Assim sussurrou Assunção
É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto
Assim falou Assunção.
Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.
Assim sussurrou Assunção:
A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
Como é amar a Ana?
Jovem escritor, agricultor e ceifador da minha existência
No ardor do peito, e me deleito, com o temor da condolência
dor do amor; resiliência, malemolência e prepotencia
trago o fragor triste do tremor, do brilho do trilho
que vai do Sertão até à Canção de Exílio.
Batuque um canto, concreto
Objeto direto certo e repleto
completo, indireto, maestro.
E mostra-te, ó auge da juventude:
como é amar a Ana?
Que ature na completude
da divina comédia humana.
Chique ponto da paixão passageira
Posso te levar até o ponto final?
Onde passa o ônibus verde
Linda, é lá onde busco a paixão fundamental
Indo à fonte da tua cede.
Amo como me amas, amo o teu cheiro
Naquele muro branco fomos felizes
Abraça-me como um assombroso nevoeiro.
(…)
Ufa, lá vem o ônibus…
— Tu hás de pegá-lo, está tarde!
– Não! Só mais um pouquinho, Campos!
E, então, minha boca arde de verdade.
(…)
Te queria apertar, em teu corpo me esbaldar.
Ah, quão grande é a saudade que em mim habita.
Lindo, é lá onde busco o edípico vulgar
E em minh'alma suspira e exorbita!
Sim, é você quem eu quero.
(…)
Para o lindo ilíaco alvorecer no amor.
Perfeita, Orvalho Luxuoso, Incomparável, Adorável, Notória Alma.
Escrever isso é como fazer referências Machadianas, Machado.
P, Q, R, S, T, U, …
"Pô! Que susto! Não faça mais isso!"
POL X BRA, no estádio do estágio da paixão.
Policultura do meu Brasil.
Polia teu sapato para ficar brilhoso
Polian, Bill, grande jogador que vimos jogar.
– É melhor parar, tua vó está aqui!
Levantemos desta cama. Voltemos à seriedade.
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.
Se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moça, sem ter visto a vida.
Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Ou coisa parecida
Ou coisa aparecida
Parecida com a Aparecida
Aparecida se compacida
Com a parede parecida
do alto da Compadecida.
Ó, tu és do Brasil
Tu és brasileira, linda e inteligente
Lindamente brasileira
Mente inteligente brasileira
Lindamente brasileira
Mente inteligentemente brasileira
Mente lindamente brasileira
Brasileiramente linda, oh year!
Ó, Ana, tu tens curvas, sabores, coisas que seduz
E não vou mentir, envolvi-me no teu infinito universo
Mas não valorizei teu ciúme, o amor se esvai e me conduz.
Seen yo pretty ass soon as you came in that door
(And what a beautiful ass you have...)
I just wanna chill, got a sack for us to roll
Married to the money, introduced her to my stove
Showed her how to whip it, now she remixin' for low
She my trap queen, let her hit the bando
Ah, lembro-me perfeitamente do teu bailar
Como era precioso o momento em que passava do teu lado
Chegava em tua casa e lá você estava, a cantar
e é por essas e outras que eu quis ser teu namorado.
Na tua casa, no ponto mais alto
Do chique ponto da paixão passageira
Você roubava minha dor estrangeira, como um alegre assalto
Mas, agora, voas, como um sabiá laranjeira.
O poeta Gonçalves Dias, ai… ele sabia…
que tu, sabiá, ia voar
a assobiar como um sabiá em tristes dias.
Romance pra Ana
Na Savana Africana, a dança da Ana, a cigana
O luar-luz no capim, o luar-nos enfim.
Lamento do hino de um marginal babuíno pra Ana
bem sucedido, um pouco perdido, no fim do marfim
(do branco de sua skin!)
José de Alencar, elenca a lista torta em prosa
como no romance que fiz pra Ana
senhora Iracema, Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas! Sagarana!
