Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

n. 1999 BR BR

a poesia morreu, espero que entenda

n. 1999-04-21, Irati,PR

Perfil
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Poema Perfeito

Liricamente impecável 
                      Incrivelmente burro
Estudei todas as formas de fazer poesia
                               Escrevi o poema perfeito:
                                                                     O nada
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Poemas

13

Já não me canso de ser péssimo

Sinto que sou o único vil entre mil
todos tem progedido
eu regresso, PROTESTO!
Já não me canso de ser ridículo
Já não me canso de ser infame
377

Casa de espelhos (contranarciso)

Contranarciso

Eu
Espelho-me
Em uma pessoa
Ela nem sabe
O outro, também
E assim nós somos
Em cada eu
Existe nós
Nós existimos
410

Dezembro continua sendo o pior dos meses

Das palavras que esqueci
Dos poemas que não escrevi
Dos versos que decorei
Das palavras que desperdicei
Dos anos de que nem sei

Esse ano eu morri
renasci
sumi
sofri
sorri

Dezembro não tem fim
O que será de mim

417

Passeio com palavras

A      NOITE
    PASSEIO         COM AS
                         PALAVRAS 
                       POR      AI
544

POESIA CONCRETO

p                                           o
o                                           ã
e                                           n
 s                  VÊ                    m
i                                            e
a                                           u
é                                           q
  i   m   a   g   e   m   p   a  r  a 
384

Vomitar

A minha vontade é vomitar essa vontade para fora
Como se em um pequeno ato
Saísse de mim
Todo esse mal-estar sentimental
De fato, um fardo difícil de lidar
385

Matador de poetas (anti-crítico)

indo 
na contramão
desses 
poetas podres

desprezo 
todas as palavras
da lingua portuguesa

vão engolir
a seco
goela a baixo
engasgar-se
vomitar no papel

o anti-crítico
matador de poetas
foda-se os clássicos 
eles estão mortos
e eu estou com raiva
511

Prisão de segurança máxima chamada poesia

Já fazem 1095 dias desde o meu crime
Residindo na solitária por tempo indeterminado
Pena que se paga por espancar os sentimentos de outro detento
A melodia suicidou-se semana passada
Agora seus gritos não ecoam pelas selas
A rima rendeu-se a insanidade e agora sussurra palavras sem sentido
A métrica perdeu-se em suas palavras, semeia a dúvida que nem mesmo responde
A criatividade estava ficando louca e passa a maior parte do tempo em uma camisa de força
 

Já fazem 1095 páginas que estou preso em poema
Já fazem 3 anos que estou na prisão de segurança máxima chamada poesia.
525

Do Leminskaralho

Paulo fazia poesia
Fazia poemas e folia
Fazia poesia 
Fazia poemas que inspiraria 
Pequeno Paulo fazia poesia
Fez tanta poesia
 Que um dia jazia 
 De tanta poesia 
 Faltava papel
Fazia tanta poesia
que um dia
escreveu no céu
501

Papel

Minha mão
Já não
Tem controle 
Se não tem papel
Subo nas nuvens 
Escrevo no céu 
311

Comentários (3)

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Bons poemas, poeta. Já estive em Irati e faremos um congresso literário aí em novembro

paola_

te seguindo no instagram =)

paola_

bacana que já tens livro publicado!