circulam as ramificações de um afago insaciável

Frederico de Castro

9

PERDIDAMENTE


para Luis Represas

Assim perdidamente o tempo defenestra-se
pelas pilastras celestiais, até de mansinho pousar
entre os timbres famintos de uma lágrima tão crucial

Assim perdidamente o silêncio jaz ali e eclipsa-se
junto ao féretro das palavras amáveis e eloquentes
Ampara todo o decurso de cada murmúrio tão indigente

E numa luminescência torrencial a música flameja
entre todos os olhares tão intemporais…tão torrenciais
No seu derradeiro turno o dia fenece triste, sedento e imperial

Frederico de Castro

12

Visão de Perfil


para a Noemi, o Lucas e o Ciro

Numa visão quase tridimensional
esquadrinho o quadrilátero de todos os
silêncios desvairadamente ali enquadrados

Mirei de perfil a luz plagiar os cantos à esquadria
de um alucinante eco emergente e quase distópico
Seu porte displicente e abstrato jaz ali sereno e utópico

Nesta absurda novela de palavras extravagantes concílio
um idílico murmúrio percepcionado com um olhar emocionado
Desenho na moldura do tempo um sorriso apurado, discreto e exaltado

Frederico de Castro

5

Noite de veludo

Imagem do Pin de história
para a Carla

Esta noite deixei a alma escapulir pelos
nódulos do silêncio metastizado, tão asfixiado
Redesenhei a luz para que esta me mostrasse
a sua nudez tão bela, tão quântica e apaixonada

Esta noite pernoitarei no cume dos meus lamentos
onde as brisas serenas apascentam a placenta mais
prenhe e fecunda das carícias consentâneas, tão magnânimas
Beijarei com conivência esta escuridão aveludada e orgânica

Esta noite tatuarei meu heterónimo nos muretes da solidão
além onde o féretro do silêncio repousa junto ao tugúrio das
minhas preces recolhidas no regaço da noite capitulando moribunda

Esta noite vejo um breu cogitar cada sentimento quase exânime e mortiço
Apalpo o silêncio que ébrio massaja os peitoris de um negrume tão ileso
Vejo-o jejuar e faminto imiscuir-se no bordel dos meus ais quase indefesos

Frederico de Castro

6

As dores dos Outros...


As dores dos outros corroem-me por dentro
Asilam-se na placenta da vida onde se esvai
o silêncio mais amniótico…quase agnóstico
Trucida-me a voz algemada a um lamento caótico

As dores dos outros apoquentam-me as preces já
marginalizadas no amargor enlutado de um eco penitente
Numa lástima ficarão as palavras amarrotadas num voraz
garrote de solidões encostadas aos destroços do dia indigente

As dores dos outros deixam meu mundo condenado e pungido
sobre a sanção punitiva de todos os ais e lamentos consternados
Sorvem das lágrimas o mosto da vida tão embriagada e prantiva
Endurecem cada bramido tão contrito, dolorido e quase proscrito

Frederico de Castro

 

7

Quando o olhar se transforma em palavras


Num sereno olhar transformo a linguística em
Expressões de afeto escrito versículo a versículo
Amanho a paz que lavro na sementeira semântica
Das palavras cogitadas, solicitadas…tão enamoradas

Atalho o caminho dilapidando as similitudes desta
Solidão desenhada no prelo dos lamentos poéticos
Intrometo-me em cada rima plagiada e suprida pela
Caligrafia das emoções intuitivamente afáveis e estéticas

Quando miro, curo, cuido e ressuscito o espectro do meu
Vocabulário degustativo, digerido entre adjetivos paliativos
Aprecio no paladar o alfabeto lírico onde pulula toda a adrenalina
Eloquente das palavras construídas na partitura dos silêncios putativos

Frederico de Castro

7

Livros

1

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ltslima

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!