Gabriel Albuquerque

Gabriel Albuquerque

n. 2001 BR BR

Um jovem escritor, agricultor e ceifador da minha existência.

n. 2001-04-10

Perfil
5 771 Visualizações

Assim sussurrou Assunção

É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto

Assim falou Assunção.

Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.

Assim sussurrou Assunção:

A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
Ler poema completo

Poemas

15

Mais um novo dia

Qualquer beleza é inventar
o que ainda não há.
Qualquer leveza é sentir
o sol a porvir.
362

Hipocrisia de minha voz revolucionária

Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser rebelde
se conseguir licença do meu broto e do o do patrão
um Gandhi Dandy, um grande
milionário socialista
de carrão chego mais rápido à revolução

Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser inteligente
se conseguir aval para escravidão
na década da decadência derradeira, derrotada
Che no peito e ouro no leito
com o iPhone tiro as fotos da revolução

Rapaz latino-americano livre
La mamma Africaribe

I'm extra cool!

Vejo-me só, a Mãe Vermelha do pessoal
juntei as economias
pra gastar só nos maus dias
e gasto hoje, afinal

E a moçada que faz de fato a festa
em cidade como esta
onde ser vermelho é imoral
conheço a Rússia, mas não conheço meu quintal

A culpa é tua
eu cantei todo esse mal

quando a fábrica apitou
e o trabalho terminou
todo mundo se mandou
sem desejos de voltar

como o mar não tá pra peixe
ah, mulata, não nega, teu cabelo
e aproveitando essa deixa
vem me viver, vem me ver
me comer, vem me dá
renascer, descansar,

resumindo, até logo eu vou indo
– "o que eu estou fazendo aqui?"
quero outro jogo
que este é fogo
de engolir!

El cóndor que pasa sobre los Andes
e abre as asas sobre nós
nas futuras das cidades grandes
eu quero abrir a minha voz

cantar como quem usa a mão
pra fazer um pão, colher alguma espiga
como quem diz no coração
meu bem, não penso em paz, que deixa a alma antiga
373

Monólogo sobre Ernesto

Parte 1: "Das loucuras profanas da mente jovem e revolucionária"

Minha vida revolucionária conduz meus caminhos tortos
Honra pela honra, a justiça ufana prefere os mortos
Já que estás em mim, ó brilho cruel dos portos
Que se abre aos rebelados e mostra-te pelas fotos

Já que o tempo fez-te a graça de visitares os rebeldes, leve notícias de mim
Diga àqueles da terra branca e vermelha que veste perigo: o explorador grande enfim
Conte aos patrões, senhores, doutores, bandolins que abandonei a escola pra servir ao Terceiro Mundo tão afim
Por amor inerte à minh'alma, dar-lhe-ei o sangue carmesim.

Com a mesma dura ternura em nunca ter
que aprendi na estrada e em Che!

Ah, ódio sinto à metrópole, paraíso, violenta
que extermina os miseráveis, negros, teus meninos!
E lá vem mais uma estação do inferno, polenta,
ó Dante eterno, pois será de haver outros destinos?

E, no tangente à família, dá-lhe um abraço apertado
que a todos possa abarcar
fora-da-lei, procurado me convém família unida contra quem me rebelar!

Com contra quem me dá dura, com dedo na cara
me mandando calar!
Com contra quem me dá dura, com dedo na cara
me mandando calar!

Ah, Carlos Máximo, tu sabias do sabiá grená.

Cai o muro de Berlim, cai sobre ti, sobre mim, ó comuna Internacional
Chamam-no de assassino, para quem conhece, ao menos, o velho gozo animal.

Dê flores ao comandante que, um dia, dispensou-me do serviço militar
Ah, quem precisa de heróis? Com dura ternura: feras que fuzilam na guerra e choram na volta ao lar.

Gênios do mal tropicais, poderosos vestigiais: a vergonha da Mãe Gentil
Ah, quem dera fosse eu um Bel, um Gil, um Chico, um Caetano, e dançaria todo ufano, passando pela Guerra Civil.

