Paraliso o sorriso no paraíso que viso
Graças a Deus que eu perco sempre o juízo
meu paraíso é a palavra paraíso, é lá
ô, pequena menina, via Láctea do riso
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
eu disso "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!
eu "iso" e "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!
Quando o mar virar sertão
nossa palavra será
tão humana como o pão
Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão
Não há motivo para festa, ora esta
fique você com a mente positiva
que eu quero é voz ativa:
ela é que é uma boa.
Mensagem: Eu sou Pessoa
a palavra pessoa hoje não soa bem
– "Fernando, pouco me importa!"
Paraliso o sorriso no paraíso que viso!
Paraliso o sorriso no paraíso que viso!
Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve!
Monólogo sobre Ernesto
Parte 1: "Das loucuras profanas da mente jovem e revolucionária"
Minha vida revolucionária conduz meus caminhos tortos
Honra pela honra, a justiça ufana prefere os mortos
Já que estás em mim, ó brilho cruel dos portos
Que se abre aos rebelados e mostra-te pelas fotos
Já que o tempo fez-te a graça de visitares os rebeldes, leve notícias de mim
Diga àqueles da terra branca e vermelha que veste perigo: o explorador grande enfim
Conte aos patrões, senhores, doutores, bandolins que abandonei a escola pra servir ao Terceiro Mundo tão afim
Por amor inerte à minh'alma, dar-lhe-ei o sangue carmesim.
Com a mesma dura ternura em nunca ter
que aprendi na estrada e em Che!
Ah, ódio sinto à metrópole, paraíso, violenta
que extermina os miseráveis, negros, teus meninos!
E lá vem mais uma estação do inferno, polenta,
ó Dante eterno, pois será de haver outros destinos?
E, no tangente à família, dá-lhe um abraço apertado
que a todos possa abarcar
fora-da-lei, procurado me convém família unida contra quem me rebelar!
Com contra quem me dá dura, com dedo na cara
me mandando calar!
Com contra quem me dá dura, com dedo na cara
me mandando calar!
Ah, Carlos Máximo, tu sabias do sabiá grená.
Cai o muro de Berlim, cai sobre ti, sobre mim, ó comuna Internacional
Chamam-no de assassino, para quem conhece, ao menos, o velho gozo animal.
Dê flores ao comandante que, um dia, dispensou-me do serviço militar
Ah, quem precisa de heróis? Com dura ternura: feras que fuzilam na guerra e choram na volta ao lar.
Gênios do mal tropicais, poderosos vestigiais: a vergonha da Mãe Gentil
Ah, quem dera fosse eu um Bel, um Gil, um Chico, um Caetano, e dançaria todo ufano, passando pela Guerra Civil.
Como o nosso pai, que se pergunta: "onde errei?"
É elogiando o meu espírito revolucionário
e pondo-me entre os sonhadores do vestiário
que direi-voz em alto: "Capitalismo, morrei, pois o show já comecei!"
Minha voz será ouvida a toda Cuba:
"Trogloditas, traficantes, neonazistas, farsantes: barbárie, devastação
Até um rinoceronte é mais decente do que essa gente demente
do Ocidente tão tão cristão!"
Avante, vítimas da fome!
firme a cobrir, famélicos da pública terra!
A chama vermelha de ideia consome
A crosta bruta que a soterra
Apartai-vos do mundo explorador profundo
agora de pé, de pé, não mais os senhores!
Se nada produzem deste mundo
sejamos nós, ó produtores!
Sejamos nós que consquistemos
pois nada esperamos de nenhum
senhores, patrões, chefes supremos
À terra Mãe Gentil, livre e comum
não me vendo pelo rum, uhum!
Nós destruiremos toda a violência do fundo
inteiramente, e, em seguida, contudo
construiremos um admirável novo mundo
e, quem não era nada, tornar-se-á tudo.
Sobre os frutos do gozo do capital:
Como filhote de Bob Dylan faço, e
como o patrão da Coca-Cola fez,
sem sangue nas veias, com nervos de aço
rejeito a esmola que ele me dá por mês.
Socorro, Socorro, socorre-me, soviete.
É como o meu velho amigo Assunção:
Que vai pro seu trabalho todo dia
sem saber se é bom ou se é ruim.
Quando quer chorar vai ao banheiro, na pia
Assuncao, as coisas não são assim!
Toda vez que eu sinto o paraíso (Ah, Alighieri)
Ou me queimo torto no torno do contorno do inferno
Eu penso ti, pobre Assunção milionário
Que usa sempre o caro terno
Ó, Assunção, ensine-me tuas coisas:
que a vida é séria, fria e a guerra é utópica e dura
Mas se não puder, cale essa boca!
E deixe-me viver a loucura.
Lembro-me, pois, Assunção, daqueles dias
quando filosofávamos sobre o mundo
e hoje eu te chamo de careta e simpatia;
e você, de vagabundo.
Hipocrisia de minha voz revolucionária
Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser rebelde
se conseguir licença do meu broto e do o do patrão
um Gandhi Dandy, um grande
milionário socialista
de carrão chego mais rápido à revolução
Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser inteligente
se conseguir aval para escravidão
na década da decadência derradeira, derrotada
Che no peito e ouro no leito
com o iPhone tiro as fotos da revolução
Rapaz latino-americano livre
La mamma Africaribe
I'm extra cool!
Vejo-me só, a Mãe Vermelha do pessoal
juntei as economias
pra gastar só nos maus dias
e gasto hoje, afinal
E a moçada que faz de fato a festa
em cidade como esta
onde ser vermelho é imoral
conheço a Rússia, mas não conheço meu quintal
A culpa é tua
eu cantei todo esse mal
quando a fábrica apitou
e o trabalho terminou
todo mundo se mandou
sem desejos de voltar
como o mar não tá pra peixe
ah, mulata, não nega, teu cabelo
e aproveitando essa deixa
vem me viver, vem me ver
me comer, vem me dá
renascer, descansar,
resumindo, até logo eu vou indo
– "o que eu estou fazendo aqui?"
quero outro jogo
que este é fogo
de engolir!
El cóndor que pasa sobre los Andes
e abre as asas sobre nós
nas futuras das cidades grandes
eu quero abrir a minha voz
cantar como quem usa a mão
pra fazer um pão, colher alguma espiga
como quem diz no coração
meu bem, não penso em paz, que deixa a alma antiga
Lira dos 17 anos
Mamãe, como isso pôde acontecer?
Meu pai não aprova o que eu faço
Tampouco eu aprovo o filho que ele fez
Sem sangue nas veias, com nervos de aço
Aos 17, encontro-me morto de vez.
Ó, mãezinha, como isso aconteceu?
Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que vou ao bar, beber e esquecer
que a gente é pobre, é fraco, é vil,
desprezados dentre as grandezas do Brasil.
Ora, minha mãe, como tu lidas com isso?
Penso em voltar pro sertão
Pois é lá que tá minha galera
Como as bombas do Afeganistão
Que marcam minha era.
Ore, mãe, pois não quero voltar pro Norte.
Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve
Quem haverá que aguente? Tanta nudez e aguardente
Ressuscitarei o pior de mim, para que o louve.
Das piores noites boêmias da minha gente.
Mãe? Mãe? Onde estás mãe? Mãe!? Ó, mãe!?
Mata, mato, moto, morte, Norte, forte, Fortaleza.
E agora? O que farei aos 17, no auge da beleza?
Sem ela, sou sem, sou sempre sem ninguém.
Ó, mãezinha, triste estou. Tu eras a pureza
Mas não te preocupes! Estou indo te buscar:
No além.