Gabriel Albuquerque

Gabriel Albuquerque

n. 2001 BR BR

Um jovem escritor, agricultor e ceifador da minha existência.

n. 2001-04-10

Perfil
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Assim sussurrou Assunção

É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto

Assim falou Assunção.

Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.

Assim sussurrou Assunção:

A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
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Poemas

15

Chique ponto da paixão passageira

Posso te levar até o ponto final?
Onde passa o ônibus verde
Linda, é lá onde busco a paixão fundamental
Indo à fonte da tua cede.

Amo como me amas, amo o teu cheiro
Naquele muro branco fomos felizes
Abraça-me como um assombroso nevoeiro.

(…)

Ufa, lá vem o ônibus…
— Tu hás de pegá-lo, está tarde!
– Não! Só mais um pouquinho, Campos!
E, então, minha boca arde de verdade.

(…)

Te queria apertar, em teu corpo me esbaldar.
Ah, quão grande é a saudade que em mim habita.
Lindo, é lá onde busco o edípico vulgar
E em minh'alma suspira e exorbita!

Sim, é você quem eu quero.

(…)

Para o lindo ilíaco alvorecer no amor.

Perfeita, Orvalho Luxuoso, Incomparável, Adorável, Notória Alma.

Escrever isso é como fazer referências Machadianas, Machado.

P, Q, R, S, T, U, …
"Pô! Que susto! Não faça mais isso!"
POL X BRA, no estádio do estágio da paixão.
Policultura do meu Brasil.
Polia teu sapato para ficar brilhoso
Polian, Bill, grande jogador que vimos jogar.

– É melhor parar, tua vó está aqui!

Levantemos desta cama. Voltemos à seriedade.
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.
Se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moça, sem ter visto a vida.

Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Parecida com a Aparecida
Aparecida se compacida
Com a parede parecida
do alto da Compadecida.

Ó, tu és do Brasil
Tu és brasileira, linda e inteligente
Lindamente brasileira
Mente inteligente brasileira
Lindamente brasileira
Mente inteligentemente brasileira
Mente lindamente brasileira
Brasileiramente linda, oh year!

Ó, Ana, tu tens curvas, sabores, coisas que seduz
E não vou mentir, envolvi-me no teu infinito universo
Mas não valorizei teu ciúme, o amor se esvai e me conduz.

Seen yo pretty ass soon as you came in that door
(And what a beautiful ass you have...)
I just wanna chill, got a sack for us to roll
Married to the money, introduced her to my stove
Showed her how to whip it, now she remixin' for low
She my trap queen, let her hit the bando

Ah, lembro-me perfeitamente do teu bailar
Como era precioso o momento em que passava do teu lado
Chegava em tua casa e lá você estava, a cantar
e é por essas e outras que eu quis ser teu namorado.

Na tua casa, no ponto mais alto
Do chique ponto da paixão passageira
Você roubava minha dor estrangeira, como um alegre assalto
Mas, agora, voas, como um sabiá laranjeira.

O poeta Gonçalves Dias, ai… ele sabia…
que tu, sabiá, ia voar
a assobiar como um sabiá em tristes dias.









 

452

Rolê full anarquia

Estrago o esterco do extra cool
a década da decadência derradeira
esterno externo, onda blue
o verde-oliva é violência passageira

Soul e sul, suíço do blue
Que lundu, origens do ubuntu

Não gosto do sol
O mundo para breve, para brisa
O mundo entrou em greve para divisa (é o parabrisa)
Logo, gosto do espanhol

(Maldita cultura do cultuar o cultural nacional, ó império do mal!)

Pierrot, Le Fou! Anarquia!
de rolê full anarquia!
Oh folia, tão eterno
que tudo mais vá pro inferno!

Desarmement!
Je chant quelle etoile rouge… En Passant!
amen!
Allons, enfants! Allons enfants!

Isso faz sentido?
sem tido no sofá
aquilo que me dá azar:
escrever entretido.
354

Com Muito Escárnio e Maldizer

Comédia Humana, Divina Comédia
Balzac bravo breve, Dante cante eterno
como cavalheiros de idade média
Humano, cravo e ferve; Divino, traficante do inferno.

Como dar um Ciao
sem lhe fazer mal?
cem mil fazeres um animal
tem me feito normal, informal.

kit man, que te mente elegantemente
na nossa mente tudo é quente
sorridente, sorri de dente
sempre sente paciente, sulamericanamente

Só eu na vida, ganho dinheiro, pego mulheres, faço sucesso!
Cristão como eu, devo manter os bons costumes, confesso

Eles não vão para a glória sem passar pela cama
ou Jesus me ama ou entendo nada de Melodrama

Maldita profissão!
Ganhar com o suor do meu rosto cansa
o bendito pão
e o gim da criança
ungido rugido da dança
Escárnio: carne de leão no leilão.

Mas não faz mal. Deixo os louros ao poeta
Lauras da Laura é o que me importa
ouça o som da comporta
que abre o anormal homem beta.








381

Lira dos 17 anos

Mamãe, como isso pôde acontecer?

Meu pai não aprova o que eu faço
Tampouco eu aprovo o filho que ele fez
Sem sangue nas veias, com nervos de aço
Aos 17, encontro-me morto de vez.

