Tua pele tem a maciez e a pureza da mais bela seda;
E fico comigo a pensar, quanta beleza;
E com toda certeza;
Há quem te desmereça;
Mas te digo, não te aborreças.
Tu és mistura estonteante;
De encanto e sedução;
Verdadeira tentação!
Que induz o homem a pecar;
E em sonhos querer te encontrar;
Mas, logo dele despertar;
Frustrado de não te tocar.
Tua presença é ambiguidade;
Sinônimo e antônimo;
Guerra e paz;
Mas, pra ti tanto faz;
O que podes provocar;
Quer mesmo é causar;
Este é teu combustível, teu gás;
Algo que a ti te satisfaz.
E para encerrar tal composição;
Me atrevo a fazer breve comparação;
De tua delicada feição;
Com o líquido que até Jesus provou com o pão;
Sagrado!
Tens sabor concentrado;
Que só melhora com o tempo que é passado;
E não minto;
És marcante como vinho tinto;
Perfeita combinação;
Equilíbrio perfeito entre inverno e verão;
Safra rara, quase em extinção;
Porém, sei muito pouco de você;
E nestas linhas mal traçadas, com as mãos calejadas;
Pouco sei dizer ou escreve;
Resumindo;
És encanto, a rainha, verdadeira uva cabernet.
23
Mais do mesmo
Ano eleitoral;
Tudo igual!
Povo cego e segregado;
Com os olhos vendados;
É guiado;
Cabresteado;
Como gado.
Discursos comoventes;
Mas nunca diferentes;
Apontando o culpado;
E os erros de muita gente;
E além de tudo;
Mentem.
Prometem o fim da corrupção;
Uma saúde de qualidade;
Para a nossa cidade;
E para o seu filho;
Uma boa educação;
Mentira, pura ilusão;
Pois o que eles querem;
É o seu voto no dia da eleição;
Porque no restante dos anos te tratam como subcidadão;
Manipulando sua opinião;
Através do rádio e da televisão.
Discursos são proferidos;
Pobres chamados de amigos, queridos;
E ranchos oferecidos;
Na intenção;
De ganhar sua afeição;
E se precisar;
Carona te darão;
No dia da eleição;
Claro;
Sem nenhuma “intenção”.
Exaltam o fim da velha política;
Que dê velha não tem nada;
Pois a cada dia se torna mais atualizada;
E ainda dão risada;
Da nossa cara;
Em suas bancadas.
Apresentam projetos;
Sem nexo;
Prometem isso e aquilo;
E pasmem;
Até salário mínimo;
Levando o povo ao delírio;
Se colocando como seu majoritário;
E nada fazendo em seus quatro anos de mandatário.
Candidatos a vereadores;
Exaltam em seus discursos;
Renovação e revolução;
Porém, caem na velha adaptação;
Nomes de ruas e moção;
Enquanto outros;
Nem a isso estão dispostos;
Pois trocam seus postos;
Ou seja;
Legislativo por secretária;
Mas, pior ainda é aquele que renuncia;
Que baixaria;
Colocando no lixo a confiança da cidadania;
Que através de mentiras;
São iludidas;
Verdadeiras propagandas enganosas;
Verdadeiro horror;
Que deveriam ser enquadradas;
No código do consumidor.
67
Pandemia
Corona vírus;
Está matando mais que tiros;
A solução para isso
É ficar em retiro;
Se isolar e evitar;
Beijar e abraçar;
Meu Deus!!! Tá difícil até de suspirar;
É hora de se cuidar.
E quem disse que não podemos acreditar?
Que a cura;
Para essa coisa obscura;
Vai chegar!
Não desesperar;
Desligar o maldito celular;
Desconectar;
Para não pirar!
Porque mente, espírito e coração;
Precisam de paz para aclamar;
Ter fé e orar ;
Nessa hora podem ajudar;
A imaginar que dias melhores logo vão chegar.
E depois que tudo isso passar;
Que você possa parar e pensar;
No poder do abraçar;
E do beijar;
E ver a falta que ele faz;
Coisas tão simples da vida;
Que devemos valorizar;
O beijo da mãe;
O colo do pai;
A vida familiar;
Pois, só quem não tem;
Sabe a falta que faz.
67
Pré-colombiana
A cultura pré-colombiana:
Muito pouco estudada e valorizada;
Tanto na escola quanto na vida;
Porém, muito bem desenvolvida.
Sua cultura e sociedade;
Formada por deuses, imperadores e heróis;
Mas com a chegada de europeus espanhóis;
Por eles dizimada;
Esta parte, até hoje mal contada.
O pré-colombiano guerreou, lutou, tombou e chorou;
Resistiu bravamente;
Defendendo arduamente a terra que amava;
Mas, o poder da arma de fogo prevaleceu;
E com isso muita gente morreu.
