Gabriel Albuquerque

Gabriel Albuquerque

n. 2001 BR BR

Um jovem escritor, agricultor e ceifador da minha existência.

n. 2001-04-10

Perfil
5 738 Visualizações

Assim sussurrou Assunção

É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto

Assim falou Assunção.

Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.

Assim sussurrou Assunção:

A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
Ler poema completo

Poemas

15

Lira dos 17 anos

Mamãe, como isso pôde acontecer?

Meu pai não aprova o que eu faço
Tampouco eu aprovo o filho que ele fez
Sem sangue nas veias, com nervos de aço
Aos 17, encontro-me morto de vez.

Ó, mãezinha, como isso aconteceu?

Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que vou ao bar, beber e esquecer
que a gente é pobre, é fraco, é vil,
desprezados dentre as grandezas do Brasil.

Ora, minha mãe, como tu lidas com isso?

Penso em voltar pro sertão
Pois é lá que tá minha galera
Como as bombas do Afeganistão
Que marcam minha era.

Ore, mãe, pois não quero voltar pro Norte.

Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve
Quem haverá que aguente? Tanta nudez e aguardente
Ressuscitarei o pior de mim, para que o louve.
Das piores noites boêmias da minha gente.


Mãe? Mãe? Onde estás mãe? Mãe!? Ó, mãe!?

Mata, mato, moto, morte, Norte, forte, Fortaleza.

E agora? O que farei aos 17, no auge da beleza?
Sem ela, sou sem, sou sempre sem ninguém.
Ó, mãezinha, triste estou. Tu eras a pureza
Mas não te preocupes! Estou indo te buscar:

No além.

366

Rolê full anarquia

Estrago o esterco do extra cool
a década da decadência derradeira
esterno externo, onda blue
o verde-oliva é violência passageira

Soul e sul, suíço do blue
Que lundu, origens do ubuntu

Não gosto do sol
O mundo para breve, para brisa
O mundo entrou em greve para divisa (é o parabrisa)
Logo, gosto do espanhol

(Maldita cultura do cultuar o cultural nacional, ó império do mal!)

Pierrot, Le Fou! Anarquia!
de rolê full anarquia!
Oh folia, tão eterno
que tudo mais vá pro inferno!

Desarmement!
Je chant quelle etoile rouge… En Passant!
amen!
Allons, enfants! Allons enfants!

Isso faz sentido?
sem tido no sofá
aquilo que me dá azar:
escrever entretido.
353

Chique ponto da paixão passageira

Posso te levar até o ponto final?
Onde passa o ônibus verde
Linda, é lá onde busco a paixão fundamental
Indo à fonte da tua cede.

Amo como me amas, amo o teu cheiro
Naquele muro branco fomos felizes
Abraça-me como um assombroso nevoeiro.

(…)

Ufa, lá vem o ônibus…
— Tu hás de pegá-lo, está tarde!
– Não! Só mais um pouquinho, Campos!
E, então, minha boca arde de verdade.

(…)

Te queria apertar, em teu corpo me esbaldar.
Ah, quão grande é a saudade que em mim habita.
Lindo, é lá onde busco o edípico vulgar
E em minh'alma suspira e exorbita!

Sim, é você quem eu quero.

(…)

Para o lindo ilíaco alvorecer no amor.

Perfeita, Orvalho Luxuoso, Incomparável, Adorável, Notória Alma.

Escrever isso é como fazer referências Machadianas, Machado.

P, Q, R, S, T, U, …
"Pô! Que susto! Não faça mais isso!"
POL X BRA, no estádio do estágio da paixão.
Policultura do meu Brasil.
Polia teu sapato para ficar brilhoso
Polian, Bill, grande jogador que vimos jogar.

– É melhor parar, tua vó está aqui!

Levantemos desta cama. Voltemos à seriedade.
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.
Se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moça, sem ter visto a vida.

Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Parecida com a Aparecida
Aparecida se compacida
Com a parede parecida
do alto da Compadecida.

Ó, tu és do Brasil
Tu és brasileira, linda e inteligente
Lindamente brasileira
Mente inteligente brasileira
Lindamente brasileira
Mente inteligentemente brasileira
Mente lindamente brasileira
Brasileiramente linda, oh year!

Ó, Ana, tu tens curvas, sabores, coisas que seduz
E não vou mentir, envolvi-me no teu infinito universo
Mas não valorizei teu ciúme, o amor se esvai e me conduz.

Seen yo pretty ass soon as you came in that door
(And what a beautiful ass you have...)
I just wanna chill, got a sack for us to roll
Married to the money, introduced her to my stove
Showed her how to whip it, now she remixin' for low
She my trap queen, let her hit the bando

Ah, lembro-me perfeitamente do teu bailar
Como era precioso o momento em que passava do teu lado
Chegava em tua casa e lá você estava, a cantar
e é por essas e outras que eu quis ser teu namorado.

Na tua casa, no ponto mais alto
Do chique ponto da paixão passageira
Você roubava minha dor estrangeira, como um alegre assalto
Mas, agora, voas, como um sabiá laranjeira.

O poeta Gonçalves Dias, ai… ele sabia…
que tu, sabiá, ia voar
a assobiar como um sabiá em tristes dias.









 

450

Rima da prosa do latim

"miserere mei, deus: secundum magnam misericordiam tuam

et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam

benditus lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me

asperges me hysopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor"

Rapaz latino-americano, sujeito de sorte é
meu cordial brasileiro, sujeito, um sujeito não tem jeito
me conta quanto é contente e quente que mente
sorri sorridente de dentro pra fora, no leito
sulamericanamente!

Frente a essa gente indecente
que come, drome e consente

Dante, Gandhi Dandy
a estrela vermelha nem saiu do lugar
Falante, a gente mente na nossa mente
Alighieri, Assum Preto, sertão não virou mar
na nossa mente a gente mente 'agentemente'.

me perdoe eu não entrar numa boa e perder sempre a esportiva!
vida, viva-a, a viva.
352

Mais um novo dia

Qualquer beleza é inventar
o que ainda não há.
Qualquer leveza é sentir
o sol a porvir.
360

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
campos

Gabriel, parabéns pelo poema. Abraços campônios.

manuela
manuela

legal

nathanael

Demais!