Gabriel Panisson

Gabriel Panisson

n. 1998 BR BR

Finalizando a graduação em Filosofia. Escrevo poemas livres

n. 1998-10-06, Guarapuava-PR

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HUMANO, APENAS

A mim é suficiente as minhas próprias mãos, os meus próprios pés;
viver o que me é possível perceber sem questionar a veracidade de sua realidade,
sem saber se meu corpo e minha alma são ou não uma única coisa.

Quanto às parcelas no fim do mês, dá-se sempre um jeito.
Mas o peso do mundo, esse é insuportável,
esse deve, sempre que possível, permanecer externo e alheio.

Sou homem, sou humano, e é isso que quero ser, cada vez mais.
Retirei de mim toda pretensão divina e toda amizade celestial,
em nome da simplicidade de se saber animal humano, bicho homem que sou.
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Poemas

10

EIS A NOSSA SINA

Canta-se sempre esperança;
Traga-se aflição!
164

SER FELIZ

Ser feliz,
Um sentimento intenso,
ou uma consciência bem alocada?
Uma folha ao vento,
ou uma viga bem fundada?
Um querer viver em transe,
ou em calma?
Uma impossibilidade do corpo,
ou da alma?
161

.

Frequentemente me basto.
181

ALHEIO

Convivo, no momento, com um peso.
Nada do que faço, nada do que desejo,
Vem de mim, de fato.
Vejo-me aflito, por me querer,
Mas desejar o alheio.

Acordo pensando em ti...
Que café sem gosto! Que notícia triste!
Caminho me mal-dizendo.
Me deito pensando em ti...

"Alerta-te!": alerto-me.
Ah como tenho me detestado!
Quero amar a mim de novo!
Devolva-me o sabor do meu café!
163

O QUE HÁ?

A pretensão de ser.
330

LIFE IS A CABARÉ

Me pergunto se há na vida o que fazer além de amor.
Não amor romântico, amor carnal mesmo.
Amor de bicho, amor de gente.
Amor frenético, amor doente!


Já sabemos que daqui nada há que se levar
Que nada tem razão de ser
Mas sabemos também dos impulsos
E os impulsos são,
Saibamos deles ou não!


Então, a vida, que é em nada grandiosa,
Vale mais que uma boa noite de amor?
Aliás, há algo que não seja banal,
Tão banal quanto a penetração repetitiva e animal?


Nada é nobre, nada é sublime,
Tudo o que vale de algo é impulso,
Porque vale por si, por mais nada.


Life is a cabaré,
Come to the cabaré!
356

A MEU ERRO E ACERTO

És música...
Poesia.
Sangue e suor...
Sorriso.
És, em meu caminho, empecilho.
És, a mim, caminho...
Pecadilho.
251

VELHO AMIGO

Velho amigo, agora que já não podes ver,
Agora que está fraco,
Lamenta teu tempo perdido,
Lamenta teu vão esforço.

Tua esposa te deixou,
Tua amante despreza essas tuas rugas,
Teus filhos te praguejam,
Tuas riquezas, agora, pouco valem.

Teu feriado é mais um dia de semana,
Já não tem mais graça o programa de domingo,
Já estás cansado do teu sono de descanso.
Se arrependes de algo, amigo?

É duro ter que lhe dizer,
Que não foi fácil para mim também,
Mas o pior mesmo é lhe contar,
Que teu café está servido há tempos.
 
Velho amigo,
Sei que nem és tão velho assim,
Mas perto do que está dentro de mim,
És o mais velho, pois chegou teu fim.
235

HUMANO, APENAS

A mim é suficiente as minhas próprias mãos, os meus próprios pés;
viver o que me é possível perceber sem questionar a veracidade de sua realidade,
sem saber se meu corpo e minha alma são ou não uma única coisa.

Quanto às parcelas no fim do mês, dá-se sempre um jeito.
Mas o peso do mundo, esse é insuportável,
esse deve, sempre que possível, permanecer externo e alheio.

Sou homem, sou humano, e é isso que quero ser, cada vez mais.
Retirei de mim toda pretensão divina e toda amizade celestial,
em nome da simplicidade de se saber animal humano, bicho homem que sou.
392

MONISMO

Assento, num instante, sobre a poltrona acolchoada, o corpo.
O desconforto dos meus ombros diz mais sobre mim do que tudo o que proclamo,
ainda assim, proclamo.


Fumo, não para acalmar a mente, mas para ocupar as mãos.
Não preciso me acalmar, mas preciso muito ocupar as mãos inquietas,
sedentas por te acariciar os seios como quem redige versos,
sem passado nem futuro, nem nexo ou seriedade.


Minhas mãos, digo... meu corpo todo, quer o instante,
quer findar no instante o absoluto sentido de ser, e nada mais.


Por isso, devoro meus alimentos saudáveis como quem alimenta a alma,
crendo, ainda que forçosamente, no poder supremo da alimentação saudável.


Bebo vinho como quem verdadeiramente saúda a Dionísio, ainda que Dionísio não haja.


Inspiro o ar puro ante o rio, crendo também estar limpando meus pulmões.


Ora, engana-se quem pensa não haver razão no ato de crer descrendo.
Não, não estou iludindo a mim mesmo ou fugindo do peso dos dias reais.
Estou, na verdade, fazendo de mim mesmo o mundo todo,
e o mundo todo de pretenso poeta de versos tão subjetivos,
que nem mesmo o eu-lírico é capaz de compreender, 
senão de dizê-los.


Por fim,
entre a maçã e a meditação há tanta semelhança, 
que quase faço dos monges do monte, por mim desconhecidos,
uma bela e doce salada de frutas.
390

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