heitorblesa

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Sou um esteta e amante do conhecimento que habita um planeta conhecido como Terra, que é o terceiro planeta dum sistema solar localizado numa posição da periferia da Via Láctea, conhecida como Braço de Órion, distante cerca de 26 mil anos-luz do centro galáctico.

Perfil
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Dualidade

O meu corpo frágil, inerme,
Que herdei dos meus ancestrais
Que foram ferozes animais,
Sucumbe até mesmo ante um germe.

Dentro e fora da minha epiderme
Há uma pletora de sinais
Que nem com produtos medicinais
Consigo me defender de um verme.

Contudo, esse meu estado de vulnerabilidade
Não é um estado de decadência,
Mas uma afirmação da minha humanidade.

Com isso, tenho plena consciência
Que, a despeito de toda fragilidade,
Sou uma maravilha da existência!
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Poemas

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Caminhante

São dias, hoje, distantes
aqueles os quais vivi
como os flâneurs¹, errante,
na cidade em que nasci.
De poucas coisas me lembro
desse povo que fui membro,
mas é difícil esquecer
os olhares perpetrados²
por juízos antolhados³
mirando me envilecer⁴.
 
Do centro aos arrabaldes⁵
vi na faina⁶ desse povo,
sob o sol e tempestades,
a busca por um renovo.
Um anseio por mudança,
próprio da esperança,
mas não para o bem fazer.
Era algo de vilania,
típico da tirania
desejosa pelo poder.
 
- Ocorreu-me uma certa vez,
perambulando as ruas
sem pressa e sem rapidez,
pela tarde, lá pras duas,
entrar em uma boa loja
e vê que algo enoja
aos transeuntes do local.
- Era a minha presença
sem real anuência
dos guardiões da moral.
 
O meu corpo foi medido
dos pés até a cabeça,
como para ser vendido
a quem preço ofereça.
Um animal em exposição
sujeito a torpe visão
dos que atribuem meu valor
não pelo ser vivo que sou,
mas pelo que se formulou
dos corpos o exterior.
 
- No mundo do atacado
em que nada é pessoal,
fui como todos, taxado,
por um contexto social.
Eu não era mais um eu,
sim algo que se escreveu.
Não vêem como pessoa
A mim. Sou tipo um monstro
E nada do que demonstro
Tornam a mim coisa boa.
 
- “Do mal representante
Meu destino é a morte
E desse pesar tocante
Nem me liberta a sorte.
Eu já vim ao mundo assim
E o serei até o fim”.
- O único erro crasso⁷
dos meus opositores
é que dos meus valores
eu jamais deles desfaço.
 
Essa falta de verdade
Nesse ar condescendente
Torna toda essa gente
Contra a autenticidade.
- Na terra do nevoeiro,
de íncola⁸, estrangeiro
é o como sou medido,
nem pelos meus ancestrais,
in memoriam, sou jamais
nessa terra fria querido.
 
- Sentei-me e tomei um chá.
- Nesta terra me formei
sem muitas chances ter, quiçá
as condições que sonhei,
mas hoje em retrospecto
vejo todo meu trajecto
e entendo o que passei,
não eram simples avenidas
eram lições adquiridas
dos povos por onde andei...
 
Aprendi a valorizar
tudo que realmente sou
assim como em paz amar
aqueles que me magoou.
Nunca que eu saberia
a diferença que havia
em mim, sem que por eles não
o fosse. Por isso feliz
afinco minha sã raiz
nas profundezas desse chão
 
Tornando-me estandarte
do ideário humano
para conquistar destarte
o delírio insano
de que todo diferente
não tem direitos de gente
e sempre são ameaça.
Onde eu andar, levarei
esse saber, tanto ao rei
como aos jovens na praça!
116

Caminhando no Escuro

Em uma noite fria
uma fogueira estava a queimar.
Este fogo ardia numa caverna
que alguém as paredes começou arranhar.
 
Aqueles riscos e rabiscos
formas eternas começaram nas rochas deixar.
Insígnias das coisas e seres
que aquele ser impressionado que as via
queria de alguma forma demonstrar.
 
Imprimir o que impressiona.
Exaurir o peso que sob os ombros pressiona.
Fixar o passageiro.
Lembrar o esquecido.
 
De lá a cá
muitos  anos se passou.
Nos movimentos da dança entre a Terra e o Sol,
esse passo continuou.
 
Eu homem numa Selva de Pedra estou.
A porta da minha casa não possui mais seres
que sobre a minha carne deseja os dentes amolar.
Pior!! Aqueles que perto estão
são os que querem me devorar.
 
O que dizer?
O que contar?
Se dentro de uma Selva de Pedra
não há coisas firmes e robustas
as quais eu possa me expressar.
 
O que sobra a mim
é o sangue das árvores.
Frágil, maleável e marcado,
assim como eu.
 
