Sapiente
Nesses dias de frio
De rotinas cansativas
E de pouca fé
Sinto-me um representante natural do meu planeta.
Sou gelo nos pés e na cabeça
E entre os polos sou só guerra.
Cheio de discursos de paz.
Às vezes só merecia um cometa.
Pra por um fim,
Quase no meio
Acima da linha do equador.
Pra vê se acordo
Ou se desmonto.
Que eu fique torto.
Ou fique tonto.
Mas que se extingua
Esse ser arrogande
Que existe dentro de mim.
Empatia
Apesar dos desprazeres
E do azar de não seres
um dos sortudos,
EU PEÇO QUE PEMANEÇA SERENO.
Porque é você que me move
E é você quem ouve
A dor dos contidos.
Apesar do suor
E do cansaço maior
Que o sono vencido,
EU PEÇO QUE PEMANEÇA SERENO.
Já que apesar da batalha
Não há esperança que valha
Tanto quanto um trabalho cumprido.
Apesar do esforço,
Do calo ou caroço
Que te modifica.
EU PEÇO QUE PEMANEÇA SERENO.
Porque feio é ser vagabundo
E não há um só moribundo
Que não tenha merecido.
Sem horizonte e sem céu
Acumulando "humildade",
EU PEÇO QUE PEMANEÇA SERENO.
Nunca se revolte.
Mesmo, de verdade.
Não vente, nem tente.
Não seja sol.
EU PEÇO QUE PEMANEÇA SERENO.
Assinado: Capitalismo.
Zero
Uma vez me acusaram de toque.
Vê se pode?
Não tô nem aí pra isso de ordem.
Dos outros que sofrem disso,
Parece até feitiço,
Mas confesso que não me comovem.
Tremendo papo furado.
Não seria retardado
De ser assim até com poesia.
Quadro ou relógio torto
Confesso que só morto,
Que não ajeitaria.
Sinto agora um julgamento
Preciptado argumento,
De estar enumerando.
Cês estão de brincadeira
Desnecessário essa asneira
De enumerar rimando.
Sente pois seria uma catástrofe
Se eu fosse enumerar estrofe
Pra poder dormir em paz.
Outro pra esquentar o clima
Disse que eu até largaria forma e rima
Pra continuar enumerando mais.
Novamente,
Desnecessário né?
Poesia de Despedida
Ela foi porque tinha que ir
E fui eu que perdi
O amor que não merecia.
Ela foi porque queria
Viver longe daqui
E sem me fazer sorrir
Foi tentar achar alegria.
E pala falta que faz
Sei que meu coração, jamais,
Terá o tamanho que tinha.
Porque o amor que retinha
Acolhia demais
E é por isso que jáz
Um coração comprimido como linha.
E do poeta que fez
Arrancou o sentimento de vez
E foi isso que deixou pra traz.
Deixou a vida confusa
Porque um poeta sem musa
É só mais um rapaz.
Que por teimosia,
Como um tolo,
Por um simples consolo,
Ainda tenta fazer poesia.
Agora Pode Chover
Só, pela chuva que cai.
Sente a dor de uma saudade que venta
Sob a pela do suor que sai,
Enche o corpo com amor que entra.
E o vazio se foi dessa maneira
Clareando uma tempestade imensa
Agora a gente se amará
Por duzentos dias, uma noite inteira.
E intensa.