Gabriel Panisson

Gabriel Panisson

n. 1998 BR BR

Finalizando a graduação em Filosofia. Escrevo poemas livres

n. 1998-10-06, Guarapuava-PR

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HUMANO, APENAS

A mim é suficiente as minhas próprias mãos, os meus próprios pés;
viver o que me é possível perceber sem questionar a veracidade de sua realidade,
sem saber se meu corpo e minha alma são ou não uma única coisa.

Quanto às parcelas no fim do mês, dá-se sempre um jeito.
Mas o peso do mundo, esse é insuportável,
esse deve, sempre que possível, permanecer externo e alheio.

Sou homem, sou humano, e é isso que quero ser, cada vez mais.
Retirei de mim toda pretensão divina e toda amizade celestial,
em nome da simplicidade de se saber animal humano, bicho homem que sou.
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Poemas

1

O PROFETA

O profeta crê na significância de suas palavras,
E canta o amanhã com grande voz.
Repete sermões como quem sabe da vida,
E sobe aos mais altos montes.

Mal sabe o profeta que para cada palavra sua,
Uma vida se esvazia,
Uma outra se inicia.
Uma em cárcere se esvai,
Outra o ego acaricia.
Uma sonha sem saber,
Que em sonho acabaria.
Outra desiste de ser,
Mas ainda assim seria.
Uma canta pela noite,
Outra chora pelo dia.
Uma clama a Oxalá,
Outra clama à Mãe Maria.
Uma trabalha no mar,
Outra na lavanderia.
Uma quer dançar,
Outra não se atreveria.
Então, pra facilitar,
Ao profeta eu diria:
Deixa a grandeza pra lá,
E vem ver essa magia.
A vida é de quem faz,
E não de quem anuncia.
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