A minha caverna na Selva de Pedra
parece me isolar, proteger e guardar.
Mas ela não me deixa alheio
aos seres que ao redor estão a perambular.
Será que como os meus ancestrais, eu devia com
tais seres me importar?
 
Por que ter o peso deles em mim?
Ter suas imagens fixas em minha mente?
Lembrar sempre de suas maneiras de agir ao alvorecer?
Pensar em algo para com eles fazer?
 
Com isso eu quero o poder do caçador?
A glória do guerreiro?
A honra do Líder?
Os recursos do vencedor?
 
O que do mundo importei pra mim,
é realmente o que me importa?
Será que importa exportar o que importado foi?
A quem de interesse será o que há em mim?
A você? Aos meus pais? Meus irmãos e familiares?
Aos amigos, amantes, vizinhos e viajantes?
Não importa.
 
Questões e pensamentos,
Arrazoações dos sentimentos.
Tudo para manifestar, por riscos e rabiscos,
eletrônicos, as coisas que estão a mim assustar.
 
O que seria viver se eu não me importasse?
Se, as experiências que vivo não tivessem nenhum valor?
Se, as pessoas que estão ao meu redor fossem vistas como um nada,
um ser outro que não eu?
Eu simplesmente as Mataria? Escravizaria? Exterminaria?
 
No baile galáctico, onde a terra e o Sol brincam,
os homens essas questões tiveram que enfrentar.
Muitos tropeçaram nos passos,
outros, poucos, um show a humanidade vieram dar.
 
Nessa luta da sobrevivência, dessa guerra travada.
Dos homens contra si mesmos, das almas cansadas.
Muito sofrimento foi gerado e vidas são despedaçadas.
 
Mas mesmo em tal guerra há compasso,
há calor nos choques, ouvindo-se
assim algo como um ritmo a tocar.
 
São as batidas dos corações, revelando em cada Ser através das pulsações
a vida tentando majestosamente mais tempo poder contemplar
Os movimentos que todo o Universo está a bailar.
 
Oh caverna ingrata que meus sentimentos quer prender.
Não ficarei preso em seus recintos com as gravuras sombrias
daqueles que me importam.
Exportarei de suas portas o que o mundo imprimiu em mim.
Verei a luz que brilha lá fora e deliciar-me-ei
com as coisas em sua plenitude.
Encararei o mundo como é e não como de dentro de ti eu o via.
Que o fogo das minhas palavras queime nesse papel e ilumine
a minha visão enquanto eu estiver em ti.
Para assim poder ver que preso em sua escuridão
estou acostumando-me com a imobilidade mortal.
A luz que há fora de ti permite-me visualizar os movimentos
e esbarrões da guerra/dança da sobrevivência
e que enfrentar essa situação
é a Arte de Viver.  
123

A mudança climática

Para além das montanhas
do norte, do horizonte,
vivem pessoas estranhas
que não habitam os montes.
Delas meu pai me contava
e eu sempre escutava.
Ficava maravilhado
com aquelas aventuras
nas planícies, nas alturas,
e me sentia ousado.
 
No lugar em que vivemos
a rotina é constante,
o que plantamos, comemos.
Ô fruto excruciante!
Não gosto que seja assim,
mas não existo só por mim.
Vivo por todo meu povo
que trava suas batalhas
pra não viver de migalhas
almejando um renovo.
 
A nossa vida pacata
foi toda modificada
após a infeliz data
da tétrica¹ temporada
dum frio avassalador
que em todos grassou² pavor.
Os velhos e as crianças
foram logo abrigados
e os animais, cuidados,
prontos para as mudanças.
 
Das mais diversas direções,
vindos de incógnitos clãs,
surgiram muitos aldeões
atrás de nossas anciãs
pra lhes treinar coser frisas³
e assim suster as brisas
de lhes lancinar a nudez
enquanto se preparavam  
e comida estocavam
pra enfrentar a escassez.
 
Tal intercâmbio cultural
trouxe oportunidades
de crescimento pessoal
para todas as idades,
por elevar os saberes
sobre os seus afazeres
ao nível de ciência
que engendra benefícios
para todos os ofícios
que exigem sapiência.
 
Mas o povaréu sem pejo⁴,
não com tudo satisfeitos,
incitaram o desejo
de mudarem os preceitos
que através de gerações
somos os zelosos guardiões,
causando por alvedrio⁵
uma tensão intergrupal
em nosso laço social
para enfrentar o frio.
 
O embate suscitado
evolou à recordação
um acordo assinado
entre os chefes de então.
Com ele haveria paz
para todo homem capaz
de cumprir as sagradas leis
que desde eras vetustas⁶
são conspícuas muito justas,
mesmo entre grupos sem reis.
 
