gepeto_neto

gepeto_neto

n. 1992 BR BR

Sei pouco sobre poesia/ mas do pouco que sei/ não sei, se tanto, viverei/ mas só dela, eu viveria.

n. 1992-03-12, Rio de Janeiro

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O Beijo

Beijo bom é uma obra de dois,
É sintonia fina que tudo expulsa
Em qualquer ambiente tudo vira valsa,
Nessa pintura feita da saliva de nós.

É quando se perde o folego e se morde o beiço,
Um laço embolado em afago
Fogo molhado que queima e afoga,
Carinho sedento de arrancar pedaço.

É o encaixe certeiro da peça que faltava,
O entrosamento suave de parceiros de dança,
O momento do toque da presa na lança
Quando, de certo, o ponteiro do relógio trava.

É como diria a canção.
É mão sem rumo que deixa arrepio,
É quando o lábio atropela sem desvio,
Sendo dois rios inteiros sem direção.
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Poemas

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Homem das tabernas

Aqui cabe o mundo inteiro,
Solidão, decepção, pesadelo,
Gosto de barro em pedra de gelo.
Onde leão vem se sentir cordeiro.
Verdadeiro arrepio de pelo.

Adormece e estremece.
O que era estresse virou alegria.
Fantasia que mora no tédio
Vira remédio pro que não cabe no coração
Onde não cabe a oração
Para a solução que logo se esquece.

E tudo tem um preço
O começo do amor
Dentro do valor da hipocrisia
Heresia e disritmia
De acreditar que tesão compensaria
A tensão que vem de antes do começo.

Ser seduzido por curvas expostas
Compostas por histórias que não me interessa
Dessa remessa eu quero só o gosto,
O rosto, o beijo, o corpo,
O gemido que é lazer, prazer e trabalho.
Num mundo repleto de trânsito
Esse é o atalho de pista vazia
Com o pedágio que sai barato
Apesar do que eu devia.
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Prazer de Poeta

Pelas lágrimas que te arranco
é sobre elas que me deito
E quanto mais rasgo seu peito
Mais barulho tem meu ronco.

Porque o teu pranto me alimenta
E ali eu não minto.
Sairá tudo que eu sinto
Até a dor que a gente aumenta.

Porque eu quero te fazer sangrar
Sem te encostar um dedo
E por seguir sem sentir medo
Vai me ouvir até enjoar.

Porque o prazer do poeta
Está no arrepio de quem ouve
E não há que não se comove
Com uma dor sincera de bonita.

E por mais que ainda duvide
Estará hipnotizado pela rima
E quando achar estar por cima
Não haverá mais quem te acude.

Por fim, um recado formal.
A ti que escrevo,
Futuro e prezado escravo
Prazer, sou aspirante a tal.
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Comentários (1)

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rafael_filho

É. Boa poesia.