GabrielP412

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Incomum, matriarcal, solar, místico?...

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Oh, Boêmia!

 A vida boêmia segue sem pressa, sem dilemas, sem problemas.

Fico estático — pensando, vendo, sondando — e o mundo inteiro me parece um cenário gasto,
Às vezes leve, mas jamais tradicional.
É súbito, é breve, um lampejo de algo vivo, quase moderno.

Trago após trago, a brasa toca a boca, queimando os meus lábios.
Seca, exausta, está a garganta do poeta que já cansou de afirmar
que as plantas ainda sussurram seus segredos às crianças.
 

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Poemas

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Oh, Boêmia!

 A vida boêmia segue sem pressa, sem dilemas, sem problemas.

Fico estático — pensando, vendo, sondando — e o mundo inteiro me parece um cenário gasto,
Às vezes leve, mas jamais tradicional.
É súbito, é breve, um lampejo de algo vivo, quase moderno.

Trago após trago, a brasa toca a boca, queimando os meus lábios.
Seca, exausta, está a garganta do poeta que já cansou de afirmar
que as plantas ainda sussurram seus segredos às crianças.
 

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Sexta-Feira

É bonito vê-los andando,
a noite respirando pelas ruas,
as mesas de bar iluminadas
por risadas que ninguém percebe
que já viraram memória.

Casais de mãos dadas,
solteiros buscando o acaso,
gente que vive
como se o agora fosse eterno
e o amanhã nunca viesse.

Eu caminho de fora,
não pertenço a nenhum grupo,
olho o mundo como quem assiste
à vida acontecer nos outros.

Na sexta, saí.
Uma dose, um cigarro,
a bebida enjoou,
o ambiente também.

Algumas pessoas por perto,
mas carregavam sombras demais,
cansaços velhos
em corpos tão novos.

Fui ao espeto—
três espetinhos, duas Original,
um cone trufado,
mais um espeto,
pão de alho.
Conta salgada,
paladar satisfeito.
E uma moça bonita, chamativa,
com olhos de salina.

Depois, cigarro, batida,
quadra escura.
Outro cigarro.
Silêncio.
E Eu.

Ali, sozinho.´

Há muito tempo
não me alimento.
 

Dentro de mim
um vazio antigo. Tudo se movia no 
quarto sem janelas,
em uma casa desabitada.

Meu corpo estava ali,
sentado, fumando, vivendo—
mas o meu Eu, não.
Ele estava perdido
em algum lugar
daquela casa. Eu não me lembro bem.

Estou me estranhando.
 

A cidade vibra lá fora
como uma festa acesa,
e eu murchava por dentro
como uma vela já no fim.

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Desejo de Amar

Quem ouve o poeta amar,

Lembra o bem do coração;

Quem possui seu doce amor

Sorri manso à recordação.

Quem não possui vive ansiando

Por igual consolação;

Só desejando estar deitado

Junto à sua doce paixão.

4

Serra

Na Serra, onde o frio cortante abraça a carne,

E o céu, carregado de cinza, invade o olhar,

Sinto a alma acalmar-se no silêncio que o vento traz,

Nessa terra onde tudo é simples, mas profundo como o mar.

 

Sento-me à porta da casa, feita de madeira e histórias,

Olho os campos vastos e as montanhas imponentes,

E tudo que vejo é um presente dos Deuses,

Um legado em cada folha, um sussurro em cada semente.

 

O vento, mesmo em sua calma, sussurra os ecos do passado,

E nas nuvens, vejo os espíritos antigos que ali repousam,

Eles falam nos murmúrios das árvores e no canto dos pássaros,

Guiando-me pelas trilhas esquecidas, lembrando-me dos pactos selados.

Ao longe, o rio serpenteia, levando as promessas feitas ao norte,

 

E eu, aqui, sou testemunha da verdade que não se apaga,

Escuto as vozes ancestrais, que me chamam, que me ensinam,

Que em cada passo, me conectam à terra que nunca se desfaz.

7

Rabiola

A rabiola balança mesmo presa aos cabos do poste.
Um ou outro carro atravessa a rua, em tons apagados, sem qualquer encanto.
O silêncio me obriga a pensar, a refletir e a indagar o que acontece aqui dentro. Qual a falha? Compreender e ainda assim não saber.

Penso e descrevo,
Choro e me entristeço,
Tal qual o cão que lamenta porque o portão o impede de ser livre, de correr. De Ser.

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