(bis)
oh, amor, oh, iê iê iê iê iê iê
cantigas de trovador eletrônico:
que eu ganhei na matinê
no belo dia ao te conhecer. (2x)
O teu olho azul, tu'alma blue
como no mar de Malibu
De Honolulu, de Norte a Sul ela sai
minha querida madame Butterfly
Ana, gozo do efeito
os teus peitos no jeito
e eu pego e me deleito
e admiro o teu nenhum defeito.
ó, que cena obscena, não peça pedir
pedir por favor, nada de amor: attraction!
– because, i can't get no satisfaction!
sentir o ruir, do puro elixir, dos dizeres do porvir.
Soneto de Bordel, de Gabriel para Bel
O pecado nativo é simplesmente estar vivo
É querer respirar, o remanso do poeta agora
Traz-se um crime atroz, cruel e negativo
Se se pudesse, o espírito que chora
Que a terra te seja leve, Bel fugitivo
Tu que pesaste tão pouco sobre ela outrora
Deveras pesar, assim, tão parado e ativo
Uruguai, minas não há mais, mundo afora
Perfídia és, tu, ó Coração Selvagem venusto
No Exílio duradouro, vulto oculto no culto
Bel, se tu te vais, como ficam os carnavais?
Sujeito de Sorte, vede o que lhe é justo e adusto
Tu, Bel, deixa-nos teu galardão mediante ao tumulto
Mas não vos acanhes, jovens, seus versos são atemporais.
ENEM: O mártir da juventude
O mártir juvenil, da terra roxa e anil
Necessidade de ser um alguém
Fulguras e vergonha à Mãe Gentil
Ó, brilho cruel do trilho, do trem
que sai pro ENEM
Guardei meus belos versos a mil
Embaixo da mesa azul vintém
Engavetei-me de conceito vil
tudo isso pra ir bem, hein?
Bhaskara, Logaritmos, trigonometria
pra que tudo isso?
se o que quero é filosofia?
pra que ser submisso?
maquinizo-me, logo existo?
Ceguei meu horizonte, descolori o amanhecer
saquei minha caneta preta transparente
tudo isso pra me promover!
exame bestial, amargamente sulamericanamente
tudo isso pra quê?
pra ser o que eles querem vê!
Luz no luar da Lu
No Mar de Malibu
paira uma lua azul
a mesma praia blue
para ir ao luar da Lu
Sob a palmeira neon
Danço nu, ah, como é bom
No litoral tropical
além do bem e do mal
Sei que gostas do bigodudo
Belchior, Nietzsche, diz tudo
por que eu existo?
será eu o anticristo?
Mas Ele está morto
como no torno do meu canto torto
E blues lamente comigo
sentindo o sinal terminal
ainda falta o artigo
da genealogia da moral
Do romano, ufano, de ano em ano
anos medianos por baixo dos panos
puritanos, ciganos que vem do oceano
todos humanos, demasiado humano.
Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que os homens vão dizer
que a vida é dura, incompleta, Claude Monet
na dureza do proceder do alvorecer
pra quem não fez a guerra
e nem quer vestibular
pra quem tem a carteira de terceira, me erra
ou pra quem não fez o serviço militar!
(contra o lixo nuclear!)
pra quem amasse a mão da alegria
pra quem amassa o pão da poesia
na tristeza, na alegria; na noite, no dia
e eu vou rimando, buscando destaque
distante do inferno eterno
inspirações de Olavo Bilac
Babilônia, Dante, terno, Erno.
será que um dia serei encontrado
ou quem sabe abandonado? no medo nado
e nadando eu vou vendo, meia volta volver
medo, medo, medo, medo, medo, medo vou ver.
(doze medos Alexandrinos, finos!)
pra quê rimar?
se o que eu quero é falar:
do Anil e do Grená
Je veux parler!
escrever pra viver!
Ideo adolescentulæ dilexerunt te!
