Gabriel Albuquerque

Gabriel Albuquerque

n. 2001 BR BR

Um jovem escritor, agricultor e ceifador da minha existência.

n. 2001-04-10

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Assim sussurrou Assunção

É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto

Assim falou Assunção.

Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.

Assim sussurrou Assunção:

A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
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Poemas

15

Assim sussurrou Assunção

É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto

Assim falou Assunção.

Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.

Assim sussurrou Assunção:

A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
412

Soneto de Bordel, de Gabriel para Bel

O pecado nativo é simplesmente estar vivo
É querer respirar, o remanso do poeta agora
Traz-se um crime atroz, cruel e negativo 
Se se pudesse, o espírito que chora

Que a terra te seja leve, Bel fugitivo
Tu que pesaste tão pouco sobre ela outrora
Deveras pesar, assim, tão parado e ativo
Uruguai, minas não há mais, mundo afora

Perfídia és, tu, ó Coração Selvagem venusto
No Exílio duradouro, vulto oculto no culto
Bel, se tu te vais, como ficam os carnavais?

Sujeito de Sorte, vede o que lhe é justo e adusto
Tu, Bel, deixa-nos teu galardão mediante ao tumulto
Mas não vos acanhes, jovens, seus versos são atemporais.
369

ENEM: O mártir da juventude

O mártir juvenil, da terra roxa e anil
Necessidade de ser um alguém
Fulguras e vergonha à Mãe Gentil
Ó, brilho cruel do trilho, do trem

que sai pro ENEM

Guardei meus belos versos a mil
Embaixo da mesa azul vintém
Engavetei-me de conceito vil
tudo isso pra ir bem, hein?

Bhaskara, Logaritmos, trigonometria
pra que tudo isso?
se o que quero é filosofia?
pra que ser submisso?
maquinizo-me, logo existo?

Ceguei meu horizonte, descolori o amanhecer
saquei minha caneta preta transparente
tudo isso pra me promover! 
exame bestial, amargamente sulamericanamente

tudo isso pra quê?
pra ser o que eles querem vê!
371

Rima da prosa do latim

"miserere mei, deus: secundum magnam misericordiam tuam

et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam

benditus lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me

asperges me hysopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor"

Rapaz latino-americano, sujeito de sorte é
meu cordial brasileiro, sujeito, um sujeito não tem jeito
me conta quanto é contente e quente que mente
sorri sorridente de dentro pra fora, no leito
sulamericanamente!

Frente a essa gente indecente
que come, drome e consente

Dante, Gandhi Dandy
a estrela vermelha nem saiu do lugar
Falante, a gente mente na nossa mente
Alighieri, Assum Preto, sertão não virou mar
na nossa mente a gente mente 'agentemente'.

me perdoe eu não entrar numa boa e perder sempre a esportiva!
vida, viva-a, a viva.
353

Hipocrisia de minha voz revolucionária

Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser rebelde
se conseguir licença do meu broto e do o do patrão
um Gandhi Dandy, um grande
milionário socialista
de carrão chego mais rápido à revolução

Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser inteligente
se conseguir aval para escravidão
na década da decadência derradeira, derrotada
Che no peito e ouro no leito
com o iPhone tiro as fotos da revolução

Rapaz latino-americano livre
La mamma Africaribe

I'm extra cool!

Vejo-me só, a Mãe Vermelha do pessoal
juntei as economias
pra gastar só nos maus dias
e gasto hoje, afinal

E a moçada que faz de fato a festa
em cidade como esta
onde ser vermelho é imoral
conheço a Rússia, mas não conheço meu quintal

A culpa é tua
eu cantei todo esse mal

quando a fábrica apitou
e o trabalho terminou
todo mundo se mandou
sem desejos de voltar

como o mar não tá pra peixe
ah, mulata, não nega, teu cabelo
e aproveitando essa deixa
vem me viver, vem me ver
me comer, vem me dá
renascer, descansar,

resumindo, até logo eu vou indo
– "o que eu estou fazendo aqui?"
quero outro jogo
que este é fogo
de engolir!

El cóndor que pasa sobre los Andes
e abre as asas sobre nós
nas futuras das cidades grandes
eu quero abrir a minha voz

cantar como quem usa a mão
pra fazer um pão, colher alguma espiga
como quem diz no coração
meu bem, não penso em paz, que deixa a alma antiga
373

Chique ponto da paixão passageira

Posso te levar até o ponto final?
Onde passa o ônibus verde
Linda, é lá onde busco a paixão fundamental
Indo à fonte da tua cede.

Amo como me amas, amo o teu cheiro
Naquele muro branco fomos felizes
Abraça-me como um assombroso nevoeiro.

(…)

Ufa, lá vem o ônibus…
— Tu hás de pegá-lo, está tarde!
– Não! Só mais um pouquinho, Campos!
E, então, minha boca arde de verdade.