Ó, mãezinha, como isso aconteceu?

Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que vou ao bar, beber e esquecer
que a gente é pobre, é fraco, é vil,
desprezados dentre as grandezas do Brasil.

Ora, minha mãe, como tu lidas com isso?

Penso em voltar pro sertão
Pois é lá que tá minha galera
Como as bombas do Afeganistão
Que marcam minha era.

Ore, mãe, pois não quero voltar pro Norte.

Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve
Quem haverá que aguente? Tanta nudez e aguardente
Ressuscitarei o pior de mim, para que o louve.
Das piores noites boêmias da minha gente.


Mãe? Mãe? Onde estás mãe? Mãe!? Ó, mãe!?

Mata, mato, moto, morte, Norte, forte, Fortaleza.

E agora? O que farei aos 17, no auge da beleza?
Sem ela, sou sem, sou sempre sem ninguém.
Ó, mãezinha, triste estou. Tu eras a pureza
Mas não te preocupes! Estou indo te buscar:

No além.

366

Monólogo sobre Ernesto

Parte 1: "Das loucuras profanas da mente jovem e revolucionária"

Minha vida revolucionária conduz meus caminhos tortos
Honra pela honra, a justiça ufana prefere os mortos
Já que estás em mim, ó brilho cruel dos portos
Que se abre aos rebelados e mostra-te pelas fotos

Já que o tempo fez-te a graça de visitares os rebeldes, leve notícias de mim
Diga àqueles da terra branca e vermelha que veste perigo: o explorador grande enfim
Conte aos patrões, senhores, doutores, bandolins que abandonei a escola pra servir ao Terceiro Mundo tão afim
Por amor inerte à minh'alma, dar-lhe-ei o sangue carmesim.

Com a mesma dura ternura em nunca ter
que aprendi na estrada e em Che!

Ah, ódio sinto à metrópole, paraíso, violenta
que extermina os miseráveis, negros, teus meninos!
E lá vem mais uma estação do inferno, polenta,
ó Dante eterno, pois será de haver outros destinos?

E, no tangente à família, dá-lhe um abraço apertado
que a todos possa abarcar
fora-da-lei, procurado me convém família unida contra quem me rebelar!

Com contra quem me dá dura, com dedo na cara
me mandando calar!
Com contra quem me dá dura, com dedo na cara
me mandando calar!

Ah, Carlos Máximo, tu sabias do sabiá grená.

Cai o muro de Berlim, cai sobre ti, sobre mim, ó comuna Internacional
Chamam-no de assassino, para quem conhece, ao menos, o velho gozo animal.

Dê flores ao comandante que, um dia, dispensou-me do serviço militar
Ah, quem precisa de heróis? Com dura ternura: feras que fuzilam na guerra e choram na volta ao lar.

Gênios do mal tropicais, poderosos vestigiais: a vergonha da Mãe Gentil
Ah, quem dera fosse eu um Bel, um Gil, um Chico, um Caetano, e dançaria todo ufano, passando pela Guerra Civil.

Como o nosso pai, que se pergunta: "onde errei?"
É elogiando o meu espírito revolucionário
e pondo-me entre os sonhadores do vestiário
que direi-voz em alto: "Capitalismo, morrei, pois o show já comecei!"

Minha voz será ouvida a toda Cuba:

"Trogloditas, traficantes, neonazistas, farsantes: barbárie, devastação
Até um rinoceronte é mais decente do que essa gente demente
do Ocidente tão tão cristão!"

Avante, vítimas da fome!
firme a cobrir, famélicos da pública terra!
A chama vermelha de ideia consome
A crosta bruta que a soterra

Apartai-vos do mundo explorador profundo
agora de pé, de pé, não mais os senhores!
Se nada produzem deste mundo
sejamos nós, ó produtores!

Sejamos nós que consquistemos
pois nada esperamos de nenhum
senhores, patrões, chefes supremos
À terra Mãe Gentil, livre e comum
não me vendo pelo rum, uhum!

Nós destruiremos toda a violência do fundo
inteiramente, e, em seguida, contudo
construiremos um admirável novo mundo
e, quem não era nada, tornar-se-á tudo.

Sobre os frutos do gozo do capital:

Como filhote de Bob Dylan faço, e
como o patrão da Coca-Cola fez,
sem sangue nas veias, com nervos de aço
rejeito a esmola que ele me dá por mês.

Socorro, Socorro, socorre-me, soviete.

É como o meu velho amigo Assunção:

Que vai pro seu trabalho todo dia
sem saber se é bom ou se é ruim.
Quando quer chorar vai ao banheiro, na pia
Assuncao, as coisas não são assim!

Toda vez que eu sinto o paraíso (Ah, Alighieri)
Ou me queimo torto no torno do contorno do inferno
Eu penso ti, pobre Assunção milionário
Que usa sempre o caro terno

Ó, Assunção, ensine-me tuas coisas:
que a vida é séria, fria e a guerra é utópica e dura
Mas se não puder, cale essa boca!
E deixe-me viver a loucura.

Lembro-me, pois, Assunção, daqueles dias
quando filosofávamos sobre o mundo
e hoje eu te chamo de careta e simpatia;
e você, de vagabundo.


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Gabriel, parabéns pelo poema. Abraços campônios.

manuela
manuela

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