O vexame hodierno
é que os jovens não sabem
o que os tornou modernos.
Talvez o mundo acabem
por reproduzir os erros
que causaram mil enterros.
Nem o frio nem o calor
causam danos veementes
quão tão incultas mentes
das atrozes lendas da dor.
194

Noite Outonal

O azul desvanece no horizonte
e surgem rúbidos¹ raios solares
na imensidão inóspita dos ares
colorindo tudo que estou defronte
com as purpúreas cores do outono.
Solitário, em agro² abandono,
vejo brilhos luminosos nas alturas
e fico a contemplar, por alvedrio³,
a temporã⁴ chegada dum cruel frio,
juntamente com nuvens muito escuras.
 
Anoitece e levanto as minhas mãos
ao céu, numa tentativa de tocar
as longínquas estrelas nos espaços vãos
por onde se estendem luzes a brilhar
e assim tentar abraçar a mudança
dos astros celestes como uma dança,
que num sutil movimento, traz o longe
para perto, indo em gestos e passos
aos poucos conquistando os espaços
imanes⁵ da minha solidão de monge.
 
E nessa minha divagação imota⁶
vejo na terra como do céu reflexos 
estendidos sob uma área remota,
fazendo das estrelas pontos conexos
com um volume de matéria sombria
que os humanos tornaram moradia
para salvarem a si e aos filhos
das fortes intempéries da natureza
que preenchem a vida com incertezas,
por ameaçar tirar dela os trilhos.
 
Contudo, ao observar com atenção
como esse fenômeno se comporta,
percebo uma paradoxal relação
que minha mente erma⁷ não suporta:
"Diferente das estrelas que parecem
perto, mas muito distante resplandecem,
as casas embora estejam contíguas⁸
possuem longitudes intransponíveis
estradada por tijolos invisíveis
e por concreto de proporções exíguas⁹".

Através dessa fenda, dessa vacância¹⁰,
não me são evidentes os obstáculos
para transladar tão ínfima distância
que há entre tais nexos habitáculos.
Não havia nenhum tipo de porfia¹¹
para justificar símil¹² apatia,
e é insabido¹³ outras desavenças
que forneçam alguma elucidação
para uma convivência sem união
entre seres em que não há diferenças.
 
Como um testigo¹⁴ de pasmado¹⁵ cariz¹⁶
fiquei ante tais paradoxais asserções¹⁷
que me fizeram da vida um aprendiz
por tornarem perceptíveis as aflições
de residir nesse planeta, sozinho,
mesmo com alguém do lado, um vizinho.
Sem vãs pretensões de encontrar um fanal¹⁸.
Parti em direção aquele meu lugar,
a minha morada, o meu humilde lar,
divagando só, nesta Noite Outonal.
131

Jornada Cósmica

Quando eu ligava as estrelas com pontos
Garatujando no céu sonhos e devaneios
Que se traduziam em sublimes contos
Onde eu podia expressar os meus anseios
 
Eu não imaginava quantos confrontos,
Quantas batalhas e quantos bombardeios
Eu teria que enfrentar sem descontos
Para garantir da sobrevivência, os meios.
 
Me deixei iludir pelo brilho das estrelas
E me que esqueci que o espaço é escuro,
É frio e é solitário. A definição de inseguro. 
 
Hoje, no entanto, eu ainda não fechei as minhas janelas,
Pois embora viver neste Universo seja algo obscuro,
Sonhar com as estrelas me direciona para o futuro.
115

Amazônia

O flagelo que aflige o meu povo
com dores excruciantes e asfixia,
é algo com o qual eu me comovo.
Não suporto mais esta pandemia.

Quero a felicidade de um dia novo,
mas sou impedido pela hipocrisia
daqueles que se dizem um renovo,
mas são representantes da vil tirania.

Para eles nenhum tipo de evidência
encontrada pelos esforços da ciência
parece fazer algum sentido ou importar.

Governam com maestria na incompetência
nos fazendo viver uma ironia, uma incongruência:
“O pulmão do mundo não consegue respirar”.
117

A Lição

Não precisei residir no degredo
nem testemunhar dias tenebrosos
para viver momentos dolorosos
que me deixaram aflito e com medo.

Entendi assim que há na vida um segredo
oculto em lugares misteriosos
acessíveis aqueles corajosos
que ousam percorrer o próprio penedo.

— “A vida é um curso de tragédias
     que nos colocam diante um conflito:
     Ter ações ou nos render às acédias?”

Ninguém irá encontrar algo escrito
nos livros sãos e nas enciclopédias
como resposta para isto que edito.
112

Transcendência

Quanto mais na vida eu reflito,
menos consigo encontrar um critério
que me traga algum refrigério
e que me deixe menos aflito.

Não preciso ser erudito
para reconhecer o mistério
escondido no outro hemisfério
das concretudes em que acredito.
 
Mas difiro dos ancestrais
que nos transferiram o estigma
das crenças sobrenaturais.

Eu procuro enfrentar o enigma
que são as leis universais
através de um novo paradigma.
116

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