(…)

Te queria apertar, em teu corpo me esbaldar.
Ah, quão grande é a saudade que em mim habita.
Lindo, é lá onde busco o edípico vulgar
E em minh'alma suspira e exorbita!

Sim, é você quem eu quero.

(…)

Para o lindo ilíaco alvorecer no amor.

Perfeita, Orvalho Luxuoso, Incomparável, Adorável, Notória Alma.

Escrever isso é como fazer referências Machadianas, Machado.

P, Q, R, S, T, U, …
"Pô! Que susto! Não faça mais isso!"
POL X BRA, no estádio do estágio da paixão.
Policultura do meu Brasil.
Polia teu sapato para ficar brilhoso
Polian, Bill, grande jogador que vimos jogar.

– É melhor parar, tua vó está aqui!

Levantemos desta cama. Voltemos à seriedade.
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.
Se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moça, sem ter visto a vida.

Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Parecida com a Aparecida
Aparecida se compacida
Com a parede parecida
do alto da Compadecida.

Ó, tu és do Brasil
Tu és brasileira, linda e inteligente
Lindamente brasileira
Mente inteligente brasileira
Lindamente brasileira
Mente inteligentemente brasileira
Mente lindamente brasileira
Brasileiramente linda, oh year!

Ó, Ana, tu tens curvas, sabores, coisas que seduz
E não vou mentir, envolvi-me no teu infinito universo
Mas não valorizei teu ciúme, o amor se esvai e me conduz.

Seen yo pretty ass soon as you came in that door
(And what a beautiful ass you have...)
I just wanna chill, got a sack for us to roll
Married to the money, introduced her to my stove
Showed her how to whip it, now she remixin' for low
She my trap queen, let her hit the bando

Ah, lembro-me perfeitamente do teu bailar
Como era precioso o momento em que passava do teu lado
Chegava em tua casa e lá você estava, a cantar
e é por essas e outras que eu quis ser teu namorado.

Na tua casa, no ponto mais alto
Do chique ponto da paixão passageira
Você roubava minha dor estrangeira, como um alegre assalto
Mas, agora, voas, como um sabiá laranjeira.

O poeta Gonçalves Dias, ai… ele sabia…
que tu, sabiá, ia voar
a assobiar como um sabiá em tristes dias.









 

453

Lira dos 17 anos

Mamãe, como isso pôde acontecer?

Meu pai não aprova o que eu faço
Tampouco eu aprovo o filho que ele fez
Sem sangue nas veias, com nervos de aço
Aos 17, encontro-me morto de vez.

Ó, mãezinha, como isso aconteceu?

Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que vou ao bar, beber e esquecer
que a gente é pobre, é fraco, é vil,
desprezados dentre as grandezas do Brasil.

Ora, minha mãe, como tu lidas com isso?

Penso em voltar pro sertão
Pois é lá que tá minha galera
Como as bombas do Afeganistão
Que marcam minha era.

Ore, mãe, pois não quero voltar pro Norte.

Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve
Quem haverá que aguente? Tanta nudez e aguardente
Ressuscitarei o pior de mim, para que o louve.
Das piores noites boêmias da minha gente.


Mãe? Mãe? Onde estás mãe? Mãe!? Ó, mãe!?

Mata, mato, moto, morte, Norte, forte, Fortaleza.

E agora? O que farei aos 17, no auge da beleza?
Sem ela, sou sem, sou sempre sem ninguém.
Ó, mãezinha, triste estou. Tu eras a pureza
Mas não te preocupes! Estou indo te buscar:

No além.

370

Como é amar a Ana?

Jovem escritor, agricultor e ceifador da minha existência
No ardor do peito, e me deleito, com o temor da condolência
dor do amor; resiliência, malemolência e prepotencia
trago o fragor triste do tremor, do brilho do trilho
que vai do Sertão até à Canção de Exílio.

Batuque um canto, concreto
Objeto direto certo e repleto
completo, indireto, maestro.

E mostra-te, ó auge da juventude:
como é amar a Ana?
Que ature na completude
da divina comédia humana.

 

357

Mais um novo dia

Qualquer beleza é inventar
o que ainda não há.
Qualquer leveza é sentir
o sol a porvir.
362

Paraliso o sorriso no paraíso que viso

Graças a Deus que eu perco sempre o juízo
meu paraíso é a palavra paraíso, é lá
ô, pequena menina, via Láctea do riso

vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!

eu disso "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!

eu "iso" e "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!

Quando o mar virar sertão
nossa palavra será
tão humana como o pão

Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior

Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão

Não há motivo para festa, ora esta
fique você com a mente positiva
que eu quero é voz ativa:
ela é que é uma boa.

Mensagem: Eu sou Pessoa
a palavra pessoa hoje não soa bem
– "Fernando, pouco me importa!"


Paraliso o sorriso no paraíso que viso!
Paraliso o sorriso no paraíso que viso!

Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve!
412

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Gabriel, parabéns pelo poema. Abraços campônios.

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