Poemas
19Escrever
Se virou uma obrigação
Esquece então
Eu somente escrevo
Sinto o que escrevo
Escrevo o que sinto
É simples assim
Como a chuva que cai no chão
As nuvens estão cheias
Então
Só fazem chover
Sem segredo
Assim que deve ser
Desse jeito deve ver
349
Meu coração é um bar e estamos fechados
Meu coração é um bar fechado
só abre a noite
quando eu durmo
tem muita bebida
mas não tem pessoas
tem vidros escuros
ninguém vê quem está dentro
tem vezes que eu entro
para organizar a bagunça
virar a placa:
ESTAMOS FECHADOS
370
Já não me canso de ser péssimo
Sinto que sou o único vil entre mil
todos tem progedido
eu regresso, PROTESTO!
Já não me canso de ser ridículo
Já não me canso de ser infame
379
Casa de espelhos (contranarciso)
Contranarciso
Eu
Espelho-me
Em uma pessoa
Ela nem sabe
O outro, também
E assim nós somos
Em cada eu
Existe nós
Nós existimos
Eu
Espelho-me
Em uma pessoa
Ela nem sabe
O outro, também
E assim nós somos
Em cada eu
Existe nós
Nós existimos
414
Dezembro continua sendo o pior dos meses
Das palavras que esqueci
Dos poemas que não escrevi
Dos versos que decorei
Das palavras que desperdicei
Dos anos de que nem sei
Esse ano eu morri
renasci
sumi
sofri
sorri
Dezembro não tem fim
O que será de mim
Dos poemas que não escrevi
Dos versos que decorei
Das palavras que desperdicei
Dos anos de que nem sei
Esse ano eu morri
renasci
sumi
sofri
sorri
Dezembro não tem fim
O que será de mim
419
Vomitar
A minha vontade é vomitar essa vontade para fora
Como se em um pequeno ato
Saísse de mim
Todo esse mal-estar sentimental
De fato, um fardo difícil de lidar
386
Matador de poetas (anti-crítico)
indo
na contramão
desses
poetas podres
desprezo
todas as palavras
da lingua portuguesa
vão engolir
a seco
goela a baixo
engasgar-se
vomitar no papel
o anti-crítico
matador de poetas
foda-se os clássicos
eles estão mortos
e eu estou com raiva
na contramão
desses
poetas podres
desprezo
todas as palavras
da lingua portuguesa
vão engolir
a seco
goela a baixo
engasgar-se
vomitar no papel
o anti-crítico
matador de poetas
foda-se os clássicos
eles estão mortos
e eu estou com raiva
515
Prisão de segurança máxima chamada poesia
Já fazem 1095 dias desde o meu crime
Residindo na solitária por tempo indeterminado
Pena que se paga por espancar os sentimentos de outro detento
A melodia suicidou-se semana passada
Agora seus gritos não ecoam pelas selas
A rima rendeu-se a insanidade e agora sussurra palavras sem sentido
A métrica perdeu-se em suas palavras, semeia a dúvida que nem mesmo responde
A criatividade estava ficando louca e passa a maior parte do tempo em uma camisa de força
Já fazem 1095 páginas que estou preso em poema
Já fazem 3 anos que estou na prisão de segurança máxima chamada poesia.
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Comentários (3)
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Bons poemas, poeta. Já estive em Irati e faremos um congresso literário aí em novembro
te seguindo no instagram =)
bacana que já tens livro publicado!