(come with me, and be my love!)
(be cause, because)
(tomorrow is another day!)
(everyday!)
(i need you, and you need me)
Ego flos campi
Et ilium convalium
Veni, dilecte mi egrediamur in agrum
Commoremur in villis
Umbilicus tuus crater tornalitis,
Numquam indigens poculis!
Venter tuus sicut acervus tritici
Non te occidere.
volo enim vos vivere
sic non possum tecum vivere
eu te amo, me considere.
Tenho medo: pai, filho, Espírito Santo
Santa Teresa, quem me rói tanto!
por ti eu danço e canto!
um dia vou pra aí
curtir o teu Havaí
comer um açaí
pra rir
e ir.
a ti
desejo
meu
carinho.
manda buscar outro, linho ninho
no Piauí.
Com Muito Escárnio e Maldizer
Comédia Humana, Divina Comédia
Balzac bravo breve, Dante cante eterno
como cavalheiros de idade média
Humano, cravo e ferve; Divino, traficante do inferno.
Como dar um Ciao
sem lhe fazer mal?
cem mil fazeres um animal
tem me feito normal, informal.
kit man, que te mente elegantemente
na nossa mente tudo é quente
sorridente, sorri de dente
sempre sente paciente, sulamericanamente
Só eu na vida, ganho dinheiro, pego mulheres, faço sucesso!
Cristão como eu, devo manter os bons costumes, confesso
Eles não vão para a glória sem passar pela cama
ou Jesus me ama ou entendo nada de Melodrama
Maldita profissão!
Ganhar com o suor do meu rosto cansa
o bendito pão
e o gim da criança
ungido rugido da dança
Escárnio: carne de leão no leilão.
Mas não faz mal. Deixo os louros ao poeta
Lauras da Laura é o que me importa
ouça o som da comporta
que abre o anormal homem beta.
Rima da prosa do latim
"miserere mei, deus: secundum magnam misericordiam tuam
et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam
benditus lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me
asperges me hysopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor"
Rapaz latino-americano, sujeito de sorte é
meu cordial brasileiro, sujeito, um sujeito não tem jeito
me conta quanto é contente e quente que mente
sorri sorridente de dentro pra fora, no leito
sulamericanamente!
Frente a essa gente indecente
que come, drome e consente
Dante, Gandhi Dandy
a estrela vermelha nem saiu do lugar
Falante, a gente mente na nossa mente
Alighieri, Assum Preto, sertão não virou mar
na nossa mente a gente mente 'agentemente'.
me perdoe eu não entrar numa boa e perder sempre a esportiva!
vida, viva-a, a viva.
Lira dos 17 anos
Mamãe, como isso pôde acontecer?
Meu pai não aprova o que eu faço
Tampouco eu aprovo o filho que ele fez
Sem sangue nas veias, com nervos de aço
Aos 17, encontro-me morto de vez.
Ó, mãezinha, como isso aconteceu?
Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que vou ao bar, beber e esquecer
que a gente é pobre, é fraco, é vil,
desprezados dentre as grandezas do Brasil.
Ora, minha mãe, como tu lidas com isso?
Penso em voltar pro sertão
Pois é lá que tá minha galera
Como as bombas do Afeganistão
Que marcam minha era.
Ore, mãe, pois não quero voltar pro Norte.
Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve
Quem haverá que aguente? Tanta nudez e aguardente
Ressuscitarei o pior de mim, para que o louve.
Das piores noites boêmias da minha gente.
Mãe? Mãe? Onde estás mãe? Mãe!? Ó, mãe!?
Mata, mato, moto, morte, Norte, forte, Fortaleza.
E agora? O que farei aos 17, no auge da beleza?
Sem ela, sou sem, sou sempre sem ninguém.
Ó, mãezinha, triste estou. Tu eras a pureza
Mas não te preocupes! Estou indo te buscar:
No além.