Como o nosso pai, que se pergunta: "onde errei?"
É elogiando o meu espírito revolucionário
e pondo-me entre os sonhadores do vestiário
que direi-voz em alto: "Capitalismo, morrei, pois o show já comecei!"

Minha voz será ouvida a toda Cuba:

"Trogloditas, traficantes, neonazistas, farsantes: barbárie, devastação
Até um rinoceronte é mais decente do que essa gente demente
do Ocidente tão tão cristão!"

Avante, vítimas da fome!
firme a cobrir, famélicos da pública terra!
A chama vermelha de ideia consome
A crosta bruta que a soterra

Apartai-vos do mundo explorador profundo
agora de pé, de pé, não mais os senhores!
Se nada produzem deste mundo
sejamos nós, ó produtores!

Sejamos nós que consquistemos
pois nada esperamos de nenhum
senhores, patrões, chefes supremos
À terra Mãe Gentil, livre e comum
não me vendo pelo rum, uhum!

Nós destruiremos toda a violência do fundo
inteiramente, e, em seguida, contudo
construiremos um admirável novo mundo
e, quem não era nada, tornar-se-á tudo.

Sobre os frutos do gozo do capital:

Como filhote de Bob Dylan faço, e
como o patrão da Coca-Cola fez,
sem sangue nas veias, com nervos de aço
rejeito a esmola que ele me dá por mês.

Socorro, Socorro, socorre-me, soviete.

É como o meu velho amigo Assunção:

Que vai pro seu trabalho todo dia
sem saber se é bom ou se é ruim.
Quando quer chorar vai ao banheiro, na pia
Assuncao, as coisas não são assim!

Toda vez que eu sinto o paraíso (Ah, Alighieri)
Ou me queimo torto no torno do contorno do inferno
Eu penso ti, pobre Assunção milionário
Que usa sempre o caro terno

Ó, Assunção, ensine-me tuas coisas:
que a vida é séria, fria e a guerra é utópica e dura
Mas se não puder, cale essa boca!
E deixe-me viver a loucura.

Lembro-me, pois, Assunção, daqueles dias
quando filosofávamos sobre o mundo
e hoje eu te chamo de careta e simpatia;
e você, de vagabundo.


381

Rolê full anarquia

Estrago o esterco do extra cool
a década da decadência derradeira
esterno externo, onda blue
o verde-oliva é violência passageira

Soul e sul, suíço do blue
Que lundu, origens do ubuntu

Não gosto do sol
O mundo para breve, para brisa
O mundo entrou em greve para divisa (é o parabrisa)
Logo, gosto do espanhol

(Maldita cultura do cultuar o cultural nacional, ó império do mal!)

Pierrot, Le Fou! Anarquia!
de rolê full anarquia!
Oh folia, tão eterno
que tudo mais vá pro inferno!

Desarmement!
Je chant quelle etoile rouge… En Passant!
amen!
Allons, enfants! Allons enfants!

Isso faz sentido?
sem tido no sofá
aquilo que me dá azar:
escrever entretido.
358

Paraliso o sorriso no paraíso que viso

Graças a Deus que eu perco sempre o juízo
meu paraíso é a palavra paraíso, é lá
ô, pequena menina, via Láctea do riso

vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!

eu disso "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!

eu "iso" e "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!

Quando o mar virar sertão
nossa palavra será
tão humana como o pão

Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior

Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão

Não há motivo para festa, ora esta
fique você com a mente positiva
que eu quero é voz ativa:
ela é que é uma boa.

Mensagem: Eu sou Pessoa
a palavra pessoa hoje não soa bem
– "Fernando, pouco me importa!"


Paraliso o sorriso no paraíso que viso!
Paraliso o sorriso no paraíso que viso!

Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve!
412

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
campos

Gabriel, parabéns pelo poema. Abraços campônios.

manuela
manuela

legal

nathanael

Demais!