O branco europeu;
Com a pólvora impôs sua vontade;
Adonou-se de verdade;
Da terra do inca, do maia e do asteca;
Que tanto cuidou e engendrou.
Sociedade segregadas;
Muito avançadas e parecidas;
Não obstante, dividas;
Entre classes e preces.
E hoje temos um esboço;
Do que era proposto;
Claro, o tributo e o imposto;
Pago, não pelo fino gosto;
Mas pelo trabalho de desgosto;
Daquele que suava seu rosto;
Enquanto;
Imperadores, sacerdotes e milites enchiam seus bolsos.
80
Realidade
Desigualdade no Brasil;
É realidade;
Já faz parte da nossa identidade;
Onde mais da metade;
Carece de dignidade;
Cresce e convive entre o medo e a criminalidade;
Os mais antigos já diziam;
Que saudade!!!
Dos tempos da ditadura;
Pois, não havia essa falta de postura;
Que loucura!
Faz a falta de cultura;
Mas, deixa pra lá;
É melhor nem lembrar;
Me dá vertigem e tortura;
Opa... quer dizer tontura;
Nossa;
Ignorância pura;
Crer que respeito se faz na cintura;
Coisa obscura e dura;
Porta de entrada para a incultura.
E a bem da verdade;
Hoje;
Atualidade;
Ainda somos privados de liberdade;
Não para falar;
Mas, pensar e questionar;
Falsa democracia que insiste em se perpetuar;
E ninguém faz questão de enxergar.
Mas, fazer o quê?
Somos sabotados desde cedo;
Incutindo certos valores e medo;
Não temos sossego;
Na TV;
Só morte e desemprego;
Sem arrego!
Afirmam especialistas;
Capitalistas;
Direitistas e esquerdistas;
Que a solução para mudar;
É o povo aprender a votar;
Mas, pera aí...
Como acreditar?
Se só de 4 em 4 anos eles vêm nos visitar;
Abraçar e beijar;
E logo se mandar;
Assim não dá!
Deve haver outro jeito;
Para à nossa vida melhorar;
Sem bajular;
Talvez;
Usar a mente e pensar;
E assim se libertar.
72
Morena
Morena;
Tua beleza é teorema;
Um santo problema;
Difícil de resolver e refutar;
Mas pode acreditar;
Que me encanta e me ganhas apenas na doçura do teu olhar;
Mas, tua beleza também é poesia;
Que me contagia;
É luz que irradia noite e dia;
É beleza recitada e tocada;
Sentida no corpo e na alma;
Verdadeira inspiração para loucos e poetas;
Essa és tu;
Morena linda e discreta;
Maestra;
Na arte de encantar e despertar;
Desejos e loucura;
És mistura;
De encanto e tentação;
Teu corpo;
Um lindo pecado;
Quase um recado, um convite ao tentado;
Que me leva a pecar;
Ao querer te conhecer e provar;
Teu corpo, teu sabor e teu amor;
Verdadeiro esplendor;
E por onde eu for;
Não quero me encontrar;
Apenas me perder em cada curva do teu sorriso encantador;
Sem culpa e sem dor;
Conhecer teu cheiro;
Te ler, interpretar e cuidar;
Assim como faz um bom leitor;
Que cultiva seus livros;
De romance e de amor.
71
Aprisionamento
Prisão; Confinamento de almas e separação de irmãos; É a segregação e divisão; Daqueles marcados como bons ou não; Que desde cedo já nascem fracassados e destinados; E assim como Jesus condenados; E até mesmo sacrificado; Com um bode expiado; Pelo poder soberano de um estado; Que “executa”; De forma literal; Em nome da harmonia social; Que é superficial. Porque lei pra todo mundo não é igual; Faz parte do descaso social; E isso não é de agora, ta na história; Sem glória; Que já vem enraizado quando aqui fomos colonizados; Pelo europeu que nunca se arrependeu; De ter ceifado e escravizado; Vidas de negros; Que arrancados e obrigados; Foram humilhados e castigados; No pelourinho ou no açoite; Durante dias e noites. E quando de sua libertação; Falso fim da escravidão; Foram abandonados sem qualquer tipo de indenização; E educação, também não; Dando continuação a exploração; De uma geração; Que apesar da “benção” da princesa Isabel; Que escrevera com tinteiro e papel; O destino foi cruel. E hoje nos deparamos com a sequela; Morros e favelas; Construídos e habitados; Por aqueles que outrora; Fora abandonados; E muitos deles criados e largados; À sorte nua e crua; Vivendo entre os perigos e a humilhação da rua; Tiveram uma vida dura; Que até hoje dura e se perpetua; Sem pais; Paz; Sem mais; Mas pra você tanto faz; Pois a desigualdade criada e estabelecida; Hoje é distorcida; Pelo discurso de meritocracia; Que vicia um a um; Alimentando o senso comum; Pois não há mérito; Sem as mesmas condições de largada; Acreditar nisso; É pior que crer em conto de fada.